Review: Final Fantasy VII Remake - Antes de comprar, você precisa saber disso

Esse Remake foi um dos mais hypados e aguardados jogos dentre fãs do game original de 1997. Porém, a Square Enix entregou mais uma recriação do que remasterização.

Cloud vs Sephiroth em Final Fantasy VII Remake - Imagem: Divulgação Square Enix
Cloud vs Sephiroth em Final Fantasy VII Remake - Imagem: Divulgação Square Enix

Quando se pensa em Final Fantasy, é inevitável pensar em Cloud Strife, protagonista de Final Fantasy VII, um dos jogos mais populares de toda a série de games RPG. Lançado originalmente em 1997, esse jogo se tornou um grande e amado clássico que agora recebeu uma versão Remake para PS4. Essa tarefa é no mínimo perigosa, fazer um Remake de um jogo tão popular e revolucionário pode dar muito certo ou muito errado, uma vez que os fãs do jogo original criam muitas expectativas e se tornam muito críticos e exigentes enquanto ainda esperam fidelidade à versão original. Esse Remake de FFVII movimentou toda comunidade de jogadores que comemoraram bastante o anúncio de um tão pedido Remake e aguardaram ansiosamente o dia 2 de março de 2020, quando finalmente o jogo foi lançado. Agora, será que Final Fantasy VII Remake faz jus ao hype que teve? Bom, Sim e não. Se pensarmos em resumir minha análise em uma frase: FFVII Remake é sim um ótimo jogo por si só, porém não é bem um Remake, mais parece uma reinvenção completa.

Para começar, o jogo não conta nem metade da história

Final Fantasy VII Remake conta, na realidade, somente a primeira parte do game original na região de Midgar. Não, o jogo não é nada pequeno, garante cerca de 40 horas de gameplay tranquilamente. Contudo, ao se pensar no FFVII original, a versão Remake pega a região e plot inicial de Midgar e a estende bastante. O que seriam 5 ou 6 horas de jogatina no jogo de 1997 são radicalmente multiplicadas. Isso implica obviamente em duas coisas: Um enredo muito mais detalhado com personagens melhor trabalhados, e que o jogo contará com sequências. A partir de um único jogo de RPG dos anos 90, a Square Enix provavelmente lançará uma trilogia, ou até mesmo mais que isso, para contemplar a história completa de Final Fantasy VII. Nesse jogo um novo fator aumenta absurdamente a gameplay - Um vasto mundo aberto que detalha bastante a região de Midgar. Por mais que o enredo por si só não contemple todo o jogo original, é um bom trabalho e que amplia bastante toda a experiência que se esperava originalmente. Contudo, é de se esperar que bastante gente se decepcione ao efetivamente comprar e jogar o game com a expectativa de jogar o jogo de 1997 refeito com a tecnologia atual. Mas não é só isso, outro fator que pode decepcionar bastante alguns fãs é o enredo ter sido modificado.

Enredo diferente

Não se trata de alguns detalhes, a Square Enix mexeu bastante na história original. Algumas coisas principais seguem iguais, mas é uma nova história, não se pode dizer que FFVII Remake conta a história de FFVII de 97. Uma alusão simples seria: é como se fosse uma adaptação de um livro para a TV que começam iguais, mas tomam rumos diferentes ao decorrer da narrativa. Pelas mudanças feitas na narrativa, é de se esperar que as continuações também contem histórias bem diferentes das que lembramos para o meio e final do jogo original. Essas mudanças foram ruins? Difícil dizer que sim, na realidade o enredo novo é bem robusto e definitivamente não é ruim, mas a Square Enix realmente mexeu com a expectativa de nostalgia das pessoas. Parece que o novo Final Fantasy VII foi feito pensando não nos fãs antigos, mas sim nos novos players e nas novas gerações que não jogaram efetivamente o FFVII de 97, mas que jogaram o Final Fantasy XV no PS4. Existe sim uma carga nostálgica pelos personagens, habilidades, visuais e cenário, mas é evidente que muita gente quebrou a cara ao jogar o game. Novamente, não por ser um game ruim, longe disso, mas sim por ser um "Remake" muito diferente do que fãs antigos esperavam.

Combate novo e divertido

Final Fantasy VII Remake segue a tendência de jogabilidade de seus últimos jogos. A mecânica de turnos já ficou bem no passado e o novo FFVII se aproxima ainda mais de jogos Hack and Slash como Devil May Cry. Movimentação e reflexos rápidos são necessários para desviar e bloquear golpes, mas a mágica e golpes especiais como Limit Break, clássicos da franquia, estão presentes. Basicamente você ataca os inimigos com ataques básicos até energizar uma barra para que se possa utilizar habilidades mágicas. Por mais que se trate de um game de ação em tempo real, o fator estratégico ainda está presente. Avançar sem pensar somente apertando o botão de ataque não vai lhe render nada além de muitas mortes e gastos com poções e itens de reviver.

