8 coisas que mudaram a história da computação

O computador é o responsável pelas maiores mudanças dos últimos tempos. Mas até ele teve aqueles momentos de virada. Confira quais são as 8 coisas que mudaram o rumo da computação.

Por | @Evilmaax Ciência

Nos últimos 100 anos nós vivenciamos mais invenções e revoluções tecnológicas do que nos outros tocalhões de anos anteriores desde a formação do mundo. Grande parte delas se deu em um período ainda menor, últimos 20 ou 30 anos, sendo cada vez mais frequnte as mudanças diárias.

E o motivo é um só: Computador.

Desde que ele foi inventado as pesquisas e quebras de paradigma aumentaram consideravelmente; desde que todo mundo começou a ter um em casa e a internet passou a ser mais democrática então, esse número explodiu.

Mas o próprio computador não só ajudou a revolucionar áreas da mecânica, engenharia, medicina, astronomia, etc. como também passou por mudanças significativas nesses últimos anos que fizeram com que ele se tornasse o que é hoje.

Confira agora as 8 coisas que mudaram a história do computador (e do mundo) de dentro para fora:

Máquina de Turing

Talvez você já tenha visto o filme vencedor do Oscar chamado O Jogo da Imitação que conta a história de Alan Turing e como ele mudou o mundo com sua invenção.

Criada para decifrar as mensagens cifradas dos alemães durante a 2ª Guerra Mundial a máquina manipulava símbolos em uma fita de acordo com as regras estabelecidas por Turing para guardar informações e então manipulá-las de acordo com sua intenção.

O conceito é simples, mas poderoso. Dê a ela qualquer algoritmo moderno e a máquina poderia reproduzi-lo perfeitamente. Assim, não é exagero dizer que qualquer computador que você já usou ou irá usar em toda a sua vida nada mais é do que uma máquina de Turing mais ajeitadinha e moderna.

Não é à toa que ele recebeu o título de Pai da Computação.

A máquina de Turing originalA máquina de Turing original

Xerox

Sabe aquela história de que Bill Gates roubou tal coisa de Steve Jobs? De que a Apple copiou não sei o que lá da Microsoft? Todo mundo conhece essas fofocas históricas, porém, enquanto se discute esses pormenores ninguém dá bola para o mais importante de tudo: antes deles roubarem um do outro, os 2 roubaram de um terceiro concorrente.

Hoje o nome Xerox é ligado apenas àquelas máquinas que fazem cópias e impressões de folhas, seu principal produto, mas não foi sempre assim, e mais: se não fosse por eles e seu centro de pesquisa, talvez você não estivesse nem mesmo lendo isso agora.

Isso porque o Xerox Palo Alto Research Center – ou Xerox PARC – tem um papel fundamental (seão o maior de todos) na evolução da computação. Fundado em 1970 para melhorar as tecnologias de suas copiadoras, foi de lá que saiu, por exemplo, a interface gráfica, o conceito de desktop e o uso de janelas, o mouse, a conexão ethernet, a programação orientada a objetos (leia mais sobre nos próximos tópicos), entre outras coisas “menores”.

Resumindo: Se você está fazendo mais de uma coisa ao mesmo tempo em seu pc agora, está conectado na internet e está lendo isso em um monitor, agradeça a eles.

Mas então por que a Xerox não é a maior empresa de computação do mundo hoje? Em primeiro lugar porque, ironicamente, eles não tinham interesse em investir maciçamente nos computadores pessoais (que eles criaram antes da Apple, só não sabiam), mas sim continuar melhorando suas fotocopiadoras cada vez mais. 

Eles até lançaram um computador pessoal, o Xerox Alto, porém, o ramo nunca foi sua preocupação. O negócio do futuro era o ramo das fotocopiadoras. 

Assim, após vendas modestas (2 mil unidades) as criações da Xerox ficaram escondidas até o final da década de 70 quando Steve Jobs e alguns outros engenheiros da Apple fizeram questão de visitar o centro de pesquisas da empresa como condição de uma venda de ações da Apple para a Xerox que a empresa de cópias tanto queria. O que Jobs viu lá foi a chave para a revolução que ele buscava para suas máquinas.

O resto é história.

Crianças usando um computador pessoal anos antes da Apple lançar o termoCrianças usando um computador pessoal anos antes da Apple lançar o termo

CP/M

Aposto que você nunca ouviu falar neste conceito abstrato, mas ele resolveu um dos maiores problemas do início da computação que você nem sonhava que um dia poderia ter existido.

Antes, quando os primeiros programadores ainda precisavam se dedicar dias para desenvolver coisas simples, como um ponto piscando na tela, não existia essa coisa de um mesmo programa rodar em qualquer máquina não. Se você tinha um IBM precisaria então encontrar (ou escrever) um software que funcionasse para máquinas IBM, e, não raro, que funcionasse para aquele seu modelo ESPECÍFICO de IBM.

Ninguém sonhava em construir um programa que iria funcionar em todas as máquinas de todos os fabricantes. Isso era inconcebível já que não se conhecia um método de fazer com que os diferentes hardwares interpretassem o mesmo código com sucesso, independentemente da arquitetura da máquina. É aí que entra o CP/M, ou, Control Program for Microcomputers.

