Cientistas encontram microrganismo que se alimenta de minerais e prospera em meteorito

Se trata de um microrganismo terrestre, testado sobre um meteorito descoberto no ano 2000 na superfície terrestre. O curioso é que a célula não necessita de material orgânico para sobreviver e prospera excepcionalmente na superfície do meteorito.

Metallosphaera sedula - Foto: Tetyana Milojevic/Universität Wien
Metallosphaera sedula - Foto: Tetyana Milojevic/Universität Wien

O jornal científico Scientific Reports revelou a descoberta de um microrganismo que se alimenta de minerais, o que é extremamente curioso e inesperado. O chamado Metallosphaera sedula não necessita de material orgânico como alimento para sobreviver, inclusive se prolifera com muito mais facilidade em ambientes ricos em metais.

Por isso, cientistas então trouxeram o organismo para a superfície de um meteorito descoberto em 2000, o chamado Northwest Africa 1172 (NWA 1172). O microrganismo então demonstrou grande força reprodutiva no meteorito, trazendo novas informações e estudos sobre como poderia existir vida extraterrestre.

O teste, porém, foi feito aqui na Terra mesmo, e o Metallosphaera sedula é um organismo terrestre, por mais peculiar que seja. Se trata de uma célula procarionte, sem núcleo organizado e que se alimenta somente de minerais em ambientes rochosos e metálicos.

"O NWA 1172 é um material multimetálico, que pode fornecer muito mais traços de metais para facilitar a atividade metabólica e o crescimento microbiano. Além disso, a porosidade do NWA 1172 também pode refletir a taxa de crescimento superior de M. sedula ", explicou Tetyana Milojevic, uma das pesquisadoras, em comunicado.

A observação do microrganismo interagindo com material extraterrestre expande a visão científica sobre como a vida pode existir além da Terra, com configurações e condições que até então nunca cogitamos como possíveis. "Nossas investigações validam a capacidade do M. sedula de realizar a biotransformação de minerais de meteoritos, além de desvendarem as impressões digitais microbianas deixadas no material de meteoritos, fornecendo o próximo passo para uma compreensão da biogeoquímica de meteoritos", explicou Milojevic.

Informações da Scientific Reports e Revista Galileu.

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