Jogos violentos podem fazer jovens cometer crimes?

O caso mais recente de assassinato, que chocou o Brasil, no dia 13 de março, retoma a questão que não quer calar: Jogos de violência influenciam jovens a cometer crimes?

Por Segurança digital 3 comentários
Jogos violentos podem fazer jovens cometer crimes?

Videogames, computadores, filmes, séries e livros. É muito difícil que um jovem com idade de 10 a 30 anos não faça uso de nenhum destes exemplos. Normalmente usamos como passatempo pelo menos dois destes.

Na última semana, mais uma vez, tivemos mais um fato lamentável e terrível. Um homem e um adolescente planejaram e executaram o assassinato de alunos e funcionários da escola pública Raul Brasil, na Grande São Paulo. Os dois mataram o tio do adolescente, que era proprietário de um lava-jato que ficava próximo a escola onde mataram cinco estudantes e duas funcionárias, isso porque, a princípio o tio teria descoberto o plano dois dois executores, o qual estaria sendo planejado há cerca de um ano e meio. Os dois assassinos portavam diversas armas, entre elas, um revólver, uma besta, arco e flecha, garrafas de coquetel molotov - arma química incendiária - e machadinha.

Segundo relatos de vizinhos da escola e também dos sobreviventes, foram em média 30 tiros disparados. Assim que a polícia chegou ao local, um dos atiradores atirou na cabeça do comparsa e se suicidou.

O vice-presidente da República, General Hamilton Mourão, ao lamentar o massacre ocorrido na manhã da quarta-feira, 13 de março de 2019, na escola estadual Professor Raul Brasil, disse que o fato teria a ver com jogos violentos de videogame. 

Mourão ressaltou "Temos que entender o porquê de isso estar acontecendo. Essas coisas não aconteciam no Brasil. Vemos essa garotada viciada em videogames violentos...Tenho netos e os vejo muitas vezes mergulhados nisso aí", completou " Quando eu era criança, jogava bola, soltava pipa. A gente não vê mais essas coisas. Lamento profundamente tudo o que ocorreu. Estou muito triste com essa situação".

É, não é de hoje que temos em pauta comportamentos violentos e fortes ligações com videogames ou filmes que expressam extrema violência. O Brasil já baniu diversos jogos por conter cenas que podem levar jovens e crianças a perder o medo de coisas que devemos temer.

Veja alguns destes exemplos:

  • Carmageddon;
  • Doom;
  • Duke Nukem 3D;
  • Mortal Kombat;
  • Counter Strike.

Também temos jogos muito famosos e que foram banidos em outros países como: Manhunt, Manhunt 2, Grand Theft Auto (GTA), Wolfenstein 3D e Quake III. Podemos ficar horas mostrando e falando das diversas cenas de horror e violência contida em jogos para videogames e também em computadores. Embora eles realmente retratem um universo paralelo e sem limites no mundo dos games, a identidade e atos de cada ser humano não se moldam a partir de cenas violentas avistadas em jogos ou filmes.

Quantos anos você tem? Você que visita o site Oficina da Net já deve ter tido contato com algum jogo ou talvez você seja um viciado em jogos de tiro, não é mesmo? Você assiste algum seriado policial? Lê livros como "Game of Thrones"? Nós jogamos e lemos, mas nem por isso estamos condicionados a cometer algum crime que envolva violência.

A idade que os adolescentes adentram no mundo dos games e filmes deste escalão está reduzida, podemos notar crianças com conhecimento aprofundado sobre determinados assuntos violentos. De onde vem este conhecimento? Acesso à internet, conversas com amiguinhos e porque não, a liberdade dos pais.

Palavra do especialista

Neste caso, qual seria o agente motivador para tal atitude, já que os dois ex-estudantes da escola paulista chegaram atirando e atingindo vítimas de maneira aleatória?

Na opinião de Ruy Ferraz Fontes, delegado-geral encarregado sobre o caso "Eles queriam demonstrar que podiam agir como no massacre de 1999 em Columbine, com crueldade".

