Elefante-marinho com "chapéu" tecnológico fez descobertas científicas nas águas do polo sul

Cientistas acoplaram um sensor termômetro na cabeça do animal, que é capaz de mergulhar mais profundamente e mais constantemente do que aparelhos humanos.

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(Sorbonne University / Etienne Pauthenet/Reprodução)
(Sorbonne University / Etienne Pauthenet/Reprodução)

É de grande importância científica o estudo das águas congelantes que cercam o polo sul do planeta, cercando a Antártida. Mas, também é de grande dificuldade assim fazê-lo. Por isso, animais nativos da região gélida podem se tornar grandes aliados, como é uma elefante-marinho-do-sul (espécie Mirounga leonina) para a Nasa e seus cientistas. Esse animal vive sua vida com um pequeno "chapéu" tecnológico que coletou dados de temperatura inéditos até então.

Pesquisadores do Caltech, o Instituto de Tecnologia da Califórnia, foram os pensadores da ideia, já que o animal é capaz de mergulhar mais profundamente do que equipamentos humanos e com muito mais facilidade.

No dia 2 de dezembro, foi publicado um artigo científico na Nature Geosciences, detalhando a pesquisa liderada por Lia Siegelman, uma oceanógrafa que conta a narrativa da elefante-marinho juntamente com sua importância para o estudo sobre a influência climática das águas geladas do sul do planeta. Em 2014, foi acoplado um sensor na cabeça da fêmea Ilhas Kerguelen (perto da Antártida) de maneira a garantir nenhum incômodo ou potenciais ferimentos para o animal.

Diariamente, essa espécie mergulha 80 vezes a profundidades de até 800 metros, e a elefante-marinho ainda viajou mais de 5 mil km durante os 3 meses de duração do estudo. Foram 6,3 mil mergulhos no total, que cruzados com imagens de satélite, permitiram uma descoberta sobre estocagem de calor nas águas do sul. As águas mais quentes são trazidas às profundezas dos oceanos por correntes marítimas, o inverso do óbvio que é, por sua menor densidade, a água quente se manter na superfície. Esses estoques de água quente nas profundezas do oceano ainda podem ser trazidas à superfície pelas mesmas correntes marítimas. Isso esquenta a água superficial e impacta o clima.

Para os estudos climáticos se trata de uma descoberta importante. Os oceanos "esfriam" o planeta absorvendo o calor da atmosfera nas águas superficiais, mas esse calor também poder ser armazenado no fundo de oceanos implica em modificar nossos modelos climáticos atuais e possibilitar mais descobertas na área.

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