A Kaspersky identificou um malware chamado Keenadu que já está atingindo milhares de dispositivos no mundo, incluindo o Brasil. O mais preocupante é que ele pode chegar ao consumidor de várias formas, até mesmo já instalado de fábrica.
Segundo a empresa, o Keenadu consegue transformar o aparelho em uma espécie de "robô" que clica automaticamente em anúncios fraudulentos para gerar dinheiro aos criminosos. Só que o problema não para por aí. Algumas versões mais avançadas permitem até que hackers tenham controle praticamente total do dispositivo, podendo instalar novos aplicativos maliciosos e acessar informações sensíveis.
Em fevereiro de 2026, mais de 13 mil dispositivos já tinham sido identificados como comprometidos. O Brasil aparece entre os países mais afetados, ao lado de Rússia, Japão e Alemanha.
Como o Keenadu se espalha?
O que chama atenção nesse caso é a forma como o malware se espalha. Em algumas situações, ele já vem embutido no sistema interno do tablet ou celular, algo parecido com o que aconteceu com o Triada no passado. Quando isso acontece, o vírus ganha privilégios avançados e pode acessar praticamente tudo: fotos, mensagens, localização, dados bancários e até pesquisas feitas no navegador, inclusive no modo anônimo do Google Chrome.
Há também casos em que o Keenadu está escondido dentro de aplicativos nativos do sistema, como ferramentas de reconhecimento facial ou até o app responsável pela tela inicial do aparelho. Como esses aplicativos têm permissões elevadas, o malware consegue agir sem levantar suspeitas e instalar outros programas por trás.
Outra forma de contaminação aconteceu dentro da própria Google Play. A Kaspersky identificou aplicativos populares, incluindo apps de câmeras residenciais inteligentes, que estavam infectados e já tinham sido baixados mais de 300 mil vezes antes de serem removidos da loja. Nesses casos, o vírus abria abas invisíveis no navegador dentro do próprio aplicativo, permitindo navegação oculta e geração de receita fraudulenta.
Cuidado ao comprar um celular novo
Um ponto importante destacado pelos especialistas é o risco de comprar aparelhos que não têm homologação da Anatel. Dispositivos do chamado "mercado cinza", geralmente mais baratos e importados, podem ter padrões de segurança inferiores ou até já chegarem comprometidos.
Para reduzir o risco, a recomendação é manter o sistema sempre atualizado, evitar instalar aplicativos fora das lojas oficiais e usar uma solução de segurança confiável no celular. Caso haja suspeita de infecção no sistema interno do aparelho, pode ser necessário atualizar o firmware e fazer uma varredura completa. Se o problema estiver em algum aplicativo do sistema, desativá-lo pode ser a única alternativa viável.






