A Microsoft acaba de deixar claro que o Windows 11 não vai seguir a mesma linha visual do Liquid Glass, o design translúcido que a Apple espalhou pelo iOS 26, iPadOS 26, macOS Tahoe 26, watchOS 26 e tvOS 26 desde meados de 2025. A empresa também confirmou que não pretende adicionar um slider de transparência ao sistema tão cedo, mesmo sendo bombardeada por pedidos de usuários nesse sentido há anos no Feedback Hub.
A ironia por trás dessa decisão é que a própria Microsoft foi pioneira nesse tipo de estética. Lá em 2007, o Windows Vista introduziu o Aero Glass, um visual translúcido que deixava bordas de janelas, barra de tarefas e menus com um efeito de vidro fosco, em 2013. Só que a Microsoft abandonou essa filosofia já no Windows 8.
Segundo March Rogers, diretor de design da Microsoft, a empresa não tem planos de mudar isso agora. Em resposta a pedidos feitos por usuários no Feedback Hub, Rogers afirmou que "sempre que consideramos mudanças visuais em larga escala no Windows, como a opção de transparência sugerida, pensamos bastante sobre quem vai se beneficiar do investimento, questões de usabilidade e acessibilidade, e se conseguimos entregar uma experiência de alta qualidade".
Thanks for the ping Emrah. Whenever we consider large scale visual changes to Windows - like the transparency option you suggested - we think hard about who will benefit from the investment, usability and accessibility considerations... (1/2)
— March Rogers (@marchr) July 31, 2026
Ou seja, não é falta de vontade técnica, é uma escolha deliberada baseada em legibilidade e acessibilidade, dois pontos que costumam ser justamente o calcanhar de Aquiles de interfaces muito translúcidas, como a própria Apple descobriu na prática.
Em vez de mexer na transparência, a Microsoft tem preferido usar seus dois materiais visuais atuais dentro do Fluent Design: o Mica e o Acrylic.
Isso não significa, porém, que quem quer mais transparência esteja completamente sem saída. A Microsoft citou publicamente ferramentas de terceiros, como o Windhawk, um aplicativo gratuito e de código aberto que permite instalar mods para deixar a barra de tarefas e o menu Iniciar do Windows 11 translúcidos, imitando de forma caseira o que o Aero fazia nativamente há quase 20 anos.
Para quem estava na expectativa de ver o Windows 11 imitando o visual do iPhone ou do Mac mais recente, a resposta da Microsoft é um balde de água fria, mas também um lembrete de que design bonito nem sempre significa design funcional. A própria Apple está tendo que recuar em partes do Liquid Glass por causa de problemas de legibilidade, o que reforça que a cautela da Microsoft aqui não é birra nem preguiça, é uma escolha consciente para não repetir, quase 20 anos depois, o mesmo erro que ela cometeu com o Aero Glass do Vista.
Quem quiser esse efeito de qualquer forma continua com a alternativa de recorrer a ferramentas como o Windhawk, mas não deve esperar que isso chegue de fábrica ao Windows tão cedo.






