O que o WWW tem a ver com o LHC e o LHC com o CERN?

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A pergunta que ficou no ar, no artigo escrito anteriormente, foi o que tem a ver o LHC (Large Hadron Collider) ou o CERN (Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear,em francês: Organisation Européenne pour la Recherche Nucléaire) com o "www" e o CERN.

O CERN é a Organização Européia de Pesquisas Nucleares, o nome é derivado da sigla Conseil Européen pour la Recherche Nucléaire, que foi uma organização provisória, fundada em 1954. Naquela época as pesquisas físicas eram mais específicas e concentradas em entender o núcleo do átomo, daí a palavra "nuclear". Contando com uma organização de 21 Estados Membros, atualmente. Mas, o que o "www", tem a ver com essa história? Na realidade nada, mas também tudo.

Tim Berners-Lee é um cientista da computação que, enquanto pesquisava no CERN, criou um protocolo de informações entre computadores dentro do próprio CERN. Aproveitou todo o seu conhecimento e a tecnologia criada lá dentro, para desenvolver o "www", World Wide Web, onde através de um navegador compartilha documentos pela internet. Atualmente ele é diretor da World Web Fundation e, desde 2009, coordena uma equipe que promove o potencial da web para benefício da humanidade. O papel de Tim foi e continua sendo crucial, pois a rede cresceu e hoje, praticamente, o mundo não vive sem ela.

 

O que o WWW tem a ver com o LHC e o LHC com o CERN?

Já o LHC é um acelerador do CERN, maior que o Tevatron, que foi outro acelerador de partículas situado no Fermilab (Fermi National Accelerator Laboratory), um laboratório especializado em física de partículas de alta energia dos Estados Unidos localizado em Batavia, próximo a Chicago, Illinois. Mas o que os aceleradores de partículas fazem? Eles, obviamente, aceleram partículas fazendo-as colidirem, gerando um rastro luminoso ou eletrônico que são observados pelos detectores e a enorme rede de computadores "investiga" as partículas elementares, como, por exemplo, o próprio Bóson de Higgs.

No CERN, há o acelerador LHC (Large Hadron Colider - Grande Colisor de Hádron) e vários experimentos que usam detectores de partículas, como o ATLAS (A Toroidal LHC ApparatuS - Aparato Toroidal do LHC) e o CMS (Compact Muon Solenoid - Solenoide Compacto para desviar Múons), onde cientistas investigam partículas que são responsáveis por comprovar o Modelo Padrão. Os dados coletados nessas colisões são analisados por cientistas ao redor do mundo, usando uma enorme rede de computadores que permite invetsigar partículas , como por exemplo, o próprio Bóson de Higgs.

Resumindo, ficamos sabendo que o LHC é um acelerador, cujo o princípio básico é fornecer energia para o feixe de prótons (o suficiente para acelerá-los próximo a velocidade da luz), a fim de, após colidirem, os detectores possam detectar os sinais das partículas criadas na colisão. Isso é feito por meio de um rastro, luminoso ou eletrônico deixado e cada partícula possui características específicas que modificam a forma e o comprimento dos rastros, bem como a posição destes nos detectores. E não acaba por ai! Depois de toda essa aventura, vamos passar para a segunda fase...

Para investigar os objetivos dessas pesquisas, os computadores analisam, tanto esse rastro luminoso quanto a energia (calorimetria) gerado nessas colisões e fazem a medição. Para simplificar tudo, as partículas que colidem são impulsionadas pelos aceleradores, que resultam nesse rastro ou depósito de energia. 

O que o WWW tem a ver com o LHC e o LHC com o CERN?

E é isso que os aceleradores fazem. Muito simples, não é mesmo? Não, a coisa não é assim tão simples, mas não deixa de ser muito fascinante.

E, complementando uma informação, vocês sabiam que o Brasil também tem um acelerador de partículas? Não é nem um colisor, como o LHC e nem tão grande, mas apesar do objetivo dele ser outro, também trará para o Brasil um avanço muito grande na área tecnológica. Por hora, é isso. No próximo post, serão dados maiores detalhes sobre esses experimentos e assim começarão entender o porquê de os cientistas se orgulharem tanto e a justificativa de tanto dinheiro empregado que, garanto, não foi em vão, afinal hoje somos "reféns" de toda essa tecnologia, mesmo que indiretamente ligada aos aceleradores de partículas.

Viva a ciência!

Mais sobre: Ciencia, bosondehiggs, cern
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Cibele Sidney
Cibele Sidney Professora licenciada em Física do Estado de São Paulo e além de lutar por um ensino público de qualidade, luta pela divulgação científica. Está criando, junto com seus alunos, um projeto chamado "Se Liga na parada!", para agregar mais jovens para esse mundo magnifico chamado ciência.
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