O governo federal decidiu aumentar o imposto de importação sobre mais de mil produtos, incluindo celulares. A medida começou a valer no início de fevereiro e pode elevar a alíquota em até 7,2 pontos percentuais, dependendo do item. A justificativa é a mesma de quando colocou impostos sobre produtos importados: fortalecer a indústria nacional e reequilibrar os preços entre produtos feitos no Brasil e os que vêm de fora.

Segundo o Ministério da Fazenda, o país ainda depende muito de eletrônicos importados, principalmente da China, que responde por quase metade desse mercado.

Quais celulares devem ser afetados?

Dos mais comuns, os modelos da Xiaomi são alguns dos que podem ser afetados. Imagem: Oficina da Net

A mudança não atinge a maior parte dos smartphones vendidos no Brasil. De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, cerca de 95% dos aparelhos comercializados no país são montados aqui mesmo.

Marcas como Samsung, Motorola e Apple já realizam montagem em território nacional. No caso da Apple, por exemplo, a produção é feita pela Foxconn no interior de São Paulo. Isso significa que os modelos vendidos oficialmente por essas empresas não devem sofrer impacto direto da nova tarifa.

Já fabricantes que não montam seus aparelhos no Brasil podem sentir mais o efeito da alta. É o caso da Xiaomi, que trabalha principalmente com importação direta.

Marca Vai ficar mais caro?
Apple Não
Samsung Não
Motorola Não
Xiaomi Sim (não produz no Brasil)
Jovi Não
Realme Não
Oppo Não

Mesmo assim, especialistas lembram que a decisão de compra do consumidor vai além do imposto. Muitos brasileiros ainda optam por importar porque encontram modelos com melhor custo-benefício ou especificações mais avançadas pelo mesmo preço, às vezes até mais baratos, mesmo pagando as benditas taxas.

Quanto pode subir o preço?

Para entender o impacto, imagine um celular importado que custa US$ 600. Com o dólar a R$ 5, ele sairia por R$ 3 mil antes dos impostos. Se a alíquota anterior fosse de 16%, o imposto seria de R$ 480, levando o valor para R$ 3.480.

Com o aumento de até 7,2 pontos percentuais, a taxa pode chegar a 23,2%. Nesse cenário, o imposto subiria para R$ 696, elevando o custo inicial para R$ 3.696. E isso ainda não é o preço final ao consumidor, já que sobre esse valor incidem margem do importador, logística, tributos internos e lucro do varejo.

O cenário fica mais delicado por causa da oferta mundial de memória RAM, componente essencial dos smartphones. A indústria tem direcionado produção para chips mais avançados usados em data centers de inteligência artificial, reduzindo a disponibilidade de memórias tradicionais. Isso pode pressionar custos e, consequentemente, também pode mexer nos preços.

O que o governo espera com isso

O governo estima arrecadar cerca de R$ 14 bilhões extras neste ano com a alta do imposto. O objetivo é ajudar no equilíbrio das contas públicas e incentivar a produção local.

Além dos smartphones, a medida atinge uma longa lista de produtos industriais e tecnológicos, como máquinas, equipamentos médicos, embarcações, tratores e componentes eletrônicos. No fim das contas, quem pensa em importar celular pode precisar refazer as contas.

Com informações do g1