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Cientistas brasileiros desenvolvem cimento menos agressivo ao meio-ambiente

Uma nova técnica para a elaboração de cimento foi criada por cientistas da Escola Politécnica da USP

Por | @oficinadanet Tecnologia Pular para comentários

Uma nova técnica para a elaboração de cimento foi criada por cientistas da Escola Politécnica da USP. A nova fórmula do cimento possui matérias-primas simples agregadas com ferramentas e também conceitos avançados de processamento industrial.

De acordo com o professor Vanderley John, um dos responsáveis pela inovação, o novo processo industrial fará com que a produção cimenteira no mundo dobre, já que não será mais necessário construir novos fornos, com isso, não aumentando a emissão de gases de efeito estufa no meio-ambiente.

"Tomando como base apenas o cimento brasileiro, a tecnologia da Poli poderia fazer cair a emissão para cerca de 360 kg de CO2 por tonelada de cimento, ou seja, 40% a menos", diz John.

O cimento tradicionalmente usado (Portland) tem na sua fórmula dois componentes principais: argila e calcários. Essas duas substâncias após serem fundidas em um forno sob altas temperaturas ficam em forma de pequenas bolas chamadas de clínquer. Leia em destaque: Como escolher o tamanho da TV ideal para o seu quarto ou sala?.

Em seguida, os grãos de clínquer são moídos juntamente com o mineral gipsita até virar pó. "Estima-se que para cada tonelada de clínquer são emitidos entre 800 e 1.000 quilos de CO2, incluindo o CO2 gerado pela decomposição do calcário e pela queima do combustível fóssil (de 60 a 130 quilos por tonelada de clínquer)", destaca John.

"A indústria busca alternativas para aumentar a ecoeficiência do processo substituindo parte do clínquer por escória de alto-forno de siderúrgicas e cinza volante, resíduo de termelétricas movidas a carvão. O problema é que a indústria do aço e a geração de cinza crescem menos que a produção de cimento, o que inviabiliza essa estratégia a longo prazo," disse ainda o professor.

A nova tecnologia desenvolvida pelos cientistas faz com que a proporção de carga (filler), ou seja, a matéria-prima a base de pó de calcário que não faz uso de tratamento técnico, na fórmula do cimento Portland e ainda adicionando dispersantes orgânicos que ficam responsáveis por afastar as partículas do material e com isso, , a diminuição do uso da água na mistura com o clínquer.

Em relação a quantidade de carga no cimento, que é usada desde 1970, os estudiosos descobriram que a quantidade de preenchimento poderia ser diferente do que se acreditava até então.

"Em laboratório, foi possível chegar a teores de 70% de filler, sendo que atualmente ele está entre 10% e 30%", afirma John. "Com isso será possível dobrar a produção mundial de cimento sem construir mais fornos e, portanto, sem aumentar as emissões".

"A tecnologia é baseada em modelos de dispersão e empacotamento de partículas que possibilita organizar os grãos por tamanho, favorecendo a maleabilidade do cimento", diz o professor Rafael Pileggi, coautor do estudo. "Por meio da reologia, ramo da ciência que estuda o escoamento dos fluidos, obteve-se misturas fluidas com baixo teor de clínquer e outros ligantes como a escória. Também foi possível reduzir a quantidade de cimento e água utilizados na produção de concreto, sem perda da qualidade".

"O estudo atual mostrou que é possível mudar a forma como se fabrica cimento, concretos e argamassas", comemora John. "Agora é preciso desenvolver uma tecnologia de moagem sofisticada em escala industrial."

A Escola Politécnica da USP já está em fase de negociações com a indústria cimenteira para aperfeiçoar a técnica e com isso poder usá-la o mais breve possível.

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