O mais incrível é que, segundo a lenda, o seu criador Gary Kidall criou o sistema meio que acidentalmente, ou pelo menos sem saber que estava mudando o modo como as coisas seriam dali para a frente. Foi mais ou menos assim: Ele estava trabalhando nos laboratórios de pesquisa naval dos Estados Unidos em um sistema operacional quando precisou continuar seu trabalho em casa em seu próprio computador. Para sua tristeza momentânea e para o bem da computação moderna, as máquinas eram diferentes e o que ele tinha desenvolvido no trabalho não iria funcionar em seu PC doméstico.

Assim ele teve a ideia de separar a parte que era dependente do sistema operacional (controlador de disco e saída/entrada serial) em uma sessão conhecida como BIOS. O resto poderia ficar inalterado pois não era dependente de hardware.

Com isso tornava-se possível adaptar os softwares fácil e rapidamente para rodar em qualquer máquina, fosse qual fosse as peças embutidas e seu modo de criação. Assim estava tudo pronto para que aplicações como o Visicalc surgissem. Não conhece? Confira o próximo tópico.

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Visicalc e Wordstar

Há 40 anos atrás o computador, o transistor e o microchip já haviam sido inventados e graças a eles os computadores do final dos anos 70 já não eram mais aqueles trambolhos desajeitados do início da computação (vide a Máquina de Turing ali em cima). Mesmo assim eles não passavam de uma coisa nerd que as pessoas não tinham interesse algum em ter em casa.

A coisa começou a mudar quando 2 programinhas surgiram quase que simultaneamente para mostrar às pessoas “normais” que ter uma máquina em casa ou no escritório tinha muitas vantagens.

O Visicalc foi o primeiro programa de escritório já criado e o primeiro a fazer coisas que nós humanos não conseguiríamos fazer apenas comum lápis e uma folha de papel. Mas se você acha que ele se limitava a somar e calcular estoque, está muito enganado: Ele podia, por exemplo, fazer cálculos trigonométricos e simulações demasiadas avançadas para nós.

Visicalc em operaçãoVisicalc em operação

Tá certo que podia demorar um pouquinho mais do que o Excel 2016, mas mesmo assim ele foi uma verdadeira revolução. Tanto que foram vendidas mais de 700 mil cópias do programa nos 6 anos iniciais de sua comercialização (lembre-se que estamos falando do final dos anos 70 ~ início dos 80 e 700 mil cópias naquele tempo era muuuuita coisa) e ele até virou sinônimo de Apple II (a máquina para a qual foi orginalmente desenvolvido). Era comum que alguma pessoa menos entendida chegasse nas lojas e pedisse um Visicalc quando quisesse comprar um computador.

Se você ficou curioso para ver como funcionava o programa, pode fazer o download gratuito diretamente do site do desenvolvedor e fazer seus próprios testes. 

Já o Wordstar fazia com palavras o que o software anterior fazia com números. Lançado no mesmo ano de 1978 deixou o mundo inteiro de queixo caído por conseguir, por exemplo, contar as palavras e imprimir documentos digitados no computador (a impressão ainda era focada em velocidade: o Wordstar alternava a impressão de 1 linha da esquerda para a direita e depois da direita para a esquerda).

A partir de então diversas companhias passaram a utilizar o revolucionário método de comunicação “carta digitada” (até então havia funcionários exclusivos para escrever à mão).

8 coisas que mudaram a história da computação

Os softwares de escritório são um dos pilares mais robustos de uma empresa que talvez você já tenha ouvido falar: Microsoft, que nos anos seguintes lançaria suas versões.

Detalhe: O Wordstar foi o primeiro a se tornar famoso na edição de textos, mas o primeiro foi o Bravo. E onde ele foi criado? Lá mesmo, dentro do Xerox Parc para ser embutido dentro dos computadores da marca. 

Autocad

E se os softwares anteriores mostraram que os computadores podiam ser parceiros para as tarefas básicas do dia a dia, o próximo da lista teve o mesmo papel, mas em casos que a computação aplicada passou a fazer parte do dia a dia.

Certamente você sabe que projetos arquitetônicos, de engenharia, construções mecânicas como carros, peças e tudo o mais hoje em dia são simuladas em software antes de serem desenvolvidas na prática, certo? Isso garante que o produto/obra vai funcionar e sair como o esperado, senão, poderá ser refeito antes de perder-se tempo e dinheiro com algo não funcional.

Independente da área que você esteja projetando, um programa de mais de 35 anos é o responsável por tudo isso: AutoCAD. Desde 1982 o programa da Autodesk ajuda projetistas do mundo inteiro a projetar, com o perdão da redundância, nas mais diversas áreas. Sem um programa com tal aplicabilidade poderíamos estar bem atrasados, fazendo tudo no papel (e com grande margem para erros).

Claro que hoje existem diversos concorrentes e softwares aplicados à situações específicas, mas sem o AutoCAD muita coisa ainda estaria atrasada.

