Eu estava lá. A convite da Xiaomi, participei do lançamento oficial do Xiaomi 17 e do Xiaomi 17 Ultra no México, na última semana e posso te dizer que sair de lá sem querer um dos dois foi difícil. Muito difícil.
Os dois aparelhos chegam com a co-engenharia Leica como bandeira principal, mas o que a Xiaomi está fazendo aqui vai muito além de colocar um logotipo vermelho na câmera. Esse é um posicionamento de cima a baixo, da óptica ao software, e deu pra sentir isso na prática durante o evento.
Dois celulares, duas propostas
A Xiaomi sempre teve o Ultra como o rei da câmera, e o 17 Ultra não foge disso. Mas o que surpreende desta vez é que o Xiaomi 17 "comum" chegou com uma proposta muito mais agressiva do que eu esperava e isso ficou evidente assim que a apresentação começou.
O Xiaomi 17 é compacto. São 6,3 polegadas, 191 gramas, apenas 8,06mm de espessura. Pra quem está de saco cheio de celular gigante, já é um ponto pra ele. A tela é um painel OLED CrystalRes com resolução de 2656 x 1220, taxa de atualização 1 a 120Hz LTPO e brilho de pico de 3.500 nits, o suficiente pra usar no sol de Guadalajara no meio do verão, acredita.
O hardware de câmera do 17 traz três sensores de 50MP cada, com lentes Leica Summilux. A câmera principal tem abertura f/1,67, sensor Light Fusion 950 e focal equivalente de 23mm. Tem ainda uma telefoto de 60mm com f/2,0, OIS, que suporta macro a 10cm de distância — isso é detalhe que fotógrafo nota. A ultrawide cobre 102° de campo visual com focal de 17mm.
Na bateria, a Xiaomi não brincou: 6.330mAh com carregamento de 100W com fio e 50W sem fio. Isso, num celular de menos de 200 gramas, é bastante impressionante. O processador é o Snapdragon 8 Elite Gen 5, o mesmo chip que vai mover tudo de flagship em 2025.
O Xiaomi 17 parte com apenas 12GB de RAM, enquanto o Ultra já sai com 16GB. Pra maioria das pessoas não faz diferença real hoje, mas é um detalhe que a Xiaomi vai precisar explicar melhor na hora do preço.
E o Ultra? O bicho é bruto.
O Xiaomi 17 Ultra é outra história. Ele tem 6,9 polegadas com painel HyperRGB OLED que, diferente de um OLED convencional, usa subpixels individuais de vermelho, verde e azul para alcançar clareza equivalente a resolução 2K. Também chega a 3.500 nits de pico e suporta Dolby Vision e HDR10+.
A câmera principal usa o sensor Light Fusion 1050L com tecnologia LOFIC HDR, que basicamente usa capacitores integrados para capturar carga extra e entregar um alcance dinâmico absurdamente amplo. Na prática, é o sensor de 1 polegada mais capaz que a Xiaomi já lançou.
Mas o grande charme do Ultra é a câmera telefoto de 200MP com zoom óptico mecânico de 75 a 100mm. Isso não é zoom digital disfarçado. É zoom óptico de verdade, com lente APO Leica, a primeira lente APO da Xiaomi em qualquer flagship. O resultado prático é que você consegue fazer até 400mm equivalente (17,2x de nível óptico) sem perder qualidade relevante.
Na prática, olhando as imagens capturadas durante o evento, o salto em relação à geração anterior é visível. Cores mais fiéis, menos aberração nas bordas e um nível de detalhe no zoom que faz outros concorrentes parecerem datados.
Para vídeo, o Ultra grava 4K a 120fps em Dolby Vision, algo que eu ainda não tinha visto em nenhum Android antes desse lançamento. Além disso, suporta Log com padrão ACES, o mesmo sistema de cores usado em produções cinematográficas profissionais.
A bateria é de 6.000mAh com carregamento de 90W com fio e 50W sem fio. Aqui a Xiaomi escolheu uma célula diferente do modelo menor, com 16% de conteúdo de silício na composição, o que aumenta a densidade energética e permite manter o aparelho em apenas 8,29mm de espessura. Pra um Ultra, isso é finíssimo.
Agora me explica uma coisa: como um celular com sensor de câmera de 1 polegada, zoom mecânico, bateria de 6.000mAh e tela de 6,9 polegadas consegue ter menos de 9mm de espessura? A Xiaomi diz que esse é o Ultra mais fino e leve já feito pela marca. Depois de segurar o aparelho na mão, eu acredito.
O detalhe que chamou minha atenção no evento
Os dois celulares têm IP68, o que é básico de esperado pra qualquer flagship de 2025. Mas o que a Xiaomi fez questão de mostrar foi a estrutura Xiaomi Guardian Structure, com vidro Shield Glass (versão 3.0 no Ultra) e moldura de alumínio de alta resistência. Não é só certificação de papel, é uma proposta de durabilidade real.
Além disso, o Ultra conta com um acessório chamado Photography Kit, que transforma o aparelho numa câmera de verdade, com botão de disparo físico em dois estágios, alça de pulso e até uma versão Pro com bateria de 2.000mAh integrada e superfície de couro PU. É exatamente o tipo de coisa que deixa o entusiasta de fotografia animado, e que mostra que a Xiaomi está levando a parceria com a Leica a sério, não só no nome.
E no Brasil?
Os dois aparelhos foram lançados globalmente, mas a disponibilidade no Brasil foi completamente descartada. Sem dúvidas o Xiaomi 17 para mim seria a melhor opção para quem procura por um celular compacto completo, bate fácil um S26 em vários aspectos.






