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Você consegue fazer as suas refeições sem pegar o celular?

Restaurante de Nova York sugere que clientes coloquem smartphone em caixa. Empresas de outros ramos estão restringindo o uso para aumentar a produtividade. A grande dependência do aparelho e o medo de ficar sem ele já ganhou nome “nomofobia”.

Por | @fsbeling Comportamento 2 comentários

Se você tem o hábito de frequentar a restaurantes já deve ter se deparado com casais em horário de almoço ou jantar em que os filhos estão com smartphones ou tablets nas mãos assistindo a vídeos do YouTube ou então jogando games ao mesmo tempo em que fazem as suas refeições. Na maioria das vezes, os pais acabam por pegar os dispositivos para conferir seus e-mails e notificações, inclusive algumas vezes até mesmo para atender ou fazer ligações.

Recentemente, o vício em tecnologia vem se tornando umas das principais preocupações do Vale do Silício, isso porque o olhar voltado demasiadamente para os aparelhos tem gerado efeitos preocupantes em relação a nossa percepção, produtividade e bem-estar. Com este cenário, fabricantes como a Apple, pressionada por grandes investidores, pretende fornecer aos usuários dos seus aparelhos estatísticas do tempo gasto neles na sua próxima versão do sistema operacional iOS. Já a Google informou que disponibilizará diversas atualizações no Android visando o bem estar digital.

Em paralelo, outras organizações que não estão diretamente ligadas a tecnologia vêm buscando alternativas para diminuir o uso dos aparelhos no dia a dia, como é o caso da FedEx que proibiu seus funcionários de levarem seus telefones pessoais ao trabalho, solicitando que os deixe em casa. Já os executivos da Brown Parker & DeMarinis Advertising e da United Wholesale Mortgage para aumentar a produtividade determinaram algumas restrições aos colaboradores para o uso dos dispositivos.

Você consegue fazer as suas refeições sem pegar o celular?Você consegue fazer as suas refeições sem pegar o celular? Leia em destaque: Você consegue fazer as suas refeições sem pegar o celular?.

Alguns restaurantes de Nova York também vêm mudando as exigências dentro de seus estabelecimentos, pois muitos acabam ficando irritados com o comportamento de sua clientela que na grande maioria das vezes acaba por fotografar as comidas. Um restaurante com inspiração na culinária italiana no East Village, em NY, faz um convite ao seu cliente, disponibilizando uma caixa em cada mesa onde está escrito “Abra-me!”, ao abrir está um convite para esconder o aparelho durante as refeições.

Vale ressaltar que nenhuma das caixas são iguais, algumas são caixas antigas de charutos, outras caixas de bombons vintage, mas cada uma com características diferentes para que não haja confusão e troca de aparelhos. Além disso, elas complementam a decoração das mesas.

"Não acho que exista alguém que esteja chegando e sentindo que estamos sendo condescendentes com eles", disse Erik Gullberg, um garçom e bartender que trabalhou no Hearth por quatro anos, isso porque simplesmente as caixas são ignoradas pelos funcionários e o cliente acaba a descobrindo por conta própria.

De acordo com Marco Canora, dono do Hearth, são poucos os que conseguem ficar a noite toda sem conferir o telefone "Isso realmente reforçou nossa crença de que esse é um verdadeiro vício. Você vê as pessoas sucumbirem ao seu vício a noite toda”. Segundo ele, basta que o companheiro (a) vá até o banheiro para que o outro já pegue o telefone.

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Mas e aí você deve estar se perguntando, clientes que costumam tirar fotos dos alimentos que consomem em determinando restaurante não teriam um papel importante na divulgação do mesmo através das redes sociais? Primeiramente, o dono do Hearth disse que alguns membros de sua equipe se preocuparam em relação a isso, mas de acordo com ele não foi necessário este tipo de divulgação através do Facebook ou Instagram para que o seu negócio conseguisse um público fiel ao longo dos seus 14 anos de existência.

A gerente do restaurante, Christine Wright, brincou dizendo que isso não significa que as plataformas não tenham conteúdo sobre o Hearth, uma vez que "Nós vemos pessoas postando as caixas no Instagram, então eu não sei se isso é uma vitória ou uma derrota, mas eu ainda acho que é bom para nós".

Vale ressaltar que para as crianças o Hearth tem disponibilizado papel branco e giz de cera para que os pequenos se distraiam enquanto estão no ambiente jantando.  Uma família que costuma frequentar o Hearth teria relatado que seus filhos se divertiram com o jogo da velha e o pai da família teria dito ao Canora que pretende ter uma caixa dessas em casa, para guardar os seus aparelhos e se desligarem por determinado período dos dispositivos e do mundo tecnológico.