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Smalltalk

Esse item talvez não faça sentido para você caso não tenha algumas noções de programação, mas ela foi fundamental para que os computadores chegassem onde chegaram. Isso porque a linguagem Smalltalk foi a responsável por desenvolver um dos conceitos mais revolucionários na criação de softwares e, por consequência, quase tudo que está rodando dentro de sua máquina agora: A programaçao orientada a objetos.

Programar algo com uma linguagem desse tipo é muito mais simples pelo seguinte motivo: antes, na linguagem procedural, se você quisesse desenhar um círculo na tela teria que criar uma função que faz apenas círculos, por exemplo. Se quisesse um triângulo teria de desenvolver outra função específica, e assim por diante.

Com a linguagem orientada a objetos você apenas precisa criar um objeto qualquer que pode ser chamado de “forma” e então dizer para ele que ele através de suas propriedades que ele é um círculo, um quadrado, um losango ou o que mais desejar.

Isso permite, além da facilidadade, velocidade de desenvolvimento e reaproveitamento de código que os desenvolvedores trabalhem com tudo aquilo que puderem imaginar, por mais abstrato que possa ser: som, imagem, vídeo, etc.

Para saber mais sobre as diferenças dos conceitos, clique no link aqui do lado.

Curiosidade: A maior plataforma de programadores do mundo, a Stack Overflow, revelou em sua pesquisa anual que a Smaltalk é a 2ª linguagem mais amada de acordo com seus mais de 51 mil usuários que responderam a pesquisa. 

E Sim, ela também saiu da Xerox Parc.

8 coisas que mudaram a história da computação

Internet

Tudo o que vimos aqui seria fundamental para uma boa máquina de cálculos, diversão e uso local, porém sem a Internet os computadores nunca teriam alcançado o máximo de seu potencial nem teriam mudado o mundo.

Sua origem remonta ao final dos anos 60 quando pesquisas bem orçamentadas em diversas universidades e centros de pesquisa militar dos Estados Unidos culminaram na Arpanet, o protótipo da Internet atual, que conectava não mais do que 4 universidades na costa Oeste do país. 8 coisas que mudaram a história da computação

Mas, como dito antes, a Internet que conhecemos hoje talvez não fosse a mesma se a Xerox não tivesse inventado um método fácil de conexão entre as máquinas através do Ethernet, popularmente conhecido como “cabinho azul de rede”.

Você consegue pensar como seria voltar àquele tempo em que tínhamos de ir ao banco para pagar contas? Ir até um local para frequentar uma aula? Ir até a biblioteca pública fazer uma pesquisa da escola? Sair por aí com disquetes para transferir arquivos? Se a internet não é a maior invenção de todos os tempos eu não sei o que pode ser.

World Wide Web

Talvez você não conheça Tim Barners-Lee, mas deve muito a esse cara. Foi ele que há quase 40 anos rascunhou um papel com o que seria a world wide web, ou WWW, em breve.

Foi em 1989 que ele começou a desenhar o que depois desenvolveria em seu NeXt – empresa de computadores criada por Steve Jobs após ser demitido da Apple – o primeiro servidor web e o primeiro navegador web. Ninguém poderia mensurar o tamanho disso naquela época, mas ele mudou nossa vida.

O conceito de WWW é complicado de ser explicado, pois nós não conseguimos imaginar uma Internet que não seja baseada nesse sistema já que a maioria das pessoas nem mesmo chegou a conhecer uma Internet antes dos anos 90. É a WWW que definiu que os recursos web (sites) serão formatados no sistema URL e que permite que existam os links entre uma página e outra, por exemplo.

Antes da ideia de Lee não existiam "páginas" de internet. O que havia era arquivos soltos que podiam aser acessados através do endereço. Você queria ter acesso a um documento, chegava até ele com seu endereço e pronto. Não existiam links ou conexões com nada. A grande sacada veio quando Tim trabalhava no CERN e precisava de um meio mais fácil de compartilhar informações entre os pesquisadores. Sua ideia foi unir conceitos de hipertexto (que já exitia desde os anos 60) à Internet.

Pronto, agora era possível que se criassem pontes entre os conteúdos online. E o melhor: Com a sua invenção ficou tudo pronto para que, em breve, viesse também o protocolo HTML e com ele as imagens, os vídeos, e tudo o mais que vemos nas páginas de hoje em dia. Para ver como a coisa era complicada naquela época clique aqui e volte no tempo acessando a primeira página já criada.

E só mais um ponto fundamental: a WWW é um conjunto de protocolos que rodam na Internet, tal qual o protocolo FTP e e-mail, mas elas não são sinônimos. Portanto, não vá dizer que você leu aqui que WWW e Internet são a mesma coisa, hein? 

Primeiro site já criado foi o do CERN, de autoria de Tim Barners-LeePrimeiro site já criado foi o do CERN, de autoria de Tim Barners-Lee

Acha que faltou algo? Deixe nos comentários a sua sugestão do que teria ajudado a moldar o computador como conhecemos hoje. 

Fontes: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7

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