Nas últimas horas, um boato assustou leitores ao dizer que a Amazon deixaria de vender livros físicos no Brasil, mas a apuração do Oficina da Net mostra que isso é falso. O que existe de verdade é outra história: a empresa vai encerrar, em 20 de maio de 2026, o suporte para modelos de Kindle lançados em 2012 ou antes. Ou seja, essa medida afeta aparelhos antigos, não a operação de livros impressos.

Em nota oficial enviada ao Tecnoblog, a empresa afirmou: "Não procede a informação de que a Amazon encerrará a venda de livros físicos no Brasil. A Amazon segue comprometida com o mercado editorial brasileiro". Até esta quarta-feira, 6 de maio de 2026, a Amazon.com.br seguia com a categoria Livros e com a página de mais vendidos normalmente no ar. No About Amazon Brasil, existe um texto institucional dizendo que a companhia diz que "nasceu dos livros" e continua vendendo obras em formato físico e digital.

Como o boato começou

A origem da confusão está em uma notícia real. Em abril, a Amazon começou a avisar usuários de Kindles antigos que os aparelhos lançados em 2012 ou antes perderão acesso à Kindle Store em 20 de maio de 2026. Isso foi reportado por veículos como CNN Brasil, Exame, Tecnoblog e pela imprensa internacional, sempre falando de suporte a hardware antigo e de perda de acesso à loja digital nesses dispositivos, não de fim da venda de livros físicos.

O problema começou quando manchetes do tipo caça-cliques passaram a empurrar a mesma data de 20 de maio para outra narrativa. A nossa apuração localizou rastros desse desvio no fim de abril, incluindo um conteúdo publicado em 27 de abril com chamada sobre "encerrar serviço de vendas no Brasil em maio". Depois vieram títulos ainda mais distorcidos, como "Amazon encerrará serviço no Brasil no dia 20 de maio" e "Amazon encerra serviço de vendas de livros físicos no Brasil".

A partir daí, as redes sociais fizeram o resto. Em um post no X, a mensagem repetia que a Amazon encerraria a venda direta de livros físicos "a partir de maio de 2026". No Facebook e no Instagram, apareceram textos quase idênticos, dizendo que a empresa passaria a focar em Kindle e serviços digitais. Foram esses prints e posts que deram ao boato a cara de "informação já confirmada", mesmo sem existir comunicado oficial da Amazon nesse sentido.

O que a Amazon realmente disse

A resposta oficial da Amazon no Brasil foi direta. Ao Tecnoblog, a empresa negou qualquer mudança na venda de livros físicos. Ao O POVO, a assessoria também desmentiu o rumor e confirmou que a informação que circulava nas redes sociais era falsa.

Além da nota enviada à imprensa, a Amazon publicou em seu próprio site institucional um texto com o título "A Amazon nasceu dos livros e seguimos apaixonados por eles". Logo mna abertura do texto, a empresa escreveu: "Nascemos dos livros e continuamos vendendo títulos físicos e digitais". Na sequência, reforça que, no Brasil, oferece milhões de títulos entre livros físicos e e-books e que trabalha com editoras de todos os portes, de grandes grupos a selos independentes.

Amazon nega boatos de que vai encerrar a venda de livros físicos
Amazon nega boatos de que vai encerrar a venda de livros físicos

No plano global, a explicação foi a mesma. Em email ao The Verge, uma porta-voz da Amazon disse que os dispositivos Kindle e Kindle Fire lançados em 2012 ou antes, terá o fim do suporte e do acesso deles à loja digital, não da retirada de livros físicos do catálogo.

O que muda de verdade em maio

Então para resumir, o que muda é que a partir de 20 de maio de 2026 esses aparelhos não poderão mais comprar, emprestar ou baixar novos livros pela Kindle Store. Ainda assim, continuam servindo para ler o que já foi baixado antes, e parte do conteúdo pode seguir sendo transferida por cabo USB. Se o dispositivo for restaurado de fábrica depois desse prazo, ele pode não ser reativado.

O que não muda é a presença da Amazon no mercado de livro físico. Até o momento, a loja brasileira segue com a seção Livros, páginas de ofertas e a lista de mais vendidos funcionando normalmente, com títulos, categorias e pré-vendas ativos.

O rumor também não faz muito sentido quando se olha para o momento do mercado. A Câmara Brasileira do Livro informou, em março, que o consumo de livros cresceu no Brasil em 2025 e que a última compra de livro impresso foi feita online por 53% dos consumidores. Já o Sindicato Nacional dos Editores de Livros reportou avanço do varejo de livros no início de 2025, com alta de 2,56% em volume e 5,77% em faturamento no segundo período analisado do ano.