O que é o audio 8D?

O áudio 8D decolou no YouTube nos últimos meses, aparentemente do nada.  Aqui vamos abordar o assunto para entender o que é de fato esta tecnologia, e o que ela tem a ver com o som holofônico criado nos anos 80.

Por | @oficinadanet Tecnologia Pular para comentários

Você já ouviu falar da "tecnologia avançada de áudio" chamada áudio 8D? Mas o que seria isso? Esses áudios são melhores ou mais avançados que os áudios 3D? Logicamente iremos pensar que sim, certo? Afinal, 3D = 3 dimensões, então 8D seria 8 dimensões, mas isso realmente existe, ou é pura estratégia de publicidade?

O que é o audio 8D?

O áudio 8D cobre as fontes de som acima e abaixo do ouvinte, proporcionando uma experiência imersiva. A tecnologia foi desenvolvida na década de 80 por grupos de rock psicodélico, como Pink Floyd, que lançaram discos com essa técnica, como o “The Final Cut” (1983).

Embora ninguém saiba ao certo onde ele vem o 'D' que acompanha 8, a letra é a abreviação para dimensão, e existem várias teorias: Alguns acreditam que é simplesmente um mecanismo de publicidade para tornar este áudio mais atraente, tecnologicamente falando. Outros defendem que de fato o áudio 8D é diferenciado. Seja como for, sabemos que isso é o resultado da mistura da tecnologia atual com as técnicas de som existentes desde o final dos anos 70 e início dos anos 80.

O áudio 8D é o mesmo que som holofônico?

Para explicar o som 8D, devemos primeiro falar sobre Zuccarelli, o criador do som holofônico e também do som 3D. Assim como uma imagem pode ser holográfica (em várias dimensões), o som também imita essa técnica. Zuccarelli percebeu e, depois de várias experiências com sua esposa, desenvolveu o Ringo, um modelo de uma cabeça humana que reproduz os processos acústicos que ocorrem entre a orelha e o cérebro ao ouvir um som.

RingoRingo

Há alguma controvérsia em torno da figura de Zuccarelli, uma vez que seus detratores o acusam de plagiar as técnicas usadas para gravar sons binaurais, onde também é necessário reproduzir o áudio dentro do modelo de uma cabeça humana. Para isso, é necessário ter dois microfones (um em cada orelha) e enviar a faixa de áudio por meio de cada fone de ouvido.

A holofonia saiu por acaso, quando este cientista argentino decidiu aplicar o conceito de holograma ao som. Neste efeito, quase hipnótico, são usadas cabeças fictícias, que tentam simular as condições auditivas de uma cabeça humana. 

Basicamente, o áudio 8D é o mesmo que o som 3D, criado nos os anos 80, também chamado de som holofônico. A única diferença é que, com a tecnologia atual, é possível usar a técnica para alcançar um som mais realista.

Tecnicamente, este som modifica alguns parâmetros clássicos dos sistemas de gravação. Em vez de usar dois microfones, um para o canal esquerdo e outro para o direito - como no caso de stereo, utiliza um modelo de uma cabeça artificial. O objetivo é fazer com que os microfones registrem o som que passam pelas orelhas e pelo crânio de uma pessoa, em um show. E o que muitos de fato sentem, é que estão em uma apresentação ao vivo, quando escutam este som.

Da esquerda para a direita, Roger Waters e David Gilmour (Pink Floyd) com Hugo ZuccarelliDa esquerda para a direita, Roger Waters e David Gilmour (Pink Floyd) com Hugo Zuccarelli

Mas porque 8D?

Para entender melhor o que é o áudio 8D, precisamos entender o ambiente em que vivemos. Nós vivemos em um mundo tridimensional, e isso significa que qualquer objeto em nosso ambiente pode ser referenciado através de 3 eixos no espaço. Eles são os eixos X = comprimento, Y = altura e Z = profundidade.

3D3D

Existem outras teorias que representam as 4 dimensões, nas quais essa quarta dimensão seria o tempo. Mas como podemos revelar as outras 4 dimensões para dizer o que é um áudio 8D? Dizemos que produzimos áudio 3D apenas porque podemos mover o áudio pelos 3 eixos no espaço. Mas como é possível mover o som através dos 3 eixos no espaço?

Para dizer que um objeto está em movimento, precisamos de uma referência. Por exemplo: Dizemos que um carro está se movendo em relação a um observador externo, mas não em relação ao motorista do carro.

O fato é que conseguimos produzir sons 3D em relação ao ouvinte. Este é o principal motivo para usar os fones de ouvido. Desta maneira, todo o movimento do som nos 3 eixos no espaço terá como referência o próprio ouvinte, que será ancorado aos fones de ouvido.

Áudio 8DÁudio 8D

De uma maneira mais simples, podemos dizer que todos nós temos a propriedade de ver em 3 dimensões, porque temos 2 olhos. E todos nós temos a propriedade de ouvir sons vindo de todas as direções, porque temos 2 ouvidos. Mas, principalmente porque temos dois ouvidos especialmente projetados para distorcer o som (através de ouvidos externos) antes de chegar aos nossos ouvidos internos.

Assim, nosso cérebro pode distinguir o posicionamento correto do som através da diferença de velocidade do som entre uma orelha e outra, e o tipo de distorção que o som sofreu.

Sabendo disso, hoje engenheiros e cientistas de todo o mundo estudam esse assunto para poder processar digitalmente essa distorção, que anteriormente era produzida apenas através de técnicas de microfone no modo binaural ou Ambisonics, e assim criar ferramentas para que mais produtores possam usar esta tecnologia. 

O nome correto do áudio 3D ouvido pelos fones de ouvido é o áudio binaural.

Então, porque se chama áudio 8D? O nome é uma estratégia de publicidade. Mas a técnica torna o som de fato diferente do stereo. O som 8D é o mesmo que som holofônico, e também ao áudio binaural.

Audio 8D atualmente

Pois bem, como as pessoas estão chamando áudio 8D, vamos seguir usando essa nomenclatura, embora agora você já saiba que é o mesmo que som binaural, holofônico ou 3D.

O som 8D se tornou moda ultimamente. Essa tecnologia foi introduzida inicialmente para aumentar o realismo da realidade virtual em videogames (VR) e, foi implementada também na música. A experiência é incrivelmente real. 

Além disso, como o áudio 3D, ele funciona agrupando uma série de efeitos sonoros que localizam o áudio original em uma configuração tridimensional, e os manipulam de tal forma que, quando reproduzidos, há um efeito de que o áudio vem de diferentes direções.

Os efeitos de áudio 8D acabou por permitir aos músicos oferecer uma experiência ao vivo tridimensional e imersiva. Será o futuro dos videogames? Ou apenas o sucesso das poucas músicas em 8D ​​que estão atualmente no YouTube irá liderar o caminho. 

Mais sobre: audio 8d, binaural, som holofônico

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