Entrevista com Diogo "Krevz" Moritz

Confira a nossa entrevista com Krevz, The Brazilian Demon, como ficou conhecido depois de obter dois recordes mundiais em uma partida competitiva de Call of Duty.

Por | @grasiel_grasel Games

Na nossa última entrevista do especial sobre e-sports conversamos com um dos maiores nomes do cenário competitivo de Call of Duty no Brasil, Diogo Moritz Schmidt de Souza, ou, se você preferir, apenas “Krevz”, o jogador detentor do recorde mundial de maior gunstreak (21 eliminações sem morrer) e maior pointstreak (23 pontos sem ser eliminado) em partidas competitivas do jogo, ficando conhecido como Krevz, The Brazilian Demon. O recorde foi obtido da ESWC (Eletronic Sports World Cup) 2014, em uma partida contra a TCM, considerada uma das melhores equipes do Reino Unido.

Krevz começou a jogar competitivamente ainda no Call of Duty 4: Modern Warfare, no computador, depois de seu pai lhe apresentar o game, passou para os consoles e jogou em outros times como o BRZK, o NOG, o NGK, o Alliance, e hoje joga pela Callidus Team, uma equipe que, embora seja nova, está se destacando nos campeonatos que disputa e vencendo boa parte deles, assim como venceram as duas maiores LANs (campeonatos presenciais) que disputaram, a BSOG (Brazilian Series of Games) 15K e a Arena BSOG.

Confira abaixo a nossa conversa com Krevz, ele fala sobre os seus recordes mundiais, a sua história no competitivo e toda a sua confiança na Callidus, você não vai se arrepender!

Entrevista com Diogo "Krevz" Moritz

Equipe - Embora a Callidus não tenha vencido a ESWC 2014, você é o detentor do recorde mundial de maior gunstreak (eliminações sem morrer) e maior pointstreak (pontos conquistados sem morrer) em uma partida competitiva. Como você se sentia no momento que conseguia cada eliminação?

Krevz - No calor do momento eu nem sabia que estava fazendo aquele estrago inteiro, só percebi que “pô, to jogando muito bem” quando eliminei três jogadores no pré-fire, mas na hora eu nem sabia que havia sido mais de vinte, pensei que tinha sido 12 ou 13, aí, depois da partida, vieram falar comigo que o que eu havia feito foi enorme, então, no momento eu não sabia o que estava fazendo, mas depois foi até triste, fiquei bastante tempo no hotel passando mal, pois dei tudo o que tinha, fiz até algumas coisas erradas, e não ganhamos o mapa. Por esta parte individual (obter o recorde mundial) eu fico muito feliz, mas eu trocaria este recorde pelo mapa vencido, tudo o que eu queria é que a gente tivesse ganhado ao menos um mapa, principalmente por termos pego o grupo mais forte da competição.

Equipe - Como você e seus companheiros de time costumam treinar para as partidas competitivas? Outras equipes jogam contra vocês para treinar?

Krevz - Temos os nossos treinos teóricos, onde decidimos o que vamos fazer, tentamos não colocar tudo em prática em treinos, porque o time inimigo consegue perceber o que estamos fazendo e durante os campeonatos eles saberão o que vamos fazer, principalmente Searche and Destroy (Localizar e Destruir) que é um modo que praticamente nenhum time brasileiro costuma treinar contra outras equipes por ser muito tático, portanto, quando queremos treinar este modo, realizamos o treino tático e depois jogamos contra equipes de outros países.

Equipe - O Callidus Team é uma das poucas equipes que conseguiu começar bem, levando boa parte dos primeiros eventos que participou, como foi fazer parte dessa ascensão?

Krevz - Foi incrível, 70% do mérito dessa ascensão é do Rocky, que é o “dono” do Callidus, e é o Coach (treinador) do time. Ele falava: “Faz isso, faz aquilo” e a gente ganhava, aprendemos com ele a fazer leitura de jogo. No começo estávamos ganhando muitos campeonatos online, aí vinha muito “hate” (ódio) para cima da gente, falando que não faríamos o mesmo em LAN, e esse ódio que tinha pra cima da gente aumentou a nossa vontade de ganhar. Na LAN 15K começamos perdendo pro Alliance, que ficou em segundo lugar no evento, em seguida enfrentamos o Dogs, ganhamos de 3 a 2, depois enfrentamos a SSOF, a qual vencemos por 3 a 0, no fim acabamos vencendo a competição e de tão nervosos que nós estávamos acabamos nem comemorando a vitória, acabei indo pro aeroporto passei a madrugada toda tomando Starbucks sozinho. Em seguida, na Arena BSOG, fomos mais confiantes, demos uma caída contra o SSOF na final, pois eles tinham contratado um hoster novo e ele estava incrível, os jogadores deles estavam jogando muito, logo foi 3x2. Fomos para o último Search and Destroy e assim que começou o round conseguimos eliminar dois jogadores com uma granada, o que desestabilizou a equipe deles e nos garantiu a vitória. Para mim foi ótimo fazer parte dessa ascensão da Callidus.

