Como funcionam as linhas de transmissão de energia elétrica e por que acontecem os problemas?

Aprenda como é transmitida e distribuída a energia de um país e porque falhas acontecem.

Por | @Evilmaax Ciência

Essa semana alguns estados brasileiros sofreram com a falta de energia devido a um erro nas linhas de transmissão. Mas que tipo de erro foi esse? Por que ele ocorreu? Precisamos nos preocupar com novos períodos de falta de energia?

Primeiramente temos que saber como a energia é gerada, certo? Para aprender sobre energia solar clique aqui, sobre energia gerada por uma hidrelétrica, clique aqui, por uma termelétrica clique aqui, energia eólica aqui, e, por fim, para saber como uma usina nuclear gera energia, clique aqui.

Bom, assegurando que agora você já sabe sobre a “fabricação” da energia, vamos à transmissão.

Sabendo que uma usina termonuclear precisa estar ao lado de uma grande reserva de água, que as torres de energia eólica devem estar em locais afastados, onde possam captar bastante vento, como morros e descampados, que uma usina nuclear deve estar longe da população para diminuir os riscos em um desastre é perfeitamente compreensível qual a função das linhas de transmissão, certo? Elas devem criar uma malha suficientemente capaz de distribuir a energia gerada até nós, os consumidores finais.

O primeiro estágio desse transporte é feito através das torres de transmissão, aquelas de metal, altas e enormes que comportam vários fios de alta tensão, revestidos e isolados para suportar a carga. Por oferecerem um risco maior (elas transportam muita energia – por isso chama-se alta tensão) não são instaladas dentro dos centros urbanos, exceto no caminho até uma central que pode estar no seu bairro ou no bairro vizinho.

No meio do caminho pode haver (dependendo da distância entre a fonte produtora e o destino final) as subestações de transmissão que contém os geradores, serão eles que redirecionarão a energia, milhares de vezes mais fraca, para seguir o rumo até a nossa casa, ou redirecionará para uma empresa, por exemplo, milhares de vezes mais forte, caso haja necessidade. Além disso, nestas centrais há disjuntores, equipamentos de medição de tensão e corrente, para-raios, etc.

Como funcionam as linhas de transmissão de energia elétrica e por que acontecem os problemas?

O processo continua até que a energia chegue às subestações de distribuição. São elas as responsáveis pela recepção da energia, rebaixamento da tensão e encaminhamento correto aos destinatários. Ao contrário das subestações de transmissão, estas, de distribuição, podem estar no seu bairro ou em algum bairro vizinho, sem problemas. Também dotadas de chaves, disjuntores, equipamentos de medição e proteção, elas foram pensadas para se integrarem ao meio urbano e populoso.

Terminado o processo de transmissão, começa o processo de distribuição de energia. Daí para a frente o trabalho fica com os postes que vemos aos milhares pelas ruas. São eles que levam a luz para as nossas tomadas. E como você já deve ter visto, os postes ainda contam com transformadores, certo? São eles que dão mais uma diminuída na tensão da energia, assim ela vai chegar em nossa casa sem riscos para nós ou nossos eletrodomésticos.

Como funcionam as linhas de transmissão de energia elétrica e por que acontecem os problemas?

Achou simples? Então veja esse dado: O Brasil tem mais de 100 mil quilômetros de linhas, somente de transmissão, sem contar a distribuição. Impressionante, certo? Imagine a dificuldade que é para manter tudo isso funcionando 100%, sem erros ou falhas. Bom, na maioria do tempo é isso que acontece, mas às vezes problemas surgem e é isso que vamos ver agora. O porquê do sistema de distribuição brasileiro ter dado problemas.

Problemas climático e de sobrecarregamento

Se você está no Brasil então certamente sentiu na pele, literalmente, esta onda de calor. Cidades estão atingindo facilmente a casa dos 40° enquanto a sensação térmica chega a mais de 50. Agora imagine uma cidade com 5 milhões de habitantes, onde existem 300 mil aparelhos de ar condicionado, todos eles ligados, mais computadores, televisores, carregadores, lâmpadas, chuveiros elétricos, etc. etc. etc.

No dia da queda o consumo alcançou uma marca recorde: 51.596 MW causando uma sobrecarga no sistema. Então o país não tem como nos fornecer energia elétrica em quantidade suficiente? Não é bem isso. Com certeza você sabe que o calor não é nossa maior preocupação climática no momento, correto? Não? Então pense um pouco mais. Lembrou da falta de chuva? Lembrou que a cidade de São Paulo está praticamente sem água?

Exato, por isso nossa maior fonte de geração de energia, a energia hidrelétrica está comprometida, tendo que ser usada a energia termonuclear, por exemplo. A região sudeste, que foi a grande “causadora” do blecaute está com apenas 19% da sua capacidade, quando era esperado estar com 40% para esta época do ano.

Aliado a esta falta de chuvas houve um problema de transmissão entre uma linha de transmissão norte-sul da hidrelétrica de Furnas, que não teria conseguido transportar a energia elétrica adequadamente da região Norte para as regiões Sul e Sudeste. Devido a esta falha na rede, o sistema teria sofrido uma alteração de frequência, que então, por medidas preventivas de segurança, o ONS – Operador Nacional do Sistema Elétrico – mandou desligar 11 usinas de geração (vulgarmente podemos comparar ao seu computador que é desligado automaticamente, para se preservar, quando alcança uma certa temperatura), incluindo a termonuclear Angra I.

Mas fique calmo, mesmo com a estiagem de chuvas não corremos o risco de ficar sem o vídeo game. Termoelétricas estão sendo ligadas para suprir com folga a necessidade energética do país e esse problema não repetir-se-á, desde que, logicamente, não tenhamos mais problemas técnicos ou humanos pela frente.

Problemas nas linhas

É necessário dizer também que blecautes podem ocorrer a qualquer momento por problemas diversos, como por exemplo um raio que atinge uma torre de transmissão, rompimento de cabos, etc. Como vimos acima, o Brasil tem mais de 100 mil km deles, tudo isso para evitar, justamente, que se uma torre se torne um problema, a energia possa “fazer a volta” e chegar ao seu destino por um outro caminho. Aliás, problemas técnicos deste tipo são mais comuns do que se pensa. Geradores estragam todos os dias, a notoriedade, no entanto, só acontece quando toma proporções nacionais, como foi no caso dessa semana.

Ufa. Fiquemos calmos, o ar condicionado está garantido. Opiniões? Deixem nos comentários abaixo.

Fonte: Abradee

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