Como Pokemon Go, Uber e outros apps são usados por manifestantes em Hong Kong para driblar repressão policial

A juventude universitária protesta contra o projeto de extradição do governo local e usa da tecnologia e criatividade como contramedidas das ações policias nos protestos não autorizados.

Por Curiosidades Pular para comentários

Hong Kong passa por uma onda de protestos contra um projeto de lei do governo local de extradição de presos até a China. Hong Kong é uma região semiautônoma dentro do país, com o próprio governo e leis, e sempre foi considerado um refúgio para cidadão chineses perseguidos politicamente.

Essa medida da atual governante de Hong Kong enfureceu a população e principalmente os jovens e estudantes. Agora, jamais se esperaria que essa mesma geração articularia formas inusitadas de driblar a repressão policial local que escala violentamente e exponencialmente com a resistência dos militantes que seguem realizando uma onda de protestos não autorizados.

Como Pokemon Go, Uber e outros apps são usados por manifestantes em Hong Kong para driblar repressão policial

O Pokemon Go, jogo de celular da Niantic que chegou a se tornar o aplicativo de jogo mobile mais baixado no mundo, acaba por virar agora estratégia política. Será uma concentração de jovens preparando uma passeata ou será que apareceu um pokemon raro no local?

"Se disséssemos que íamos a um protesto não autorizado, haveria uma boa prova para a polícia nos acusar", diz KK, um empregado de escritório e manifestante de 20 anos que se manifestou a BBC Mundo e pediu sigilo sobre sua identidade.

O jogo permite caçar pokemons em tempo real, com tecnologia de realidade aumentada e baseado na localização e mapa atual. Assim, uma concentração de jovens se torna possível sem que a polícia os disperse antes de reunir força suficiente para formar uma passeata e enfrentar a repressão de cassetetes e gás lacrimogênio.

"Ocasionalmente jogamos Pokemon Go ou realizamos grupos de leitura da Bíblia", diz KK.

Até mesmo o Tinder acabou sendo usado como veículo de divulgação, como postou Gavin Huang:

Mas o Pokemon Go não é a única estratégia criativa usada pela juventude protestante de Hong Kong, o Telegram é utilizado desde o começo dos protestos como forma de organização de movimentos, vigilância em tempo real das ações policiais, transmissão de documentos, arquivos de cartazes e chamadas para padronizar os cânticos convocatórios e reivindicatórios.

O Uber também se tornou um aplicativo estratégico principalmente para a fuga pós-protesto. Os manifestantes, ao encontrar rotas de fuga, solicitam diversas corridas dentro de uma mesma região que é considerada segura como ponto de fuga. Muitos motoristas de Uber aderiram ao movimento e já se colocam prontos a promover o escape dos protestantes. No mapa do aplicativo é possível ver a localização dos motoristas mais próximos, assim, a região com maior concentração de carros é para onde se deve correr, dessa maneira ninguém fica perdido ou encurralado pelas tropas de choque policiais. "Agora, os motoristas de Uber voluntários enviam até sua localização e placa via Telegram aos administradores do protesto", diz Rob, universitário de 20 anos e manifestante ativo. "Os manifestantes todos podem ver pontos de escape via aplicativo da Uber assim", complementa.

Outro manifestante, anonimamente identificado como NA7PNQ, adiciona que recentemente utilizou o Uber para viajar entre vários lugares diferentes recolhendo manifestantes que precisavam ser evacuados ou precisavam de socorros.

A funcionalidade da Apple AirDrop também se tornou uma parte vital para a difusão dos protestos, transmitindo entre dispositivos da Apple cartazes e guias ilustrados de localidade, horas e orientações de ação e segurança para todos manifestantes.

"Na etapa inicial do movimento a gente usava só o Telegram para difundir as informações para os manifestantes", disse Rob.

"A informação tipicamente incluía localização em tempo real das forças policiais, situações de frentes montadas em diferentes ruas e localizações de estações de primeiros socorros, mascaras de gás, garrafas de água e etc.."

Entre materiais difundidos estão até mesmo "bilhetes de embarque" entregue a turistas, os convidando a participar dos protestos, como publica Sarah Zheng:

Alex, manifestante em tempo integral largou seu emprego para se concentrar somente no movimento. Diz ele que não sai de casa sem celular e um carregador portátil.

"As informações difundidas entre os usuários sobre a posição dos polícias são essenciais para chegar aos lugares de protesto ou para escapar sem ser pego", explica ele.

As manifestações massivas começaram no segundo trimestre desse ano. Os manifestantes de Hong Kong já conseguiram que o projeto de lei seja suspenso de sua tramitação e ainda exigem a liberação de todos os presos durante os protestos. Essa força e organização que esses jovens ganharam se devem a disponibilidade tecnológica, conectividade, criatividade e astúcias dos militantes.

KK atribui aos aplicativos o papel chave para a "natureza sem líder" do movimento e pelo sucesso até então que atingiram. Acrescenta por fim, que mesmo que alguns sejam pegos, não podem privá-los da tecnologia, podem confiscar um telefone, dois, centenas, mas não todos.

Com informações de BBC Mundo e Agência Reuters

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Bruno Ignacio de Lima
Bruno Ignacio de Lima Jornalista, gamer e geek. Louco por tecnologia. Redator de smartphones e novidades tecnológicas aqui no Oficina da Net
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