Ansiedade e Depressão

Não é somente em restaurantes que acontece o uso demasiado de aparelhos, se você andar pelas ruas das cidades vai ver que para todos os lados existem pessoas falando no celular, conferindo mensagens seja de texto, de aplicativos, as redes socias das quais faz parte. Em dezembro do ano passado, um estudo realizado pelo Pew Research Center revelou que nos Estados Unidos cerca de 46% da população não consegue “viver” com celular sem acesso à internet. A grande dependência do aparelho e o medo de ficar sem ele já ganhou até mesmo um nome “nomofobia”.

Uma outra pesquisa foi realizada pelos pesquisadores da Universidade da Coreia em Seul com o intuito de entender como essa dependência ocorre quanto a química cerebral. Para isso, o Hyung Suk Seo, que é um neurorradiologista, decidiu agrupar 19 jovens com dependência a internet diagnosticada, ambos com 15 anos de idade e um outro grupo de 19 jovens com a mesma idade, porém sem dependência do aparelho. Sendo assim, 12 dos 19 jovens que não conseguiam viver longe dos dispositivos acabou recebendo terapia cognitivo-comportamental por um período de nove semanas. Este modelo de terapia foi readaptada, pois a mesma era aplicada com dependentes de jogos de azar. Para medir a severidade do vício, os pesquisadores utilizaram testes padrão de adicção.

O principal objetivo era entender como o uso excessivo e dependente dos aparelhos afetava a vida desses jovens, tanto em relação a rotina diária, como a vida pessoal dos mesmos, o sono, os sentimentos e a produtividade. Para identificar como isso ocorre no cérebro foi realizado um exame denominado espectroscopia por RNM, ou seja, uma ressonância magnética para medir a composição química, e como resultado, os pesquisadores descobriram que os adolescentes como maior dependência dos aparelhos apresentavam maiores níveis de depressão, ansiedade, impulsividade e insônia.

Isaac Vaghefi, professor da Universidade de Nova York que pesquisou a nomofobia entre 182 estudantes universitários, ressalta “Nossos smartphones se transformaram em uma ferramenta que fornece satisfação rápida e imediata. Nossos neurônios respondem a isso imediatamente, lançando dopamina. Ao longo do tempo, isso aumenta nosso desejo pelo feedback rápido e pela satisfação imediata. Esse processo também contribui para o desenvolvimento de intervalos de atenção mais curtos e torna as pessoas mais propensas ao tédio”.

“A dependência tecnológica não é um transtorno mental oficial, mas esse termo se refere a um comportamento de adicção em relação a mídias sociais, mandar mensagens em excesso, carregar muita informação, fazer muitas compras on-line, jogar, acessar pornografia on-line, enfim, o uso excessivo do smartphone”, completou Vaghefi.

Encontrar o equilíbrio

A tecnologia está introduzida no nosso dia a dia e tem facilitado a nossa vida de diversas formas. Os smartphones e tablets tem tornado a nossa comunicação mais rápida e tem ampliado o acesso a inúmeras coisas sem precisarmos sair de casa. Contudo, as crianças e adolescentes ainda são as maiores vítimas desse acesso desregulado e sem limites a internet.

O uso demasiado dos aparelhos pode trazer a vida do individuo problemas psíquicos, como depressão, ansiedade e impulsividade, além de afetar a vida social e relacionamentos pessoais, trazendo isolamento social e agressividade, além de menor contato familiar. Outro problema é o distúrbio do sono, pois o uso de celulares assim como os jogos de computador acaba por causar uma estimulação cerebral excessiva antes de dormir, o que reduz o hormônio do sono, no caso, a melatonina, pela luz emitida nas telas e alta concentração.

Além disso, o uso dos smartphones, tablets ou computador por períodos prolongados podem causar problemas oculares, como vermelhidão, coceira, secura e canseira dos olhos, além de aumento de pressão pelo foco nos aparelhos. A longo prazo, como consequência, outros problemas podem surgir, como presbiopia, catarata, retina, cristalino, mácula e problemas de córnea.

Portanto, para que a maior parte destes efeitos secundários pelo uso excessivo de aparelhos seja evitado, precisamos repensar se estamos fazendo o uso correto da tecnologia. Os smartphones, na atualidade, tem se tornado um aparelho indispensável no nosso dia a dia, tanto na vida pessoal quanto profissional, mas o importante é que as pessoas tenham a consciência de que tudo que for em excesso faz mal a nossa saúde.

O ideal é conseguirmos organizar os nossos afazeres diários e encontrarmos um ponto de equilíbrio, para que não sejamos escravos da tecnologia, mas sim, beneficiários dela.

Agora, nós do Oficina da Net gastaríamos de saber:

  1. Quantas horas você passa em frente as telas diariamente?
  2. Você faz suas refeições utilizando o celular ao mesmo tempo?
  3. Na roda de amigos, você fica olhando no celular?
  4. Você ficaria sem seu celular por uma semana?

Comente abaixo as suas respostas.

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