O que muda nas regras de canais para crianças do YouTube?

O YouTube vai mudar as regras no que se refere aos vídeos com foco no público infantil. Após uma multa milionária paga a FTC, um órgão regulador dos EUA, o serviço irá remover alguns anúncios dos vídeos para crianças.

Por Youtube Pular para comentários

Se você tem um canal infantil do YouTube, deve estar pirando agora. Sim, o YouTube lançou uma nova atualização de suas políticas, e como elas lidarão com o conteúdo infantil a partir de janeiro de 2020. Mas o que realmente está acontecendo? Como isso afetará os vídeos infantis? Como isso afetará a receita dos criadores de conteúdo? Como isso afetará todo o YouTube? Se você tem um canal infantil ou tem filhos que acessam o YouTube, e deseja respostas, vamos esclarecer as coisas para você.

O YouTube vai mudar completamente a maneira como lida com o conteúdo para crianças. O YouTube foi recentemente multado em US$ 170 milhões pela FTC, o órgão regulador de comércio dos Estados Unidos, (Federal Trade Commission) por coletar dados sobre telespectadores menores de idade, e depois direcioná-los com anúncios, algo que a Lei de Proteção à Privacidade Infantil Online claramente não permite. Por sua vez, o YouTube lançou novas políticas, nova documentação e novos processos para lidar com o conteúdo infantil.

Porém, a nova direção que o YouTube está tomando ainda é desconhecida. Algumas das novas responsabilidades serão dos próprios criadores de vídeos, pois terão que rotular vídeos voltados para crianças menores de 13 anos.

O que diz a lei?

A reclamação da FTC é baseada em uma lei federal (dos Estados Unidos) de 1998, chamada Lei de Proteção à Privacidade Infantil Online, ou COPPA. Esta lei proíbe sites de coletar informações pessoais de crianças menores de 13 anos sem o consentimento dos pais.

As empresas de tecnologia, no entanto, há muito evitam isso dizendo que oficialmente excluem as crianças de seus serviços, mesmo que na prática isso não aconteça. Em 2018, um grupo de ativistas defensores da privacidade online solicitaram à FTC uma investigação, para verificar a conformidade do YouTube com esta lei.

MENSAGENS MISTAS

O YouTube informa há anos que seu serviço é destinado a pessoas com mais de 13 anos, e esta mensagem teoricamente o manteve dentro da lei. Mas como todos sabemos, na prática as crianças acabam acessando YouTube e todas as outras redes sociais. As crianças menores geralmente assistem a vídeos no YouTube, e muitos canais populares do YouTube apresentam desenhos animados ou músicas feitas para crianças. O YouTube reconheceu quarta-feira que "a probabilidade de crianças assistindo sem supervisão aumentou" desde a sua fundação, porque há mais dispositivos compartilhados e um "boom no conteúdo da família".

A reclamação da FTC detalha como o Google se vangloriava de seu público jovem quando conversava com grandes anunciantes. O Órgão regulador incluiu como evidência as apresentações visuais do Google feitas para as empresas de brinquedos Mattel e Hasbro, onde o YouTube é descrito como os "novos desenhos animados da manhã de sábado", e o "site número 1 visitado regularmente por crianças".

Alterações no serviço do YouTube

A partir do início de 2020, qualquer pessoa que enviar um vídeo para o YouTube terá que designar se esse vídeo é ou não direcionado a crianças.

Se um vídeo for identificado como focado para crianças, como um desenho animado ou a "retirada da caixa" de um novo brinquedo, o Google concordou em não publicar anúncios "comportamentais" - aqueles que atendem a espectadores específicos com base na idade e em outras características sociais.

O Google também não irá rastrear as identidades online dos espectadores. O Google diz que essas restrições serão aplicadas mesmo que o espectador seja adulto.

Mas o Google ainda mostrará anúncios genéricos, bem como anúncios "contextuais" - aqueles que atendem ao tipo de conteúdo, e não são personalizados. Normalmente, eles não geram tanto dinheiro quanto os anúncios específicos aos espectadores.

E o Google está deixando de procurar o consentimento dos pais em seu serviço principal, mesmo para vídeos voltados para crianças. A lei não exige isso, desde que não haja coleta de dados.

Alterações nos vídeos infantis do YouTube

O Google já obtém o consentimento dos pais de seu serviço focado para crianças, o YouTube Kids. Mas o serviço acabou ficando de lado, já que os vídeos de lá também estão na versão principal do YouTube. Pensando nisso, o serviço de streaming de vídeos do Google irá promover o YouTube Kids de forma mais agressiva. Na quarta-feira, as páginas voltadas para crianças no serviço principal do YouTube começaram a exibir pop-ups sugerindo o YouTube Kids.

youtubekids

O YouTube Kids já não oferece anúncios comportamentais direcionados a indivíduos, mas coleta algumas informações básicas dos espectadores para recomendar vídeos. Ele também coleta o endereço IP numérico do dispositivo. O YouTube informou que distribuirá US$ 100 milhões em três anos para incentivar mais vídeos para crianças.

E como ficam os criadores de conteúdo?

O Google diz que as alterações no serviço principal ocorrerão em quatro meses, para dar aos criadores de vídeos a chance de se ajustarem as novas regras. Ao adotar essa abordagem, o Google está atribuindo grande parte da responsabilidade aos próprios criadores de vídeo, embora a empresa diga que também usará inteligência artificial para sinalizar conteúdo direcionado a crianças, mas que não foi adequadamente identificado como tal.

Aqueles que consideram o acordo muito frágil estão preocupados com o que acontece quando os criadores de vídeos tentarem enganar o novo sistema.

A comissária da FTC Rebecca Kelly Slaughter disse que empresas de grande reputação, como Hasbro e Mattel, provavelmente cumprirão por não quererem infringir as regras federais dos Estados Unidos, mesmo que isso signifique menos crianças vendo suas promoções de brinquedos.

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Priscilla Kinast
Priscilla Kinast Estudante de Ciência e Tecnologia na UFRGS - Universidade Federal do RS, apaixonada por inovações tecnológicas, mistérios da ciência, bem como filmes e séries de ficção científica
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