Técnicas de Vendas - Parte 5 - Aceitando um trabalho feito por terceiros

Nesta quinta parte, e a última sobre as situações as quais podemos nos deparar no decorrer de nossa vida profissional, vamos falar um pouco sobre o que fazer ao se aceitar a manutenção ou atualização de um sistema desenvolvido por outra pessoa.

Por | @andrebuzzoweb Empreendedorismo

Fala pessoas! Nesta quinta parte, e a última sobre as “situações” as quais podemos nos deparar no decorrer de nossa vida profissional, vamos falar um pouco sobre o que fazer ao se aceitar a manutenção ou atualização de um sistema desenvolvido por outra pessoa. Um de nossos amigos, o Jacson Leite, disse nos comentários da parte 4 que gostaria de ler sobre “pegar serviços feitos pelos outros”, e sendo assim, vamos lá! 

Já quero avisar, de antemão, que quem espera que eu “desça a lenha” nos nossos queridos e amados SOBRINHOS terá uma grande decepção! Não vou entrar nesse detalhe, pois como disse o David CHC em um dos artigos deles, “todos nós já fomos sobrinhos, pois precisamos começar de alguma maneira...”. Portanto, vou falar mesmo da minha experiência sobre as coisas que aprendi e que ainda me surpreendem quando resolvo assumir a atualização de algum site ou sistema desenvolvido por outras pessoas.

Um exemplo clássico!

Cliente – André, eu quero realizar a troca de servidor do meu site. O cara que hospeda tá cobrando caro, e quando eu peço uma atualização, o cara demora muito! Você faz esse serviço?

André Buzzo – Claro que eu faço!

C – E quanto você vai me cobrar para fazer esse serviço?

Aí que mora o perigo! De verdade!

Vamos pensar um pouco em coisas que não pensamos, e depois, voltamos no nosso super hiper mega blaster teatro! 

É só trocar o servidor? Pedir o usuário e senha do FTP, fazer o download do site e colocá-lo na nova hospedagem? Alguém já parou para pensar nas etapas que um serviço desses nos impõe? Com certeza eu vou esquecer alguma etapa, mas vamos à nossa feira livre:

01 - O NABO - Preciso do usuário e senha do Registro.br para fazer as alterações de DNS (Em quase 100% dos casos, o cliente nunca tem esses dados, pois ele não entende nada de INTERNET e quem o fez foi o webdesigner ou a própria hospedagem!)

02 - O ABACAXI - Contratar a nova hospedagem, realizar o pagamento (ou enviar o boleto do valor para o cliente! Recomendo a segunda opção: Criar uma conta para o cliente e deixar todos os recebimentos de vencimentos por conta do mesmo! ), e assim que eu tiver os números do DNS, informar ao Registro.br

03 - O PEPINO - Se conseguirmos botar no nosso carrinho de feira esses dois produtos, precisamos agora, do usuário e senha do FTP, que normalmente o cliente também não tem!  E nessa podemos nos indispor com o atual realizador do projeto, pois o cara vai perder o trabalho, e pode achar que foi você quem “roubou” um cliente dele! Aconselho, novamente, à pedir para o cliente pedir essas informações ao seu atual prestador de serviços e apenas passar as informações que necessitamos!

04 - A ABOBRINHA - A parte mais estranha do trabalho. Precisamos entender qual a lógica (e se a mesma existe!) aplicada para o desenvolvimento do site que precisamos inserir na nova hospedagem! Teremos que entender como pensou, como codificou e como esse terceiro disponibilizou a informação do site.

Foi usado banco de dados? Se sim, para que? Qual a linguagem utilizada? Quais tabelas foram criadas e quais dados estão nelas? Foi usada alguma coisa que é criptografada no site? Dá para recuperar os dados?

Precisaremos procurar normalmente em sites feitos em tabelas, ou em FRAMES (que Deus do Céu, só um louco para criar sites em frames nos dias de hoje!), onde está cada coisa da página caso necessitemos mudar alguma coisa. E pior ainda, se o cliente pede para mudar algo no layout existente no ar!

Precisamos verificar como funciona o formulário de contato utilizado no site. Nesse caso que eu estou citando, o cara AINDA USA CGI para fazer o envio dos contatos realizados através do site! E para qual caixa de e-mails está sendo enviada? Eu vou ter que recriar os formulários de contato, pois eu trabalho com script em PHP para receber as mensagens, e não CGI para recebê-los!

05 – O QUIABO – Depois de praticamente ficar babando de desgosto com o serviço que um terceiro colocou no ar precisamos ainda, voltando ao tópico ABOBRINHA, verificar outras coisas que estão atreladas com o assunto: quais caixas de e-mails existem no site atual? Senha? Vou precisar fazer um backup desses e-mails? Quem tem acesso a isso vai saber alterar senhas? O cliente quer que eu veja as mensagens? Não?  Sim?

MAS NÃO ERA APENAS UMA TROCA DE SERVIDOR?

Então, isso são coisas para se pensar para um caso apenas de troca de servidores! E se não for para se fazer esse tipo de trabalho?

Eu penso da seguinte maneira: Se você se preza a fazer um site seguindo padrões, ou mesmo com algumas coisas que não são reconhecidas pelos navegadores, mas que onde há uma preocupação de se criar um código limpo, você não perderá o cliente, pois eu vejo uma grande relação entre desenvolvimento e manutenção de clientes. Não vou falar de sites, vou falar de relacionamento!

Se você se preocupa em criar as coisas da maneira correta, vai se preocupar em tratar o cliente da maneira correta. Se você está a 10 anos no mercado e ainda cria sites usando frames, sinto-lhe dizer, mas está parado no tempo! Você vai perder cliente!

Se você não se preocupa com seu próprio desenvolvimento, vai se preocupar com os anseios do cliente? Duvido...

AB – Olha, o custo do meu serviço para fazer isso é de R$ N reais, pois eu vou ter  que entender a lógica usada, e vendo o código do seu site, pude analisar que o site foi criado em uma linguagem em total desuso nos dias de hoje, os formulários de contato estão totalmente desatualizados, e vou ter que criar esses formulários novamente. Vou ter que configurar banco de dados, caixas de e-mails, e criar arquivos de conexão para o site.

Vamos iniciar o trabalho?

C – Não. Obrigado...

Sinceramente? Prefiro mesmo não pegar. Vai ser dor de cabeça, e não vou cobrar barato para apenas pegar o serviço. Não compensa. 

Vamos fazer outro site que vai sair mais em conta. E aí colocamos todos os nossos conhecimentos em vendas adquiridos até aqui para propor uma coisa legal, atual e acima de tudo, organizada. Você pode aplicar todo seu conhecimento, e criar uma coisa bonita e funcional. Você se preza a se manter atualizado, e  assim, não dá espaço para que nenhum ANDRÉ BUZZO da vida tenha a oportunidade de ser chamado para dar manutenção ou atualização no seu trabalho!

Portanto, fica a minha dica!

Antes de pegar um serviço de terceiros, veja se compensa. Vamos ter que mudar muita coisa, numa coisa totalmente desorganizada? Vou demorar mais procurando onde dentro da TABLE está o TR  com a TD  para localizar determinada informação, que modéstia a parte, eu consigo achar em dois segundos em um código limpo e organizado? Tudo bem! Mas vai sair mais caro!

Analise. Discuta. Exponha. Abraços!

Mais sobre: vendas, sites
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