O programa Remessa Conforme, implementado pelo Governo Federal em agosto de 2023 para regular a importação de produtos antes considerados contrabando digital, teve impactos negativos, principalmente para quem compra celulares.

Antes da mudança, as compras abaixo de 50 dólares eram isentas de taxas. No entanto, após a implementação, todas as remessas passaram a ser taxadas, inclusive produtos com valores mais baixos, como capas de celulares, que viram seus preços triplicarem devido a essa nova regra.

O Governo querendo aumentar a fatia, confirma que vai cobrar taxa de importação de toda e qualquer remessa que vier de fora do país, e não olha torto, senão vou taxar esse seu olhar também. Essa medida afetou diretamente o bolso dos consumidores, que agora enfrentam taxas mesmo em compras de menor valor.

Celulares e o Remessa Conforme

No segmento de smartphones, logo após o início do programa, observou-se um aumento significativo nos preços dos dispositivos importados. Não somente o aumento de preços, mas a dificuldade e incerteza na importação fizeram com que as pessoas perdessem o interesse em importar.

POCO F5
POCO F5

O POCO F5, na versão 12GB, que prometia ser uma opção de custo-benefício em 2023, teve seu preço elevado de R$2000 para R$ 2800 após a implementação do Remessa Conforme.

O mesmo ocorreu com o POCO X5, que antes poderia ser encontrado por cerca de 1100 reais, mas agora não sai por menos de 1400 reais.

O X5 Pro, irmão do POCO X5, teve seu preço aumentado de 1550 para 1700 reais na versão de 128GB.

Esses aumentos expressivos prejudicam os consumidores que buscavam opções mais acessíveis no mercado de smartphones. Era tendência os smartphones POCO baixarem preços, algo que não aconteceu em 2023.

A medida impactou diretamente o acesso da população a dispositivos eletrônicos, dificultando a obtenção de aparelhos a preços mais razoáveis.

Houve queda de quase 40% nas compras internacionais em novembro em detrimento do Remessa Conforme, segundo a CNN:

Quem se beneficiou com isso?

A Xiaomi Brasil de certa forma se beneficiou da situação, comercializando o POCO X5 Pro de 128GB por R$ 3219 na loja oficial, quase o dobro do valor praticado no mercado cinza, mesmo considerando o preço atual, certamente viu a diminuição de procura por celulares importados.

Os preços na loja oficial destes produtos são exorbitantes no Brasil, levantando a indagação: Por que o valor local ultrapassa o dobro do praticado na importação? A explicação não se resume apenas aos impostos.

Mas não foi apenas a Xiaomi, outras marcas também vão ganhar mercado, principalmente as que possuem produtos de menor preço e já são reconhecidas no mercado, como Samsung e Motorola. A falta de concorrência externa, a dificuldade de comprar um importado, fará com que o mercado se restrinja aos dispositivos oferecidos pelas marcas que aqui estão. Resumindo, teremos que nos contentar com Moto G e Galaxys A e M.

Produtos que aqui não são comercializados

Google Pixel 6a
Google Pixel 6a

Outro ponto crucial é a limitação de acesso a produtos indisponíveis no mercado nacional, como os smartphones da linha Pixel do Google. Eu importei um Pixel 6a, há alguns meses para fazer testes, poder ter ele como base para trazer novidades sobre as versões novas de Android. Agora, com as taxas adicionais, fica mais complicado financeiramente.

Isso não apenas prejudica entusiastas de tecnologia, mas também limita a diversidade de produtos disponíveis no país, prejudicando a inovação e a escolha do consumidor. Certamente quem antes importava produtos eletrônicos está com problemas para continuar a prática.

Agilidade no processo de importação

O Governo Federal prometeu agilidade no processo alfandegário, que até aconteceu, as encomendas passam mais rápido por não precisarem mais fiscalização, porém, ainda há uma longa espera até que os Correios entreguem o pacote. Certamente você já se deparou que o produto chega mais rápido da China ao Brasil, geralmente em Curitiba, do que Curitiba ao destino.

Novas empresas podem se beneficiar também

Há um contraponto que pode ser benéfico, empresas como Realme, que está há pouco tempo no mercado brasileiro podem ver esse cenário com bons olhos e de certa forma aproveitar o momento para consolidar a marca no Brasil, ela oferece diversos produtos de boa qualidade com preços até acessíveis, inclusive testamos os celulares da Realme aqui no site.

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