Equipe - Com toda a evolução que a Callidus vem vivendo atualmente, quais são as chances de levar a equipe para o presencial mundial da COD Champinship? Existe algo que pode barrar este sonho?

Krevz - A gente não tem nenhum problema, estou fazendo 18 anos e a maioria da equipe também já é maior de idade, se fizermos o mesmo que fizemos no Ghosts (Call of Duty: Ghosts), não jogarmos mais nada e focarmos no COD mesmo, acho que as nossas chances são altas de irmos para o mundial. No mundial, como eu, o Lukinas e o Nikko temos bastante experiência lá fora por causa da ESWC, onde jogamos com o Vitallity (principal time da França) com mais de 400 franceses berrando nos nossos ouvidos, acho que pressão não é mais o nosso problema, então, tenho certeza absoluta, coloco minha mão no fogo que, se meu time for para o mundial, a gente passa da fase de grupos, nem que os melhores times da competição estejam na nossa chave.

Equipe - Qual é a importância dos patrocinadores de equipes? Quais são as vantagens de ter e quais são as vantagens de ser um patrocinador?

Krevz - Atualmente no cenário competitivo de COD, quem “mexe os pauzinhos” para tudo acontecer é a GG controles, principalmente pela GG Cup, a qual a empresa patrocinou em suas duas edições e também nos deu controles excelentes para jogar. Patrocinador ajuda muito, muito mesmo, a Benq também nos ajudou com seus monitores, que já nos fizeram melhorar muito. Para os patrocinadores as vantagens são muitas, só por nós usarmos os seus equipamentos e ganharmos, as pessoas já procuram saber quem são eles, se a gente usa e ganha, mostramos: “a gente consegue ganhar usando isso, por que vocês não tentam comprar para tentar crescer também? ”.

Equipe - A ESL, que é uma das maiores organizadoras de campeonatos de esportes eletrônicos do mundo, está finalmente investindo no COD, o que você espera para o futuro dessa parceria?

Krevz - Eu gosto muito de ver a ESL entrando de vez no cenário de COD e se expandindo cada vez mais. Agora que estamos indo para o PS4, espero que as transmissões sejam mais na Twitch (principal plataforma de streaming da ESL), é só fazer um gráfico comparando stream competitivas de quando elas aconteciam na Twitch e como elas são hoje, a ESL vai estar revivendo o COD competitivo com estas transmissões pela Twitch. Agora que a Sony tem parceria com a Actvision (no Call of Duty: Black Ops III), se eles ajudarem nas competições assim como a Microsoft ajudava, dando consoles para realizar eventos presenciais, aumentando a premiação e tal, o cenário competitivo do jogo vai voltar a ser novamente o que foi até o BO2 (Call of Duty: Black Ops II), vai ser enorme! Assim que a ESL anunciar uma LAN para o jogo, o que eu tenho esperanças que aconteça com o BO3, a ESL vai “estourar”, tenho certeza. A BSOG “estourou” principalmente pela sua LAN, virando a empresa com mais campeonatos de COD no Brasil, e aposto que isso irá acontecer com a ESL também. É só vermos antes da ascensão incrível do League of Legends: competitivo mesmo era Call of Duty ou Cunter Strike 1.6, espero que estes tempos voltem.

Equipe - Você já jogou competitivamente em diversas equipes de Call of Duty, qual delas você mais sente falta? Por quê?

Krevz - Sinto bastante falta do Alliance, sei que é quase impossível voltar a jogar com algum deles porque os quatro que jogavam lá pararam de jogar, só o Blue que jogava comigo tem chances de voltar, mas ele está fazendo outras coisas e talvez nem volte. Eu gostava bastante do Alliance porque todo campeonato que a gente jogava nós éramos os “Under Dogs”, não era: “O Alliance tem chances de ganhar”, sempre que alguém postava top 10 no twitter a gente estava lá em 9º, e nós queríamos mostrar que isso estava errado, pois nós éramos bastante desconhecidos na época. Foi o Alliance que mostrou como jogar octane, pois eu e o Blue éramos uma combinação incrível em qualquer mapa, ele ficava de um lado do mapa e eu de outro, ninguém passava pelo meio. Eu adorava todos os jogadores da equipe, então é dela que eu mais sinto falta.

Equipe - Qual é a principal dificuldade em ser um jogador competitivo de Call of Duty nos dias de hoje? O que fazer para mudar essa situação?

Krevz - Muitos jogadores pararam de jogar porque eles acham que nunca vão ganhar, desistência é uma opção se você é fraco, porque eu joguei 3 COD’s no Xbox e não ganhei nada, só ganhei quando entrei no Callidus, esperei três anos para ganhar alguma coisa na Live e tive paciência, treinei para ganhar, e tem gente que não joga nem há um ano, viu que não ia ganhar porque não treinou o suficiente e já desistiu. Tem alguns casos de pessoal que precisa estudar e não tem tempo de jogar, mas a maioria desiste porque não treina mesmo.

