Dying Light foi lançado há 7 anos oferecendo muitos elementos e características interessantes aos jogadores, com seu parkour bruto e funcional sendo um dos destaques, assim como o ciclo de dia/noite também tinha seu brilho. Se o que vimos antes já foi um produto de qualidade, o que vemos agora é uma evolução exemplar e uma bela maneira de mostrar como uma sequência deve ser.

Com Dying Light 2, a Techland fez promessas suficientes para empolgar qualquer fã do primeiro título. Parkour aprimorado, mapa consideravelmente maior, um projeto muito mais ambicioso... nada disso importaria se fossem palavras ao vento, porém não estamos falando sobre mais uma das muitas mentiras da indústria dos videogames. Não. Desta vez o que nos foi prometido, nos foi entregue.

Review Dying Light 2: o primeiro grande jogo do ano

Dying Light 2 tem seus defeitos, e falaremos sobre eles, porém apresentando-se como uma evolução verdadeira de seu antecessor, o título aprimora muito do que já conhecemos e também traz consigo trunfos e qualidades que não estavam presentes no primeiro jogo da franquia.

Dying Light 2 oferece uma jornada aprimorada e evoluída!

Um bom começo em um mundo cruel

Vamos começar do início. Literalmente. Devo dizer que Dying Light 2 me surpreendeu positivamente logo em seu inicio, com um começo de jogo que capta e transmite muito bem a atmosfera e as duras verdades sobre o mundo em que realizamos nossa jornada.

Após os acontecimentos do primeiro título, o mundo inteiro foi devastado pelo vírus e agora os infectados "dominam" a terra. Com mais de 90% da população dizimada, os sobreviventes devem lutar dia após dia em um mundo cruel e letal. No controle de um novo protagonista, chamado Aiden Caldwell, não demora muito para que esse mundo sinistro fique bem evidente diante de nossos olhos, já que os primeiros minutos do jogo trazem consigo uma carga dramática muito forte, em um momento extremamente imersivo e tocante.

O mais interessante é que isso é feito de forma sutil, quase melancólica, funcionando muito bem para definir sem muita demora em que tipo de mundo estamos inseridos.

Um começo tocante em um mundo melancólico.

Mensagem dada. É a hora de mostrar as outras faces do jogo e de introduzir os pilares que sustentam o enredo de maneira geral, ainda que outros elementos e subtramas venham a aparecer ao longo da jornada. Dito isso, temos em Dying Light 2 um dos começos de jogos mais interessantes que já vi nos últimos anos. Flutuando entre a emoção e ação, em sua primeira uma ou duas horas de jogo, o título também é eficiente ao apresentar seu vilão de maneira extremamente satisfatória, com um momento que indica a qualidade da escrita encontrada aqui. A direção de jogo também deve ser valorizada nessa sequência, já que vemos cenas que se aproveitam de diálogos, trilha sonora e outros elementos para oferecer um resultado digno de grandes obras do audiovisual.

Escrita deve ser valorizada

É impossível falar de Dying Light 2 sem citar sua escrita/enredo como um dos pontos positivos e dar o devido destaque. Aqui estamos falando de um dos principais acertos do jogo, sendo também um dos elementos que apresentam uma evolução muito grande se fizermos uma comparação com o primeiro título.

Não me entenda mal, não tenho a intenção de dizer que o primeiro Dying Light pecava muito em seu enredo, muito menos afirmar que não havia qualquer qualidade ali. Porém, na minha visão, o que temos na sequência é um conteúdo muito mais robusto, refinado e bem escrito, com diálogos cativantes e uma narrativa digna de aplausos. Com o jogo colocando o jogador no meio de um conflito entre duas facções, o embate entre Pacificadores x Sobreviventes, a trama se apoia nesse cenário para guiar o jogador durante a jornada, o que permite ao enredo apresentar as diferentes faces e ambições de lados opostos.

Se a busca de Aiden por um membro de sua família é o pilar principal da trama, o conflito entre Pacificadores e Sobreviventes se divide em diversos pilares menores, não menos importantes. Com uma escrita de qualidade, nos são apresentados personagens de ambos os lados, assim como seus desejos, motivos e ambições. Com suas escolhas ao longo do jogo, você pode demonstrar apoio para algum dos lados ou unicamente para personagens específicos, o que pode se mostrar uma tarefa difícil já que a narrativa é eficiente ao entregar uma trama em que o bem e o mal não é imposto ou definido, já que aqui na verdade o que temos são pessoas, com suas bandeiras e seus ideais.

