Review: Valorant, competitivo e interessante, mas um tanto sem rumo

O novo jogo FPS da Riot Games foge bastante do estilo de jogo de seus outros títulos. Ao mesmo tempo que Valorant inova e desafia, o jogo parece não saber quem é seu público alvo, entenda:

Valorant - Imagem: Divulgação Riot Games
Valorant - Imagem: Divulgação Riot Games

Valorant é o jogo FPS da Riot Games, lançado em beta fechado nesse ano de 2020. Desde de seu começo em maio, muitas keys para o beta de Valorant foram distribuídas e seguem sendo distribuídas através de lives em plataformas de streaming como a Twitch. O jogo conta já com 10 personagens distintos e se diferencia dos clássicos jogos shooter pela adição de habilidades mágicas únicas a cada personagem, assim como existe em League of Legends. Valorant, essencialmente, é um CS: GO com habilidades mágicas, mas ao mesmo tempo se difere de Overwatch por ser verdadeiramente um jogo de tiro.

Valorant foi anunciado oficialmente hoje para ser lançado no dia 2 de junho acompanhado também do primeiro novo agente, totalizando 11 personagens selecionáveis.

O jogo e sua proposta:

O jogo possui um formato 5x5, dois times de 5 pessoas cada lutam entre si com o objetivo de implantar uma bomba em uma das duas áreas definidas no mapa, ativá-la e protegê-la, ou impedir que essa bomba seja implantada e desarmá-la caso seja. Se a bomba explodir, o time atacante ganha. Se a bomba for desarmada, ou todos os inimigos morrerem sem armar a bomba, a vitória é do time defensor. Isso define uma rodada em uma partida de Valorant.

Cada vitória equivale a um ponto e a equipe que atingir 13 pontos primeiro ganha. Existe um sistema de moeda dentro do game que serve para comprar armas, acessórios e escudo no início de cada rodada. O dinheiro disponível é resultado da vitória ou derrota da rodada anterior, se você morreu ou permaneceu vivo e depende também da quantidade de participação que você teve, isso implica em abates e assistências. Tudo que se faz de relevante pelo time e em prol da vitória da rodada acaba por ser monetariamente benéfico na rodada seguinte.

Existem 10 personagens que podem ser escolhidos de maneira não repetida dentro de um time, ou seja, não se pode existir duas Sage em um time, mas pode existir uma Sage em cada time. As habilidades únicas de cada personagem são o grande diferencial de Valorant. Personagens podem fazer coisas diversas, desde cortinas de fumaça, teleportes, criar paredes ou grande explosões em área. Essas habilidade possuem um tempo de recarga considerável, o que permite que Valorant se mantenha um jogo essencialmente shooter, enquanto as habilidades ultimates requerem um ponto de energia que pode ser coletado no mapa após ser gasto.

Gameplay rápida e competitiva:

Algo impressionante no Valorant é o passo bem rápido que cada rodada se dá. O que chama bastante a atenção ao se jogar pela primeira vez é a facilidade de matar e morrer. Basta dois ou 3 tiros bem acertados para eliminar alguém, mas isso também vale para você. Uma vez eliminado, a não ser que uma Sage te ressuscite com sua habilidade ultimate, não há mais o que fazer. A gameplay é certamente divertida e a necessidade de 13 pontos para se ganhar a partida permite reviravoltas, mesmo que um time saia muito a frente e tenha vantagem de gold. Valorant valoriza mais a habilidade, estratégia e trabalho em equipe, o que abre uma grande curva competitiva.

O passo de cada rodada é bem rápido, e por isso, mesmo uma única pessoa bem habilidosa dentro de um time consegue fazer a diferença para ganhar a rodada. O balanceamento do jogo também não parece estar comprometido pela mecânica de habilidades + armas de fogo. De maneira geral, as habilidades de todos os personagens funcionam como algo que auxilia a gameplay clássica de um FPS, e não o contrário. Ou seja, por mais que exista explosões em grande área, teletransporte e cura, Valorant é um jogo shooter em primeira pessoa e não há discussão sobre isso. Contudo, as possibilidades que essas habilidades únicas de cada agente do game trazem são gigantescas e dão um novo desafio dentro do gênero.

Não me surpreenderia que em alguns meses já exista um cenário oficial competitivo para Valorant. Realmente é um jogo com incrível potencial, mas ao mesmo tempo isso traz algumas complicações.

Não amigável para iniciantes:

Valorant é um jogo que com certeza trará muita dor de cabeça para a Riot em termos de balanceamento de times. Não se trata de balanceamento problemático de armas, habilidades ou personagens, mas sim dos próprios players. Por se tratar da mesma empresa criadora de League of Legends, trazer um visual mais lúdico e habilidades mágicas no estilo de Overwatch, Valorant chama jogadores de múltiplos nichos. Jogadores de LoL, jogadores de CS: GO, jogadores que sabem e que não sabem efetivamente jogar um FPS. Com isso, jogadores que começam ao mesmo tempo Valorant já estão por si só em níveis de habilidades muito diferentes pelo simples fato de se tratar de um FPS.

