A União Europeia já bateu o martelo: celulares e tablets terão de permitir a troca da bateria pelo próprio usuário. A regra não começa agora, mas já tem data definida para entrar em vigor em breve. Isso significa que fabricantes terão de lançar aparelhos mais fáceis de abrir e reparar, sem depender de processos complicados ou ferramentas exclusivas apenas para trocar a bateria.

A base legal está no Regulamento (UE) 2023/1542, conhecido como a nova regulação europeia para baterias. Pelas diretrizes da própria Comissão Europeia, o trecho que obriga baterias portáteis a serem removíveis e substituíveis pelo usuário final passa a valer em 18 de fevereiro de 2027.

O que muda na prática

A lei fala de produtos com baterias portáteis, categoria que inclui os aparelhos que usamos no dia a dia, como smartphones e tablets. Além disso, a própria União Europeia já tem regras específicas para smartphones e tablets desde 20 de junho de 2025, com foco em durabilidade, reparo e vida útil maior.

Essas regras que já estão valendo exigem, por exemplo, melhor resistência dos aparelhos, mais transparência sobre reparabilidade, disponibilidade de peças de reposição e baterias com maior durabilidade ao longo do uso.

A principal mudança é que trocar a bateria deve ficar muito mais simples. Hoje, muitos celulares têm construção fechada, cola forte e peças internas difíceis de acessar, o que acaba tornando o reparo caro ou inviável.

Com a nova exigência da UE, a tendência é que fabricantes precisem adotar projetos que facilitem a substituição da bateria sem procedimentos complicados. Isso pode aumentar a vida útil dos aparelhos e evitar que um celular ainda bom seja descartado só porque a bateria ficou ruim.

Vamos voltar aos antigos celulares com tampa removível?

Apesar da mudança na regra, isso não significa, necessariamente, a volta daqueles celulares antigos com tampa traseira que saía em segundos. A regra europeia fala em bateria substituível pelo usuário, mas o formato final pode variar de fabricante para fabricante, desde que a troca seja possível sem barreiras abusivas.

Talvez não teremos tampas que se abrem facilmente como os celulares mais antigos, mas extremamente possível de abrir pelo usuário
Talvez não teremos tampas que se abrem facilmente como os celulares mais antigos, mas extremamente possível de abrir pelo usuário

A própria Comissão Europeia também admite que pode haver exceções limitadas em alguns casos, especialmente quando questões de segurança ou funcionamento do produto justificarem um tratamento diferente.

A UE quer apenas atacar um problema bem conhecido que é aparelhos sendo descartados cedo demais. Quando a bateria perde capacidade, muita gente troca de celular inteiro porque o reparo é caro, difícil ou pouco prático.

Ao exigir baterias mais fáceis de trocar, isso deve aumentar a vida útil dos dispositivos, reduzir o descarte e incentivar um mercado mais favorável ao reparo. É a mesma linha que já levou a Europa a pressionar a indústria em temas como USB-C, eficiência energética e direito ao reparo.