O Brasil encerrou oficialmente a transmissão do sinal analógico de televisão, sistema que esteve presente nos lares brasileiros por mais de 75 anos e finalmente chega ao fim. O marco fecha um ciclo iniciado em 1950, com a inauguração da TV Tupi, em São Paulo, quando a televisão passou a ocupar papel central na vida dos brasileiros. Agora o país se prepara para a era digital com a TV 3.0.

Transição longa para não deixar ninguém para trás

Segundo o Ministério das Comunicações, o cronograma que levou 20 anos para ser concluído levou em conta fatores técnicos, sociais, econômicos e regionais. O objetivo era garantir que nenhuma população ficasse sem acesso à TV aberta, ainda considerada o principal meio de comunicação do brasileiro.

De acordo com o secretário de Radiodifusão, Wilson Diniz Wellisch, o processo exigiu cautela justamente pela dimensão continental do país. A estratégia foi permitir que o sinal digital se consolidasse antes da retirada definitiva do analógico, assegurando cobertura e redundância.

Esse cuidado se refletiu, por exemplo, no Rio Grande do Sul. O estado teve o desligamento adiado por conta dos eventos climáticos extremos registrados em abril e maio de 2024. Ao todo, 74 municípios gaúchos receberam prazo adicional para adequação. Com o encerramento dessas transmissões nesta terça-feira, o Brasil conclui oficialmente a migração.

Fim do analógico abre caminho para a TV 3.0

Fim do analógico abre caminho para a TV 3.0
Fim do analógico abre caminho para a TV 3.0

Mais do que encerrar um ciclo, o desligamento do sinal analógico marca o início de uma nova fase da televisão aberta no país. Com a digitalização completa, o Brasil cria as condições para a implementação da chamada TV 3.0, considerada o maior salto tecnológico do setor desde a chegada do sinal digital.

A nova geração da TV aberta promete transformar a experiência do telespectador ao unir radiodifusão e internet em um ambiente integrado, interativo e baseado em aplicativos. A proposta vai além de imagem e som melhores: trata-se de uma mudança no próprio conceito de assistir televisão.

A expectativa é oferecer transmissões com qualidade próxima à do cinema, incluindo resolução 4K e 8K, HDR, cores mais vivas e áudio imersivo, além de recursos avançados de acessibilidade e personalização de conteúdo.

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