Geleiras estão diminuindo, aponta estudo apresentado na COP-20

Estudo apresentado durante a COP-20 aponta que moradores das regiões montanhosas dos países em desenvolvimento sofrem com a fome e com a pobreza em virtude do retrocesso das geleiras.

Por | @oficinadanet Ciência

Segunda-Feira, 08 de dezembro de 2014; de acordo com depoimento prestado a agência de notícia EFE, a porta-voz do programa “Homem e Biosfera” da UNESCO, María Rosa Cárdenas, falou que a metade da população moradora das regiões montanhosas dos países em desenvolvimento estão sofrendo com a falta de comida, onde a maioria deste povo vive em pobreza extrema, causada em sua grande parte pelo degelo das geleiras.

Ainda de acordo com Cárdenas, a Cordilheira Branca do Peru é um grande exemplo; entre os anos de 1970 a 2003, a mesma teve redução de suas geleiras em 22%, já o mar de Amundsen, que está localizado a oeste da Antártida, teve uma perda anual de gelo de 83 bilhões de toneladas desde 1992.

A grande causa pela redução dessas geleiras segundo a porta-voz do programa “Homem e Biosfera”, se deve explicitamente ao aquecimento global e suas causas, causas essas que podem representar uma grande ameaça como inundações, desastres naturais e até mesmo, perda de espécies e do acesso à água natural.

Vale lembrar que as montanhas ocupam cerca de 25% da superfície terrestre e essas chegam a abrigar em torno de 1,2 bilhões de pessoas a seus pés.

Durante o depoimento a agência de notícias acima referida, María Rosa Cárdenas disse que: “As montanhas são reguladores do clima, regulando as correntes de vento, de fluxos de águas, podendo dar certa proteção contra os riscos naturais e não pensem que a América Latina é a única que vem sofrendo desta causa, outras regiões do mundo estão tendo uma diminuição de suas geleiras e assim perdendo massa, perdas essas que estão contribuindo para um dos grandes problemas; o surgimento de lagos provenientes do degelo dessas geleiras”.

A grande preocupação do surgimento desses lagos, é em virtude desses estarem surgindo em lugares instáveis e que em sua grande maioria, transbordam com facilidade, podendo assim causar grandes danos à população residente no pé dessas montanhas.

O programa da UNESCO, “Homem e Biosfera”, foi apresentado durante a Conferência sobre a Mudança Climática das Nações Unidas – COP 20, onde foram mostradas várias imagens de satélites sobre o estado das geleiras ao redor do mundo e suas consequências em relação à mudança climática.

Durante essa exposição de fotos, denominada de “Os impactos da mudança climática nas regiões montanhosas do mundo”, Cárdenas explicou que uma das 23 geleiras estudadas, e que está situada na região da Noruega, teve retrocesso em sua massa de gelo.

Já o monitoramento das geleiras tropicais demonstrou um retrocesso importante no nevado Quellcaya, situado na região peruana de Cuzco, onde a denominada geleira de Kori Kari, obteve um retrocesso de 1,2 quilômetros entre os anos de 1978 a 2008, causando assim uma instabilidade em seu terreno.

Na Antártida, existe uma zona que o ritmo de derretimento das geleiras triplicou nos últimos dez anos.

Uma pesquisa divulgada na COP 20 apontou que desde 2003 o ritmo de derretimento de algumas dessas geleiras localizadas na Antártida subiram para 16,3 bilhões de toneladas ano; dado esse bem preocupante e que deve servir de alerta para o os governantes do nosso planeta.

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