Tempestades em Júpiter expelem amônia na atmosfera

Cientistas acabam de descobrir, com a ajuda do rádio-observatório Atacama Large Millimeter Array (ALMA), que as tempestades de Júpiter expelem amônia na atmosfera.

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Tempestades em Júpiter expelem amônia na atmosfera

Júpiter é famoso por suas tempestades épicas e belas formações de nuvens, que lhe dão uma aparência distinta de qualquer outro planeta do nosso sistema solar. Porém, essas nuvens tornam difícil para os astrônomos ver o que está abaixo da atmosfera do planeta gigante.

Mas uma equipe de astrônomos conseguiu detectar o que está em baixo da atmosfera do planeta usando o Atacama Large Millimeter Array (ALMA), um rádio-observatório constituído por um conjunto de 66 antenas, das quais 54 com 12 metros de diâmetro e as demais com 7 metros de diâmetro.

jupiter amonia alma

Quando uma tempestade ocorre em Júpiter, ela causa variações na atmosfera que afetam as faixas de nuvens marrons e brancas que circunavegam o planeta. Uma tempestade pode ser vista como uma erupção de pequenas nuvens brancas, chamadas plumas. Uma erupção ocorreu no Cinturão Equatorial Sul de Júpiter em janeiro de 2017, e os astrônomos tentaram ver o que aconteceu na atmosfera depois. Eles usaram o ALMA, bem como imagens de luz ultravioleta e visível, além de telescópios infravermelhos para ver diferentes comprimentos de onda durante o período de erupção.

"O ALMA nos permitiu fazer um mapa 3D da distribuição de gás de amônia abaixo das nuvens", disse o Dr. Imke de Pater, pesquisador da Universidade da Califórnia, em um comunicado. "E pela primeira vez, fomos capazes de estudar a atmosfera abaixo das camadas de nuvens de amônia, após uma erupção energética em Júpiter."

A maior parte da atmosfera de Júpiter consiste em hidrogênio e hélio, mas também há quantidades menores de metano, amônia, sulfeto de hidrogênio e água. Em suas investigações, a equipe descobriu que a amônia era a mais ativa durante uma erupção, sendo trazida da superfície para as regiões mais altas. O gás se eleva acima do gelo de amônia, que forma a camada externa das nuvens.

"As observações do ALMA são as primeiras a mostrar que altas concentrações de amônia são geradas durante uma tempestade", disse o Dr. Pater. "A combinação de observações simultaneamente em muitos comprimentos de onda diferentes nos permitiu examinar a erupção em detalhes. Isso nos levou a confirmar a teoria atual de que as plumas energéticas são acionadas por convecção úmida na base das nuvens de água, que estão localizadas profundamente na atmosfera. As plumas trazem gás de amônia das profundezas da atmosfera para grandes altitudes, bem acima do convés principal da nuvem de amônia."

Os resultados do estudo serão publicados no ArXiv.

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Priscilla Kinast
Priscilla Kinast Estudante de Ciência e Tecnologia na UFRGS - Universidade Federal do RS, apaixonada por inovações tecnológicas, mistérios da ciência, bem como filmes e séries de ficção científica
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