Valorant trás uma proposta diferente para o gênero, mas não é nada amigável para quem nunca jogou jogos do gênero e tampouco permite uma curva de aprendizado. Como já dito, as habilidades dos personagens servem mais como auxílio à gameplay shooter e é quase impossível um jogador ser verdadeiramente relevante dentro de uma partida priorizando somente seu uso de habilidades. O que acontece nesse Beta é um grupo muito distinto de jogadores que vieram de outros jogos FPS massacrando quem decidiu que o Valorant será seu primeiro jogo FPS.

Valorant tampouco apresenta dificuldade de aprendizado em sua mecânica de jogo. É bem fácil entender as habilidades de cada personagem e não há muito complexidade em mesclar o uso delas com a gameplay shooter. Nesse sentido, a bagagem prévia de cada jogador conta muito para seu desempenho dentro do jogo. Algo que a Riot poderia fazer para ajudar esses jogadores novatos tanto no Valorant quanto em jogos FPS seria um melhor sistema de formação de times e, por exemplo, a implementação de questionários ao se entrar no Valorant pela primeira vez, ou até mesmo testes de performance que classificaria jogadores em novatos, experientes e profissionais, por exemplo. O sistema ranqueado, ao longo do tempo, fará exatamente isso e proporcionará um melhor balanceamento de times, contudo, isso vai demorar muitos meses para efetivamente acontecer, e até lá uma grande parte de jogadores novatos será desencorajada a jogar.

Servidor brasileiro já se mostra muito tóxico:

Os servidores brasileiros da vasta maioria de jogos são mundialmente famosos por estarem entre os mais tóxicos e menos amigáveis, inclusive e especialmente o de League of Legends. Valorant ainda em fase de beta fechado já demonstra sérios problemas comportamentais entre seus players.

Em conjunto com uma gameplay que separa jogadores novatos e experientes em FPS por um abismo, a comunidade faz o resto. Chovem nas redes sociais depoimentos diversos de jogadores que simplesmente desistiram de Valorant pelo constante e pesado rage que tomaram logo no primeiro jogo. Ofensas pesadas e até mesmo discurso de ódio está solto em Valorant.

A Riot Games já demonstra ter muita dificuldade em fiscalizar e efetivamente punir jogadores tóxicos em League of Legends, com múltiplos games diferentes é visível que o suporte brasileiro da Riot não está dando conta. Se no LoL a Riot já é conhecida por não punir ou deixar de punir discursos que chegam a ser criminosos como racistas, homofóbicos e sexistas, em Valorant a situação se mostra tão ruim quanto ou até mesmo pior. Até aí muitos jogos possuem comunidades tóxicas e seguem existindo sem medidas drásticas. Contudo, Valorant não é um jogo que dê para jogar sem comunicação. No LoL ainda existe opções de mutar até mesmo todos da partida, mas isso jamais funcionaria em Valorant, pelo menos não em um jogo sério e cujo o objetivo seja a vitória.

Assim, Valorant tem um sério problema e a Riot acaba por ter uma grande oportunidade de provar que não é leviana e cega às quebras das regras de suas comunidades.

Preços surreais:

Valorant é essencialmente free-to-play, assim como League of Legends, com compras dentro do game, essencialmente cosméticas e nada obrigatórias para se jogar. Mesmo assim, os preços em Valorant estão muito fora das faixas de preços que a Riot Games geralmente mantém no LoL, e mais recentemente no Teamfight Tactics e Legends of Runeterra. Um pacote simples de skins para armas chega facilmente a ultrapassar R$ 100,00. Esses preços, contudo, estão fadados a mudar uma vez que Valorant está em seu começo e a loja in-game se mostra muito cara e pouco atrativa. Não deve demorar para a Riot perceber que não venderá nada dessa maneira.

Conclusão:

Claro que o lançamento oficial de Valorant só se dará em duas semanas, e mesmo assim é um jogo que está muito no começo. Mas, como conclusão, Valorant é sim um jogo promissor e possui um formato, estilo visual, mecânica e competitividade muito atraentes.

Agora, também existem muitos defeitos que limitam cada vez mais o público que efetivamente jogará Valorant. A Riot terá que escolher melhor seu público alvo, será que é o nicho de jogadores de CS: GO? Jogadores de LoL também serão incluídos? Será um jogo com foco em competitivo profissional? Ou será que Valorant se tornará um Overwatch casual? De qualquer maneira, por mais que o jogo por si só seja interessante em proposta e divertido em gameplay, o fator multiplayer online implica numa necessidade de direcionamento que não existe até o momento em Valorant. Se o jogo tentar abranger muitos nichos e tipos de jogadores, o que é o que sua publicidade da a entender até o momento, nenhum deles sairá satisfeito.

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