Empresas que não conseguem se inovar

Inovar gera possibilidades diversas de se manter ativo no mercado, mas nem sempre será efetivo na primeira estratégia e com a mesma equipe.

Comentários Flávio Santos Sodré   -

Anos 2000, despertar de uma geração para o uso da internet, discada em geral, e de grandes portais de internet com conteúdos atrativos ao público que ainda estavam vislumbrando o mundo virtual. Muitos projetos e estruturas criados naquele tempo fizeram sucesso e hoje, os que sobreviveram, parece que não fazem muita diferença em sua forma e conteúdo para os tempos atuais... pararam no tempo, como muitas construções antigas, algumas belas e imponentes, porém abandonadas, deteriorando-se.

Alguns empreendimentos existentes e que aparentam não ter relevância para os públicos estimados: Limao.com.br, Bol.com.br, Achei.com.br, Aonde.com. Por ordem de relevância, os dois primeiros possuem ainda infraestrutura operacional na qual podem ser reestruturados com profissionais atuais e de áreas diversas, jornalistas independentes, arte e design contemporâneo, possibilitando criar novos produtos e serviços, agregadores de valores. Os dois últimos, já tiveram sua relevância, mas permaneceram sem qualquer característica inovadora.  Com a revolução dos “nerds”, surgimento de superblogs de conteúdos interessantíssimos, empresas/consultorias de inovação e estratégias, jornalismo independente, o que faltou para que tais empresas ou serviços se reinventassem?

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Canais de televisão abertas, com equipes de grandes visionários, se perderem em estratégias de atrair novos públicos, desde o telejornalismo aos programas de auditório, programações sem vida e sem cor, principalmente aos finais de semana. Não perceberam que os telespectadores estão cansados do mesmo e estão dispostos a ter conteúdos de qualidade, como nas programações de telejornalismo, novelas e séries contidos nos planos de TV por assinatura. As equipes operacionais de canais abertos de televisão demonstram ao público que fazem o mesmo “bolo” de anos anteriores e perdem destaque perante a concorrência, pela tardia inovação ou por algum erro de estratégia. O aumento de audiência de alguns canais do Youtube, blogs ou outras mídias disponíveis apenas na internet referenciam a inovação pelo conteúdo que estes canais ou blogs produzem, em geral baseado na opinião de seus espectadores, reproduzidos da forma mais fiel possível, fidelização.

Sobre as grandes empresas, temos o Google, possuidor de serviços excelentes como o blogger, mas que não reformularam a plataforma com o objetivo de atrair novos usuários, com acesso pago, tal como funciona na plataforma opensource Wordpress, permitindo uma diversidade de opções ao se criar um blog com qualidade profissional. E o que dizer da aquisição da Motorola Mobility, Meebo, Picasa? E outros sistemas próprios que as pessoas nem lembram, como Gtalk/Hangout? Qual é a estratégia inovadora para que os usuários usem esses serviços continuamente? Alguns gigantes da internet perdem o foco com produtos e equipes promissoras, afinal, devem se espelhar em formulas de gurus ou pessoas superdotados como os integrantes de equipes, esquecendo-se de olhar para o “chão de fábrica”, percepção que Henry Ford não havia se esquecido em sua época, nem mesmo Lee Iacocca, Akio Morita. 

Empresas estão se perdendo no caminho da inovação, e alguns dos modelos citados parecem que apenas copiam aquilo que funciona em algum lugar do planeta e colocam rótulos como NOVO ou INÉDITO, outros desacreditam das probabilidades de êxito e não avançam com novos produtos inovadores e novas frentes de captação de clientes. Não é suficiente uma equipe de superdotados, formada por diretores, gerentes e coordenadores que, muitas das vezes, são míopes e sem estratégias, felizes com seus salários e estabilidade, mas no dia a dia vivem perturbando a todos quanto a corte de custos, utilizando-se de jargões “mais com menos”, frases motivacionais que nem serventia tem para si mesmos, orgulham-se de ter os melhores cabeças na equipe mas não consegue inovar a si mesmos, nem permitir o crescimento dos demais, exceto sob ameaça de demissão. Por razões que precisam de análise e introspecção, existem erros nas empresas que possuem infraestrutura, mas não conseguem se inovarem.

 
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