Review Dragon Ball Z: Kakarot, simples, épico e fielmente nostálgico

Um game definitivamente épico, open world e com elementos de RPG. Contudo, faltou valorizar muito do que o jogo oferece e o foco é a mais simples e épica pancadaria.

Wallpaper de Dragon Ball Z : Kakarot - imagem: Divulgação
Wallpaper de Dragon Ball Z : Kakarot - imagem: Divulgação

O anime de Dragon Ball Z é uma referência universal de enrolação. Mesmo o maior fã da franquia concordaria que a história demora demasiadamente para avançar. O primeiro arco do anime possui trinta e nove episódios, totalizando mais de 14 horas somente para o Vegeta ser derrotado. Mesmo no Dragon Ball Z: Kai, notavelmente com um passo mais rápido, ainda são 26 episódios e mais de nove horas para a história chegar neste ponto.

Começamos esse review com essa comparação: Em Dragon Ball Z: Kakarot, o primeiro arco e todas suas sub-stories são cerca de 6 horas de gameplay. O jogo é absolutamente uma joia nostálgica para fãs do anime e realmente proporciona uma viagem detalhada pela história original da animação, porém, adaptado propriamente para um game que é acima de tudo de ação. Ou seja, Kakarot entende que seus jogadores apreciam a história, mas estão jogando pelas batalhas de proporções gigantescas e extremamente emocionantes.

O jogo traz elementos de RPG que implicam em um escalonamento de força e poderes, crescimento e senso de progresso. O game cobre os quatro principais arcos da história do anime, sendo eles os Saiyan, Frieza, Cell e Buu. Só que no game as batalhas não precisam durar 20 episódios, na realidade, é você que as luta e isso é simplesmente o melhor (e o principal) ponto do jogo.

A Gameplay Épica

Kamehameha de Goku in-game
Kamehameha de Goku in-game

Em termos de gameplay, as batalhas se assemelham muito ao Dragon Ball Xenoverse. De maneira geral, você inicia a luta com golpes simples corpo-a-corpo e habilidades de ki, para então utilizar técnicas mais poderosas quando chegam oportunidades. Não há complexidade, é um sistema bem simples na realidade, mas que mesmo assim mantém um ar épico a todas as batalhas. Em absolutamente todas as batalhas, a fórmula é bem simples: Chegue perto do oponente, use alguns combos, uma habilidade especial, as vezes algum item de cura.... De maneira geral, falta um desafio, mesmo que toda a ação, animações de habilidades e tudo mais realmente sejam emocionantes e podem até fazer você parecer um grande guerreiro, mas não há muita tensão. São batalhas fáceis, sem muita abertura para fora das sequências ditas acima.

Para aumentar um pouco a dificuldade, alguns chefes dão contra-ataques que quebram seus combos, ou possuem armaduras. Por vezes você tenta realizar combos corpo-a-corpo e recebe um contragolpe que te lança tão longe que são 10 segundos somente para você chegar novamente à luta.

Um bom sistema, mas desvalorizado

O mundo de Kakarot tem muito a oferecer, mas é ofuscado
O mundo de Kakarot tem muito a oferecer, mas é ofuscado

Mas, para além das lutas, o game é open world com muitos colecionáveis, side quests e algumas atividades como pescar. Contudo, nada disso é obrigatório e tampouco parece te ajudar efetivamente na história principal. Tanto faz explorar o mundo por horas e horas e realizar todas as histórias secundárias ou pular tudo isso e focar somente na história principal. Algumas histórias secundárias e quests expiram conforme você avança o cenário principal, mas após completar o game, é possível retornar a diversos períodos de tempo e então completar as quests secundárias perdidas. No final das contas, o game conta com elementos RPG e com um mundo open world, mas não explora muito bem esse lado. Pelo menos quem não se importa com essa gameplay e realmente só quer pancadaria pode pular tudo sem problema algum.

Nesse sentido, a liberdade do player é grande e é uma grande qualidade dentro de Kakarot. Todos os personagens principais recebem muita experiência ao longo do cenário principal, fazendo com que você não tenha a obrigação de treinar ninguém para avançar pela história. Várias tarefas da Escola de Treinamento são completadas sem que nem se perceba e você recebe uma ampla quantidade de itens de cura que te ajudam nas batalhas mais difíceis do game. Ou seja, mesmo que as batalhas sejam mecanicamente difíceis, com inimigos que tomam pouco dano e causam muito dano, você tem de mão beijada muitos itens e experiência em múltiplos personagens que facilitam as coisas para você nunca perder uma batalha (é plenamente possível completar o game sem perder uma única luta). Não há necessidade de gastar tempo farmando nada, buscando materiais, treinando, cozinhando e afins, mas você é livre para fazê-lo.

Faltam recompensas proporcionais ao esforço

Exmeplo da COmmunity Board, seus emblemas, níveis e composição
Exmeplo da COmmunity Board, seus emblemas, níveis e composição

Há alguns sistemas que mais atrapalham e irritam do que proporcionam algo positivo para a gameplay. Existe o Community Board que lhe concede uma série de buffs e efeitos mais estratégicos típicos de um RPG, contudo, coletar e aumentar o nível de emblemas para esses fins não parece compensar o esforço. Basicamente todo o ponto de se fazer quests secundárias é coletar e aprimorar esses emblemas para sua Board, então acaba perdendo o sentido sair da história principal já que não existe muito retorno.

Há, por exemplo, skills para se aprimorar, mas elas também parecem não ser tão importantes. O tutorial apresenta tudo de maneira bem superficial e é fácil esquecer que existem skills para aprimorar. Elas estão escondidas em algumas opções da interface e menus e você acaba lembrando delas ao coletar orbes Z ao longo do game. Kakarot oferece bastante coisa de fato, mas não dá o devido destaque a nada disso. Para aprimorar habilidades, você precisa treinar primeiro, então você deixa para depois o game inteiro. Há refeições que você pode preparar por bônus temporários ou até mesmo permanentes, mas a Chi-Chi pode fazê-las por você com benefícios ainda melhores (desde que você ache a receita). Por fim, coletar as Esferas do Dragão parece ser super legal e temático, mas não vale muito a pena pela recompensa vs ser esforço.

Boa Performance

O game pode parecer pesado, mas roda bem em hardwares modestos, enquanto consoles devem aproveitar a máxima qualidade que Kakarot tem a oferecer. Algumas cutscenes podem travar se você não ativar o V-sync e quedas de fps podem e devem acontecer, principalmente voando por aí enquanto o mundo carrega, mas de maneira geral o game roda muito bem e sem dificuldades em uma Geforce GTX 980 TI, 8GB de RAM e um Intel Core i5.

Conclusão

O game certamente possui suas falhas, alguma monotonia e alguns mais do mesmo, mas sua maior qualidade é o incrível sentimento imersivo e épico durante as batalhas icônicas do anime, só que desta vez protagonizadas por você.

O game se vale muito de nostalgia, da história e dos fãs do anime, tanto que certamente seria sem graça jogar Kakarot sem ser um fã de Dragon Ball. Mas para esses fãs, o game é memorável e entrega o que promete no final das contas. O potencial de todo o universo e recursos disponíveis é muito grande, mas pouco aproveitado. Por um lado, players tem liberdade de fazer tudo ou fazer quase nada, por outro, o esforço de jogar o game por completo parece não valer a pena. Mas todos os players terão a principal experiência de batalhas em níveis planetares, que mesmo sendo relativamente fáceis, são definitivamente prazerosas.

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