O canal Linus Tech Tips publicou o vídeo "Building the All Brazil Gaming PC", em que monta dois computadores gamer usando apenas peças compradas no Brasil para ilustrar como os impostos tornam o hardware muito mais caro por aqui. A experiência contrasta um PC custo benefício e uma máquina ultra‑barata usando os famosos kits Xeon.
No vídeo, Linus abre falando sobre a onda recente de tarifas nos Estados Unidos e compara com o Brasil, que convive com tributos altos sobre eletrônicos há pelo menos meio século. Para entender "como isso está funcionando", a equipe decide comprar todo o hardware em lojas e plataformas que atendem o mercado brasileiro, incluindo marcas pouco conhecidas fora daqui, como Super Frame e Ninja Gaming.
Os dois PCs "brasileiros"
- PC "custo benefício" BR:
Usa uma placa‑mãe B450M vendida sob a marca Super Frame, fabricada e montada na Zona Franca de Manaus para obter isenções fiscais, além de um processador Ryzen 5 5500X3D exclusivo para a América Latina, memória DDR4 de 3200 MT/s, um RTX 3060 e um monitor 1440p de 180 Hz. Linus ressalta que, mesmo sendo uma configuração moderna, ela ainda é cara demais para o "trabalhador médio" brasileiro. - PC "de guerra" (super orçamento):
A máquina barata usa uma placa‑mãe Zesus X99 comprada no AliExpress, baseada em chipsets reaproveitados de servidores antigos, com um Xeon de 12 núcleos, 16 GB de ECC DDR4 e uma Radeon RX 580 de 2017, placa de vídeo que ainda roda bem games populares como League of Legends e Valorant. Segundo o vídeo, esse kit custava cerca de 56 dólares antes de o governo brasileiro aplicar um imposto de 93% sobre compras acima de 50 dólares em sites chineses.
Impostos, "gambiarras" e parcelamento
Ao lado de Linus, aparece Ricardo, brasileiro que trabalha com o canal e ajuda a explicar as estratégias de sobrevivência do consumidor local, como torcer para o vendedor "mentir" na declaração de valor, pedir peças para amigos que viajam e recorrer a compras parceladas sem juros aparentes.
Ele comenta que o parcelamento é parte do "adulto normal" no Brasil e que, apesar das propagandas de "0% de juros", quem paga à vista costuma ganhar 10% de desconto, o que indica custo financeiro embutido no preço final.
Marcas locais, periféricos baratos
O vídeo destaca a atuação de marcas como Super Frame, que compram placas‑mãe em volume de fabricantes como a ASRock, rebatizam o produto e fazem a montagem final em território brasileiro para conseguir benefícios tributários na Zona Franca de Manaus. Essa engenharia fiscal permite vender hardware relativamente moderno com preços "menos distantes" dos praticados em outros países, embora ainda longe de ser acessível para grande parte da população.
A RX 580 usada no PC barato é apontada como fruto direto da era da mineração de criptomoedas, com placas usadas inundando o mercado secundário anos depois. Linus também mostra como monitores, mouses e teclados de entrada prejudicam a experiência de jogo, com problemas de rastreio do mouse e telas limitadas a 75 Hz e entradas antigas como VGA, apesar de o HDMI ser mais caro de implementar.
Testes e conclusão
Nos testes de Cyberpunk 2077, o PC "bom" com RTX 3060 consegue rodar o jogo com resolução mais alta, ray tracing ativado e taxas de quadros confortáveis, enquanto o PC barato precisa de tudo no "low" com upscaling FSR e ainda assim apresenta imagem bem inferior. Em Counter‑Strike 2, a diferença de desempenho entre as duas máquinas chega a três a quatro vezes em FPS médios e 1% lows, o que afeta nitidamente a jogabilidade competitiva.
Ao fim do vídeo, Linus afirma que não recomendaria exatamente essas peças para quem vive na América do Norte hoje. O vídeo rapidamente repercutiu em fóruns internacionais, com brasileiros comentando que o conteúdo "mostra o quanto o Brasil é amaldiçoado" em termos de preço de hardware e criatividade para driblar os impostos. A publicação também levou jogadores de outros países a comparar suas próprias dificuldades para montar PCs de entrada em um momento de alta de preços no mundo inteiro