For Honor - Análise do Jogo

Confira um review de For Honor, um jogo de luta e estratégia que cria um embate entre Cavaleiros, Samurais e Vikings.

Por | @oficinadanet Games

A análise de hoje será uma análise completa de For Honor, um jogo de ação em terceira pessoa com temática medieval desenvolvido pela Ubisoft Montreal para as plataformas PlayStation 4, Xbox One e PC.

  • For Honor é um videojogo de combate tático medieval produzido pela Ubisoft Montreal publicado pela Ubisoft para Microsoft Windows, PlayStation 4 e Xbo...

    Estúdio Ubisoft
    Gênero Combate tático
    Classificação 17
    Desenvolvedora Ubisoft Montreal
    Jogadores Multiplayer Multiplayer online
    Plataforma PC, Playstation 4 e Xbox One
    Série Standalone

História

A história do jogo se passa séculos após um cataclisma natural ter iniciado uma guerra entre os cavaleiros, vikings e samurais, em um momento onde essa guerra está esfriando e as facções estão tendendo à acordos de paz. Em For Honor a campanha está dividida em três capítulos e eles narram a jornada da antagonista principal, Apollyon e sua tentativa de iniciar uma nova era de conflitos entre as três facções.

Não vamos nos aprofundar muito na análise da história porque está claro que For Honor é um título voltado para o combate multiplayer. A campanha tem o único papel de localizar o jogador no universo temático do título e principalmente servir de tutorial para novos jogadores, introduzindo a inovadora forma de combate que o título apresenta.

For Honor - Análise do Jogo

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Assim, a campanha single player - que também permite ser jogada em co-op com um amigo - é só um grande tutorial e isso resultou em uma história genérica e sem graça, com personagens igualmente genéricos e sem carisma, que pode acabar sendo maçante para muitas pessoas. Mas gostando disso ou não, é um primeiro contato com o mundo de For Honor e apesar da campanha ser curta demais pra explicar todos as nuances do combate, ela faz bem seu papel de introduzir o jogador no mundo e prepará-lo para iniciar o modo multiplayer.

Jogabilidade

Entrando no contexto da jogabilidade, é aqui que For Honor mostra para o que veio. Antes de mais nada precisamos ter em mente que For Honor é um jogo de luta. Não é um RPG de ação nem um hack and slash. Tudo no jogo é focado em criar uma experiência de combate corpo a corpo competitiva e balanceada.  

O jogo apresenta quatro personagens diferentes para cada facção totalizando assim 12 personagens jogáveis. Eles podem ser usados em quatro modos de jogo diferentes: Duel, Brawl, Dominion e Elimination, cada um com suas regras e particularidades. Agora que temos uma noção básica da estrutura do multiplayer que For Honor propõe, podemos fazer uma análise mais aprofundada.

Toda a experiência do combate deriva do sistema de batalha implementado chamado “The Art of Battle”. Esse sistema complexo de luta faz com que o jogador tenha que administrar diversas variáveis como peso do personagem e de seus equipamentos, velocidade do ataque, direção do ataque, distância do inimigo, alcance do ataque e outros. Mas a cereja do bolo está na forma como a interação de ataque e bloqueio foi implementada: com esse sistema, o jogador pode assumir três posturas de ataque e defesa diferentes. Sempre que atacar estará usando uma dessas posturas e para se defender, deve copiar a postura do adversário.

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Há quem diga que isso transforma os combates de For Honor em um jokenpô medieval, mas isso não é bem verdade. Você precisa analisar cuidadosamente o estilo de luta do seu oponente para conseguir reagir em um curtíssimo espaço. Em níveis mais altos, fica claro que essa mecânica depende muito mais de treino e atenção do que mera sorte.

Devido à complexidade das batalhas, o jogador precisa conhecer os personagens e suas características, combos e habilidades. Isso implica em uma curva de aprendizado íngreme que torna For Honor um jogo difícil de aprender e principalmente, de dominar. Felizmente, a Ubisoft facilitou o início desse aprendizado ao fornecer alguns vídeos explicativos, inseridos dentro do próprio jogo, que elucidam algumas mecânicas básicas de cada personagem.

Mas, se ao mesmo tempo esse “The Art of Battle” traz um sistema de batalha com diversas camadas de profundidade e decreta a morte do button smash, algumas escolhas de game design parecem ir na direção contrária. Problemas de balanceamento entre os personagens já eram esperados, mas a adição de um sistema de itens com aprimoramentos para status força o desbalanceamento do combate. Os jogadores param de competir em termos de habilidade e passam a competir em termos de itens e de quem tem a melhor build para o mash up. E para piorar, é possível acelerar o processo de obtenção e aprimoramento de itens ao investir dinheiro no jogo, o que só agrava o desbalanceamento.

Além disso, em um jogo que tem intenção de ser competitivo, a escolha da arquitetura de rede não foi positiva, sendo inclusive uma das maiores reclamações dos jogadores. A utilização do modelo Peer-to-Peer tem resultado em descontentamento geral pois cria instabilidade nas partidas, uma dessincronização considerável entre os jogadores, além de possíveis problemas de segurança, o que impede o ótimo funcionamento do sistema de combates. Em um jogo onde cada frame é importantíssimo e pode ser a diferença entre a vitória e a derrota, é curioso que a Ubisoft tenha optado por economizar não utilizando servidores e assim atrapalhando muito a aceitação do próprio jogo deles.

Inclusive, esse é um dos motivos pelos quais For Honor perdeu uma parcela extremamente significativa da sua player base. Passou de mais de 45 mil players por dia logo após seu lançamento para meros 5 mil players por dia quase dois meses depois. Uma queda expressiva em um período de tempo muito curto.

