A Copa do Mundo de 2026 começa em 24 dias, no dia 11 de junho, e deve marcar uma virada importante para quem assiste futebol pela TV aberta no Brasil. Além da maior edição da história do torneio, com 48 seleções e jogos nos Estados Unidos, México e Canadá, o Mundial também será usado como vitrine para a chegada da TV 3.0, nova geração da televisão digital brasileira. A competição vai até 19 de julho de 2026.
Isso quer dizer que Copa pode ser o primeiro grande teste público de uma televisão aberta mais próxima da experiência dos streamings, mas sem abandonar a transmissão gratuita por radiodifusão. A promessa envolve imagem em 4K, menor atraso entre o lance real e o que aparece na tela, som mais imersivo, interatividade e integração com internet. A Globo já se prepara para esse novo cenário.
O que é a TV 3.0
A TV 3.0 é o novo padrão da televisão aberta brasileira. Ela foi oficializada pelo governo federal como DTV+ e usa tecnologias baseadas no ATSC 3.0, padrão de nova geração já adotado ou testado em outros mercados. O objetivo é substituir, aos poucos, o modelo atual da TV digital por um sistema mais moderno, com melhor qualidade de imagem, áudio avançado e maior integração com a internet.
A mudança não significa apenas "imagem melhor". A TV 3.0 altera a lógica da televisão aberta. Em vez de depender apenas de canais lineares, o sistema passa a funcionar também com aplicativos, recursos interativos e conteúdos personalizados. O Ministério das Comunicações descreve a tecnologia como uma plataforma híbrida, capaz de combinar o alcance da radiodifusão com os recursos da conectividade à internet.
A mudança mais importante é que a TV aberta deixa de ser apenas aquele sistema de canais lineares e passa a funcionar em uma lógica mais próxima de uma smart TV. O governo define a TV 3.0 como uma integração entre broadcast e broadband, ou seja, entre o sinal de antena e a internet. Isso permite que o usuário veja a programação ao vivo e, ao mesmo tempo, tenha acesso a conteúdos extras, vídeos sob demanda, aplicativos e recursos interativos.
Por que a Copa do Mundo é o momento ideal?
Grandes eventos esportivos costumam acelerar a adoção de novas tecnologias de transmissão. Foi assim com a TV em cores, com o HD, com o 4K e agora deve ocorrer algo parecido com a TV 3.0. A Copa concentra audiência, publicidade, interesse técnico e disposição das emissoras para testar formatos mais avançados.
O Mundial de 2026 também chega em um momento especial para o Brasil. A TV 3.0 já foi regulamentada, os testes experimentais começaram em cidades como Rio de Janeiro e São Paulo, e a expectativa do setor é que os primeiros serviços comerciais sejam iniciados justamente a tempo da Copa.
Isso não quer dizer que todos os brasileiros verão a Copa em TV 3.0 já em junho. A transição será gradual, como ocorreu com a TV digital. No começo, a novidade deve ficar restrita a algumas regiões, emissoras e equipamentos compatíveis. Ainda assim, o torneio será o primeiro grande cartão de visitas da tecnologia.
Globo prepara imagem 4K, baixa latência e som imersivo
A Globo aparece como uma das principais emissoras envolvidas nessa transição. A empresa ampliou sua parceria com a Grass Valley para modernizar sua cadeia de produção ao vivo, com foco em operações baseadas em software, infraestrutura IP e suporte a fluxos em 4K. A própria Grass Valley afirmou que a expansão da infraestrutura da Globo faz parte da preparação para o DTV+, com suporte aos requisitos da TV 3.0.
Outro ponto importante é a baixa latência. Quem assiste futebol por streaming sabe que o atraso pode ser incômodo. Às vezes, o vizinho grita gol antes de o lance aparecer na tela. A TV 3.0 tenta reduzir esse problema ao combinar transmissão terrestre com recursos digitais mais eficientes.
A TV 3.0 não melhora apenas a imagem. O padrão prevê áudio imersivo e mais personalizável. O Ministério das Comunicações cita a possibilidade de o telespectador escolher, por exemplo, entre destacar a voz do narrador ou privilegiar o som ambiente da torcida durante uma partida de futebol.
Naturalmente, esses recursos também dependerão de compatibilidade. Para aproveitar áudio avançado, será necessário que a transmissão, a TV e o sistema de som estejam preparados para isso.
Vou precisar trocar de TV?
Essa é uma das principais dúvidas. A resposta curta é: talvez, mas não necessariamente agora. A TV 3.0 exige compatibilidade com o novo padrão. TVs atuais, mesmo modelos 4K recentes, não necessariamente têm receptor DTV+ integrado. Em muitos casos, será preciso usar um conversor externo, como aconteceu na transição da TV analógica para a digital.
O processo, no entanto, será gradual. A TV digital atual não será desligada de uma hora para outra. A adoção da TV 3.0 deve levar anos, com expansão por cidades, emissoras e equipamentos. A estimativa mencionada pelo setor é de uma transição longa, podendo chegar a mais de uma década até cobertura nacional plena.
Para quem pretende comprar uma TV nova nos próximos meses, vale começar a observar se o modelo menciona suporte a TV 3.0, DTV+ ou ATSC 3.0 adaptado ao padrão brasileiro.
Vai precisar de internet?
Não. Essa é outra das dúvidas mais comuns, e o próprio Ministério das Comunicações já respondeu isso de forma direta: não é necessário ter internet para acessar a TV 3.0. O sinal continua existindo pela antena, de forma aberta e gratuita. A internet entra para habilitar alguns recursos extras, como a interatividade, conteúdo adicional e personalização.
Isso significa que quem não tiver conexão ainda vai conseguir assistir à TV aberta normalmente. A diferença é que os recursos mais avançados, como navegação mais rica, integração com aplicativos e alguns serviços extras, esses sim dependem de conectividade. O governo insiste justamente nesse ponto para evitar a leitura de que a TV 3.0 excluiria quem não tem internet em casa.