Ótimos personagens

Dying Light 2 conta com diversos personagens interessantes e bem escritos.

Dying Light 2 se sustenta também em diversos personagens cativantes, repletos de mistérios e donos de excelentes diálogos. Há extrema profundidade em muitos desses nomes, o que inclusive faz com que a trama tome rumos ainda mais interessantes, já que no jogo as pessoas nem sempre são o que parecem ser.

A profundidade desses personagens também serve para explicar muitas de suas ações, que por vezes podem decepcionar ou agradar o jogador, resultando em reviravoltas e revelações que sacodem o enredo e tudo o que tínhamos em mente.

O show das secundárias

As sidequests, famosas missões secundárias, são mais uma das grandes qualidades de Dying Light 2, com a escrita novamente sendo o grande motivo para tal destaque. A mesma profundidade vista nos personagens durante missões principais é encontrada nas secundárias, por vezes até mais.

As secundárias são ouro puro!

Para mim, muitas dessas missões, e personagens envolvidos, se mostraram ainda mais interessantes do que diversas que seguem o enredo base do jogo, com as reviravoltas encontradas aqui não se mostrando menos interessantes. Alguns personagens também são muito bem desenvolvidos nessas missões, com o mundo de Dying Light 2 ganhando histórias que o tornam cativante.

Sabe se prolongar

Se você vai se aventurar pelo mundo devastado do título, você deve ter em mente que a jornada será longa. Fazendo apenas as principais, é possível facilmente passar das vinte horas de jogo. O grande lance é que Dying Light 2 sabe se prolongar e sabe "sacudir" o jogador nos momentos em que o cansaço pode surgir.

Seja se aproveitando da introdução de uma nova região, novos personagens ou novas mecânicas, o título possui momentos que significam grandes mudanças e revigoram o jogador, com novas possibilidades que se mostram eficientes em evitar a sensação de repetição ou mesmice. Estamos falando inclusive de personagens extremamente importantes que só aparecem após longas horas de jogo, e até mesmo mecânicas de destaque que surgem apenas depois de algum tempo.

A evolução natural do parkour

Dying Light 2 é a evolução natural de seu antecessor, fazendo até mais do que o necessário em diversos aspectos. O parkour aqui volta a ser destaque, porém completamente aprimorado e se mostrando ainda mais prático. Com o R1 (joguei no PS5) servindo como o botão de ação principal do parkour, a movimentação pelos telhados e outras estruturas se mostra cada vez mais interessante e divertida conforme você avança no jogo, seja pelas mecânicas que são destravadas apenas a partir de determinados momentos ou pela evolução natural que é conquistada pela árvore de habilidades.

É verdade que por esse mesmo motivo, a etapa inicial do jogo pode se mostrar menos interessante e aproximar-se de se apresentar como algo cansativo, já que também é nesse momento em que senti uma maior repetição de mesmos caminhos explorados. Digamos que é apenas da metade para o final que Dying Light 2 assume o ápice de sua jogabilidade, principalmente no que diz respeito ao parkour e à movimentação pelo seu mundo.

O combate aprimorado

O combate de Dying Light 2 também é a evolução natural do que vimos no 1, porém ainda apresenta alguns dos problemas que também já conhecemos. Acho importante dizer que aqui há muita violência, o que torna o combate mais interessante por si só, com membros sendo decepados, cabeças decapitadas e inimigos jorrando sangue enquanto ainda estão em combate.

Ainda bruto, porém um pouco mais refinado, o combate de Dying Light 2 também tem um botão de ação principal, com algumas habilidades adquiridas pelo caminho introduzindo uma ou outra opção. O fato é que funciona bem. O que me agradou em seu antecessor também está presente aqui, que é a facilidade da Techland em oferecer um sistema de combate completo e atraente, sem a necessidade de diversos botões, combos e outros elementos que normalmente são opções óbvias em muitos títulos.

O combate é brutal.

Mas também é verdade que em certos momentos senti a falta de movimentos mais variados, assim como certas habilidades desbloqueadas para combate não me pareceram nada úteis. Além disso, aproveitando que estamos falando sobre o combate, acho interessante mencionar que os confrontos contra chefes, ou subchefes, também se mostram pouco interessantes e extremamente iguais.

Em certos momentos, você terá que lidar contra um oponente mais forte que os demais, porém todos eles serão um homem grande, com uma grande arma e movimentos completamente semelhantes... faltou variedade aqui.

E os horrores da noite?