Entrevista com Diogo "Krevz" Moritz

Equipe - Por que ainda existe tanto preconceito com quem ganha dinheiro jogando profissionalmente?

Krevz - Se essa pergunta tivesse sido feita para mim há um ano e meio atrás eu diria que é porque eles não conhecem o jogo que nós jogamos, porque eles não sabem o quanto a gente se diverte ganhando dinheiro fazendo o que a gente gosta. Atualmente eu acho que não existe mais este preconceito, principalmente depois do CBLOL (Campeonato Brasileiro de League of Legends) onde 14.000 pessoas foram ver “um joguinho de fada”, acho que mudou e cenário de e-sports no Brasil, as pessoas não veem mais como algo errado jogar profissionalmente, mas sim como algo diferente. Acho que, se colocar alguém frente a frente com quem tem preconceito e explicar como o competitivo funciona, mostrar como e porque tudo acontece no jogo, acho que a pessoa consegue entender, mas, se ninguém explicar, vai parecer sim um monte de “vagabundos sem estudo jogando para nada”. Pessoas de mais idade não sabem o que significa a Pain ter ganho uma quantidade enorme de dinheiro jogando na CBLOL e ainda vão para fora do país para jogar.

Equipe - O que falta para o Call of Duty chegar a um nível competitivo como é o de League of Legends, que é a sensação mundial dos esportes eletrônicos?

Krevz - Tenho certeza de que o COD começou a diminuir por causa de imigração do competitivo entre os consoles, primeiramente, até o BO1 as competições eram no PS3, no MW3 passou para o Xbox 360, para o Xbox One onde teve o COD Ghosts, que não era um jogo muito legal de assistir, ou seja, as pessoas não vão ficar comprando consoles toda hora para entrar no competitivo de Call of Duty, é preciso investir em um console de mais de R$1.000,00, pagar o jogo e pagar a Live, claro, exceto os times grandes que não querem deixar a comunidade morrer, como a gente (Callidus) a SSOF, o NK e outros times. Agora, podemos usar outro exemplo: O Crossfire, que você não precisa ter um PC bom para rodar, o jogo é gratuito, é muito mais fácil chegarem novos jogadores lá do que no Call of Duty, que embora seja mais bonito e mais legal, é muito caro. Até mesmo as desenvolvedoras e a Activision não ajudam muito, olha a Riot Games: Eles patrocinam Gaming Houses (centros de treinamento) para jogadores profissionais dos seus jogos, quando que nós veremos a Activision fazer isso? Nunca. O principal fator é o investimento das empresas desenvolvedoras pelo jogador.

Equipe - Qual é o conselho que você pode dar para alguém que está querendo ingressar no cenário competitivo de Call of Duty?

Krevz - Se você tem esse sonho, não desista. Na época do BO2 eu tive uma doença muito grave e não parei de jogar por causa dela, continuei no competitivo, treinei e esperei um COD a mais para ganhar. Perdíamos uma e ganhávamos outra, mas nunca desistimos. O Le, da SSOF, é o maior exemplo disso, ele tá aí até hoje! No MW3 nem sei se ele ganhou alguma coisa, sei que no BO2 ele não ganhou, mas não desistiu e no Ghosts venceu competições, assim como venceu no AW (Call of Duty: Advanced Warfare) e foi para o mundial por duas vezes. Então, simplesmente não desista, se você quer entrar no cenário de COD competitivo pra ganhar, bota na cabeça que não vai ser fácil chegar no nosso nível a não ser que você tenha um dom especial, mas você treina, você “grinda”, treina mais e “grinda” mais, junta os dois. Agora, se você não conseguir encontrar uma equipe, faz o que eu fiz, junta alguns amigos e faz um time seu, joga um campeonato e se destaque, nem que seja sozinho, mas de o seu melhor, alguém vai olhar para você.

Equipe - Muito obrigado Krevz por ter aceitado nos ceder esta entrevista, foi um prazer falar com você. Boa sorte em sua jornada competitiva pela Callidus. Gostaria de deixar alguma mensagem aos nossos leitores?

Krevz - Eu gostaria de agradecer a você pela oportunidade de me chamar aqui para responder as suas perguntas, até hoje eu havia feito só uma entrevista e ela nem foi publicada -risos-. Queria agradecer também a todos que torcem pelo COD competitivo, não torçam para o Callidus, para a SSOF ou para o NK, torçam para a nossa comunidade crescer, você pode gostar dos nossos times, mas torça pela comunidade, só isso que eu peço para o pessoal que está lendo, pois, assim que a gente crescer, não vamos crescer aos poucos, tenho certeza de que vamos “estourar”!

Essa foi a nossa série de entrevistas com jogadores de e-sports aqui no Oficina da Net, foi um grande prazer produzi-las e traze-las aqui para você leitor. Ainda virão muitos artigos, notícias e quem sabe até novas entrevistas sobre e-sports, portanto, fique ligado no nosso site. :)

Mais sobre: especiale-sports, onentrevista, CallofDuty
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