Já o professor de História da Unicamp e estudioso de casos recentes de extremismo islâmico na França, Gabriel Zacarias, disse à BBC News que "Existe, de fato, um roteiro seguido em ataques desse tipo. A escola muitas vezes é identificada como um lugar de opressão e ressentimento, e atiradores costumam ter alguma relação traumática não elaborada com aquele lugar. Existe, muitas vezes, uma dificuldade (dos perpetradores) de se inserir no normalmente aceitável."

Zacarias cita ainda que "O momento em que os atiradores se armam é uma espécie de fantasia, quando acreditam que vão ter uma sensação de potência. Antes de realizar os ataques, eles, então, posam como guerreiros (em fotos nas redes sociais), como se estivessem assumindo uma identidade heróica, embora não haja nada mais covarde do que atos desse tipo".

O suicídio, neste caso, seria visto pelos atiradores como "glória e reconhecimento" que não teriam em vida. "Eles tentam criar uma autoimagem 'gloriosa'", explica Zacarias, pois sabem que seus atos receberão grande atenção da mídia e da sociedade.

Para o professor e pesquisador, "ataques desse tipo já ocorriam muito antes de as redes sociais existirem, mas com as redes isso fica muito mais palpável: ele (atirador) produz a própria imagem e sabe como ela vai ser divulgada".

 

Outros casos de suposta ligação entre crimes e videogames

A internet está repleta de exemplos negativos de que jogos de videogame e computador podem afetar ou afetaram crimes reais. Entretanto, assim como neste caso, a ligação entre jogos e vida real é apenas uma hipótese.

Em 2014, um menino de 13 anos, filho de pais policiais, assassinou com um tiro na cabeça os dois, além de sua tia-avó e sua avó. O garoto foi à escola de manhã e voltou para casa normalmente. Após quase 12 horas, atirou contra a própria cabeça. Em seu perfil no Facebook, o menino utilizava como foto do avatar uma imagem de um jogo, Assassin’s Creed. A foto foi adicionada no início do mês de julho.

Em 2003, por exemplo, um jovem foi preso por ter roubado um carro. Como não havia cometido nenhum crime semelhante, é muito provável que ele seria liberado. Porém num momento de "genialidade" a la Jackie Chan, ele sacou a arma de um dos policiais, atirou neles e tentou fugir em uma viatura. Sem sucesso, foi novamente preso, agora como um verdadeiro criminoso. Segundo depoimentos o rapaz não demonstrou nenhum arrependimento. Ps: dizem que ele curtia jogar GTA 3.

No mesmo ano, jovens irmãos "encontraram" fuzis em casa e atiraram nas pessoas que andavam pela rua. Mataram um homem e feriram uma mulher. O jogo que eles mais gostavam? GTA 3. A idade deles? 14 e 16 anos. Igualmente ligado a videogames, mas numa proporção doentia, um homem chamado Alayiah Turman matou sua filha de 17 meses de vida a pancadas. O motivo: a menina desconectou os cabos do Xbox do pai. Está cumprindo um mínimo de 47 anos de prisão por isso.

Em outro caso bizarro, dois players de Lineage II - típico jogo de MMORPG - brigaram pela internet por causa da morte de um de seus personagens. Não satisfeitos com a briga virtual, decidiram se acertar pessoalmente. Somente um deles saiu vivo. Há também casos em que as vítimas são os filhos. Como fez Alexandra Tobias que era viciada em FARMVILLE, aquele joguinho do Facebook. O pobre Dylan, de apenas três anos, chorava pela atenção de sua mãe que ficou irritada com o choro e apertou e chacoalhou a criança com tanta força que ela veio a óbito.

É certo que assuntos - que relacionam crimes com jogos de violência ou não - voltarão a tona se outro caso como este ocorrer. Observar o comportamento de seu filho é importante, no entanto, privá-lo de jogar videogame pode não ser tão saudável. Como falamos anteriormente, você tem 50% da responsabilidade em criar uma pessoa de bem para a sociedade.

Deixe o seu comentário. O que você pensa a respeito deste assunto: há relação entre os crimes e os jogos?

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