Dying Light 2 é acompanhado também pelos horrores da noite, assim como o primeiro jogo, porém não da maneira que imaginei. Caso você tenha jogado o primeiro título, deve lembrar da tensão de movimentar-se de olho no mini-mapa, sem ser detectado por oponentes que iniciaram uma perseguição infernal.

Já no novo lançamento, a noite também se mostra impiedosa, porém também oferece uma movimentação muito mais tranquila. É necessário ter cuidado para não alertar os infectados, principalmente com a adição de um novo tipo que avisa todos os outros sobre sua presença, porém movimentar-se pelos telhados e utilizar as mecânicas de furtividade tornam essa tarefa muito mais simples.

O jogo também tem missões e momentos de pura tensão.

No entanto, felizmente também temos pura tensão quando devemos explorar prédios e outras estruturas escuras. É nesses momentos em que o jogo se mostra mais intimidador que seu antecessor, com a furtividade sendo uma grande aliada enquanto infectados adormecidos precisam de apenas um descuido seu para que o caos seja iniciado. Com ótima ambientação e ambientes típicos do horror, nesses momentos Dying Light sabe como entregar medo entre diversas sequências de ação

Rigor e imunidade

Em Dying Light 2, você deve ter atenção total ao seu rigor e imunidade. Enquanto um é extremamente importante para escalar e realizar movimentos de parkour, o outro é o que te mantém humano (lembre-se que o subtítulo é Stay Human).

Sua imunidade, rigor e vida podem ser aprimorados

Inicialmente, isso pode parecer um problema. Explorar locais escuros com sua imunidade diminuindo a cada instante pode parecer um problema, assim como o rigor, principalmente quando ainda não evoluído, também se apresenta como algo que serve apenas para atrapalhar. Porém, ambos os elementos se mostram totalmente necessários durante o gameplay, dando mais complexidade ao título ainda que sejam extremamente simples.

Para resolver certos "puzzles" de parkour e escalada você terá que ser rápido e ficar atento na barra de rigor, enquanto a luta para se manter humano utilizando itens e luzes UV também se mostra um desafio interessante que dá mais emoção na dinâmica de suas missões.

Final sustentado no enredo

Infelizmente, o principal problema do jogo está em seu final. A qualidade do enredo está presente nesse momento, e é capaz de torná-lo interessante, porém parte do brilho é desperdiçada como uma boss battle chata, prolongada e um tanto sem sentido.

Sem revelar muito, direi que o combate se estende mais do que deveria e nem mesmo os desenvolvedores tinham uma ideia clara de como fazer isso, já que certas etapas do boss final se resumem a movimentos pouco interessantes repetidos diversas vezes, que deixam exposta a pouca criatividade na etapa final. Maçante, nada empolgante e completamente desanimadora, a batalha final contra o grande chefão é uma grande decepção.

Vale mencionar que o jogo apresenta opções de diálogo e escolhas que podem mudar o rumo da trama, seja no destino de personagens específicos como também no grande desfecho final. É interessante ver que suas escolhas e decisões têm um peso real na jornada, incluindo os momentos em que você resolve oferecer apoio ou não para certos personagens, assim como é o mesmo com momentos em que você deve escolher um lado em determinadas situações.

O veredito

Dying Light 2 é a evolução completa de seu antecessor. Expandido, aprimorado, robusto e melhor. É um salto considerável de qualidade e de conteúdo, com o jogo servindo como um exemplo perfeito para o que uma sequência deve ser.

Em uma indústria que mostra tantas continuações que tem medo de arriscar, a Techland provou que ter a ambição de evoluir seu trabalho é um caminho que pode oferecer excelentes resultados. É verdade que Dying Light 2 ainda segue os moldes de seu antecessor, afinal não existem motivos para que fosse diferente, porém aqui não temos um jogo que permaneceu na zona de conforto para entregar o "arroz com feijão".

Com uma escrita robusta, boa jogabilidade e muita qualidade em quase tudo aquilo que propõe, Dying Light 2 é o ótimo resultado de uma sequência que tentou ser muito mais do que seu antecessor. Você deve conferir o primeiro grande jogo do ano, pois a jornada é realmente satisfatória.

Dying Light 2
8.9
Prós
  • Excelente escrita/narrativa
  • Ótimas missões secundárias
  • Personagens muito bem escritos e profundos
  • Combate e parkour brutos, porém robustos e muito funcionais
Contras
  • Boss battle final é decepcionante
  • Trama deixa de lado personagens interessantes
  • Confrontos contra chefes são praticamente iguais
  • Demora um pouco pra apresentar algumas mecânicas importantes