Existem dois modos de combate, o padrão e o clássico. No modo padrão, você tem todo o controle do combate, enquanto no modo clássico o personagem automaticamente realiza os ataques básico enquanto o jogador somente espera uma barra de energia preencher para realizar mágicas e golpes especiais. Os inimigos também são mais fracos no modo clássico, então é como se fosse uma variante da dificuldade fácil. Diferentemente do que se pode pensar, o modo clássico não tem nada a ver com a jogabilidade do game original.

Os Limit Breaks estão presentes nesse Remake, ataques poderosos e únicos para cada personagem. Praticamente todas as ações fora os ataques básicos usam energia da barra ATB (Active Time Battle), mas ações de Limit Break não tem consumo algum de ATB, e sim de uma barra própria.

Elementos de RPG

Por mais que não se trate de um RPG tático, assim como Final Fantasy XV, Final Fantasy VII Remake é um RPG com ação em tempo real. Os elementos de role-playing são fortes e lembram os do FFVII original em alguns pontos. Existem inúmeras armas dentro do jogo, cada uma com uma habilidade única de combate. Essas habilidades são desbloqueadas permanentemente para seu personagem conforme sua proficiência com a arma aumenta, ou seja, você deve utilizar tal arma uma certa quantidade de vezes para que seu personagem aprenda a habilidade sem depender de estar equipado com aquela arma. Os Limit Breaks mudam conforme a Materia equipada, ou seja, muitas possibilidades e estratégias são abertas com isso. Por mais que se trate de um RPG com personagens fixos, seu combate, armas e habilidades são completamente customizáveis.

Obviamente também existe um sistema de experiência que é ganha ao derrotar inimigos. Essa experiência é utilizada em um sistema de níveis que concedem novos ataques, habilidades mágicas e status. Nesse jogo, você se concentra mais em aprimorar armas para que a gameplay seja mais fácil e que você consiga acompanhar o crescimento de inimigos ao decorrer do jogo.

A batalha também chega a lembrar o sistema de turnos clássico em alguns aspectos. Por exemplo, por ser um combate em tempo real, existe tempo de casting de skills e habilidades mágicas que podem ser interrompidos por ataques inimigos.

Gráficos de última geração

Com a Unreal 4, esse Final Fantasy é o mais impressionante graficamente até então. Os detalhes são realmente chamativos, principalmente no que diz respeito ao terreno e cenário. Final Fantasy XV já trazia gráficos lindo e paisagens dignas de uma pausa para contemplação, mas FFVII Remake graficamente supera facilmente seu antecessor, como é de se esperar por ser um jogo mais novo. Contudo, uma coisa realmente chama a atenção. Alguns cenários são absurdamente detalhados, assim como os personagens, criaturas e tudo mais, mas alguns lugares específicos do game contam com texturas em baixa resolução, como as favelas. Não é um problema exatamente, mas chama a atenção ocasionalmente encontrar texturas de resolução muito mais baixo do que todo o ambiente ao redor.

Os cenários em profundidade também vão além do que imagens estáticas. É visível múltiplas camadas de profundidade com elementos animados em várias delas. O game possui um ar muito real e por isso também é bastante imersivo.

Trilha sonora impecável e nostálgica

Talvez o fator mais verdadeiramente nostálgico nesse jogo seja a trilha sonora, que é a original de 1997 remixada e remasterizada. Ficou excelente e é sem dúvida uma das melhores trilhas de todos os jogos Final Fantasy. As faixas antigas parecem novas e são simplesmente retrabalhadas, e não recriadas, mantendo completamente a essência original. Contudo, há também muita coisa nova no quesito sonoro em FFVII Remake. Seja com vocais ou uma enorme variedade instrumental do Hip Hop e Rock até o Blues e Jazz.

Outra coisa admirável é a atuação vocal nos personagens, o que se tornou um dos fatores cruciais para a imersão. Basicamente, os personagens em FFVII Ramake são muito reais, não apenas pela animação, mas pelas falas muito bem trabalhadas e uma vasta exploração da vida e personalidade de cada um em conjunto com uma atuação vocal, pelo menos em inglês, muito verossímil.

Veredicto:

Bom, o "Remake" de Final Fantasy VII não é revolucionário e icônico como sua versão original de 1997, mas é um JRPG bem sólido com poucas falhas como jogo. Há bastante conteúdo para se jogar, muito a explorar e um enredo bem trabalhado e envolvente. Basicamente, é um jogo muito bom sim, mas não é um título a ser endeusado como se esperava de um Remake de Final Fantasy VII. Os problemas que envolvem esse Remake são muito mais conceituais do que práticos. Não é efetivamente um Remake, mas sim uma recriação baseada no FFVII de 97. Houve um hype além do saudável para qualquer jogo e isso gerou evidentes quebras de expectativas. Se fosse um jogo que eu simplesmente recebesse para jogar sem ter toda a carga que foi jogar o FFVII original e esperar ansiosamente meses e meses para o lançamento, eu teria adorado e não teria decepções. Esse deve ser o sentimento de novos jogadores, a nostalgia nesse Remake mais decepcionou do que emocionou.

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