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Gráficos

Já quando o assunto é a parte visual, For Honor ganha vários pontos em seu favor. A execução gráfica é sim bonita e sem exageros mas é a ambientação e a fidelidade visual que queremos destacar.

Os cenários da campanha foram cuidadosamente criados com base em referências históricas. Assim, a identidade visual de cada facção é muito próxima da realidade, o que cria uma ambientação excelente e instaura o clima do jogo. Não só os cenários foram feitos com carinho, mas também os heróis. As roupas são muito ricas em detalhes, o que ajuda a dar vida ao universo e aos personagens.

Assim, em termos de design do jogo, a coerência é mantida. Tanto o combate como os ambientes e os heróis se aproximam o máximo possível, dentro de certas limitações, da realidade. Essa convergência de fatores torna o jogo mais tangível para o jogador e a experiência se torna mais imersiva.

Problemas comuns como texturas de baixa resolução ou texture popping em For Honor não são tão frequentes. A parte gráfica do jogo foi realmente bem polida. O posicionamento e comportamento da câmera também foi muito bem pensado para não impactar negativamente as batalhas em lugares menos espaçados. Assim, o jogador não sente claustrofobia nem é atrapalhado pela câmera.

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Sonoplastia

Com relação aos efeitos sonoros, podemos dizer que o jogo traz sons realistas e condizentes com o esperado, mas confessamos que ficamos desapontados com a falta na variedade desses áudios. Parece, por exemplo, que só existem 1 ou 2 sons diferentes para espadas perfurando couro, apenas 1 som de escudos sendo quebrados, 2 ou 3 sons diferentes para o choque entre espadas etc.

Ou seja, por mais que os sons pareçam autênticos, logo você percebe que eles estão se repetindo. Por um lado, isso é um pouco decepcionante, pois esse elemento do áudio começa a se tornar repetitivo, mas por outro, podemos pensar que, a utilização de uma quantidade maior e mais diversificada de efeitos poderia resultar em um processo muito mais trabalhoso de produção musical e possivelmente não ser nem relevante ao usuário final comum.

É possível perceber, pelo menos, alguns cuidados com o áudio do jogo que contribuem com tom de realismo no áudio do jogo. É possível ouvir o barulho pesado e arrastado das armaduras dos cavaleiros balançando ao andar. Já em personagens mais leves, o barulho do tecido também pode ser ouvido. É um detalhe extra que casa bem com o tom proposto pela equipe de desenvolvimento.

Falando mais sobre a música de fundo, ela raramente é presente, impactando muito pouco no gameplay. Ela é percebida a maior parte das vezes apenas durante cutscenes ou batalhas contra oponentes importantes, mas é possível notar que as trilhas sonoras buscam inspiração dentro da cultura que elas representam. As trilhas dos Cavaleiros apresentam uma inspiração medieval, as trilhas dos Vikings mostram forte inspiração na música escandinava, enquanto que as trilhas dos Samurais são baseadas na música japonesa, com a presença marcante do Taikö.

Infelizmente, as trilhas sonoras não são tão impactantes durante o gameplay, mas certamente aumentam a imersão nos momentos em que são executadas. Só achamos que elas podiam ter sido melhor utilizadas durante o jogo.

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A dublagem do jogo não é a melhor do mundo. Cada personagem diferente possui sua voz característica, mas não há nenhuma atuação que realmente tenha se destacado. Além disso, poucos efeitos são aplicados às vozes dos personagens, é difícil notar alguma diferença nas vozes quando entoadas em ambientes distintos. É possível ao menos notar a existência de um filtro aplicado nas vozes quando o personagem que fala está de capacete. Era o mínimo.

O jogo oferece a opção de dublagem em português. Ela apresenta qualidade similar á dublagem em inglês, então se você tem dificuldade com a língua, jogar em Português não oferecerá nenhum prejuízo à sua experiência.

Além das dublagens presentes nas frases principais, pronunciadas na linguagem que o jogador optou para o jogo, vale ressaltar que é possível ouvir, durante as batalhas, frases ditas pelos inimigos das facções opostas na linguagem original referente à facção. Cavaleiros entoam brados em latim, Vikings gritam em Islandês [é isso mesmo, Islandês, da Islândia], e os Samurais pronunciam frases em Japonês. Essas falas no meio da batalha são incrivelmente imersivas, muito bem interpretadas e agregam muito ao gameplay.

Conclusão

Concluindo, For Honor é um jogo muito interessante, mas infelizmente não conseguimos recomendá-lo pelo preço atual, que é de 160 reais. Primeiramente, sugerimos que você espere alguns meses até que a Ubisoft tente consertar os erros. Os problemas de Matchmaking e de conexão, aliados aos desbalanceamentos tanto de classes quanto dos itens pode acabar frustrando e muito a sua experiência online, restando apenas a campanha para ser jogada. O problema é, como a campanha tem uma duração média de 6 horas, o valor do jogo se torna exorbitante perto da verdadeira diversão que você encontrará com o modo história.

Se no futuro a Ubisoft resolver os problemas do jogo, consertar e incrementar os modos online e der uma abaixada no preço, aí sim recomendaremos o jogo para vocês, mas até o momento, é melhor dar um tempo ao For Honor. Quem, ainda assim, se sentir muito tentado a arriscar, vale lembrar que, apesar de profundo e desafiador, o estilo de jogo ainda tem a possibilidade de se tornar repetitivo. Esse é um ponto que nem todos sentem da mesma forma, então de repente vale a pena assistir alguns vídeos de gameplay antes de comprar de uma vez o título.

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