Neutralidade da rede o que é?

A neutralidade da rede (ou neutralidade da Internet, ou princípio de neutralidade) significa que todas as informações que trafegam na rede devem ser tratadas da mesma forma, navegando a mesma velocidade. É esse princípio que garante o livre acesso a qualquer tipo de informação na rede.

Por | @oficinadanet Hardware

A neutralidade da rede (ou neutralidade da Internet, ou princípio de neutralidade) significa que todas as informações que trafegam na rede devem ser tratadas da mesma forma, navegando a mesma velocidade. É esse princípio que garante o livre acesso a qualquer tipo de informação na rede.

É uma filosofia que prega basicamente a democracia na rede, permitindo assim acesso igualitário de informações a todos, sem quaisquer interferências no tráfego online. Essa foi a concepção inicial da Internet, permitindo transferência de dados entre pontos (End-to-End), sem qualquer discriminação. Entretanto, certas práticas dos provedores de serviços da Internet (ISPs) e provedores de largura de banda da Internet (IBPs), pontos importantes no desenvolvimento da Internet, originaram o debate sobre a neutralidade da rede. Como exemplos dessas práticas podemos citar: aplicações em tempo real; difusão de aplicações que usam muita largura de banda (P2P), (que demandam maior investimento no desenvolvimento da rede e que são incompatíveis com os modelos de cobrança dos provedores); o uso crescente de redes sem fio domésticas (que permitem compartilhamento da conexão com vizinhos, reduzindo as receitas dos provedores). Visando proteger seus interesses econômicos, muitos ISPs introduziram práticas que usuários acham ilegais ou prejudiciais para o futuro da internet, principalmente o chamado “traffic shaping”. ISPs tentam evitar que usuários usem roteadores sem fio, usem VOIP e programas de compartilhamento de arquivos. Além disso, alguns ISPs bloqueiam acesso a certos sites e filtram e-mails que contêm críticas sobre eles.

Neutralidade da rede em países desenvolvidos e em desenvolvimento


Nos EUA os adeptos da neutralidade têm feito esforço para a aprovação da lei da neutralidade da rede, argumentando que a Internet foi idealizada para fornecer liberdade e ser democrática. O problema da neutralidade da rede é bem mais sério em países em desenvolvimento do que nos países desenvolvidos. Uma das principais razões para isso é a grande tendência ao monopólio e a preços elevados, já que os usuários desses países frequentemente dependem de um ISP, tornando assim o risco de concentração de mercado muito mais alto. A companhia de telecomunicação monopolista ou líder é também o ISP líder, o que reduz a competição para serviços. Além disso, não existe garantia de que rendas obtidas com serviços sejam direcionadas para o desenvolvimento de todos. Questiona-se se o dinheiro vai para IBPs transnacionais interessados em construir uma Internet onde for mais rentável, o que exclui os países em desenvolvimento. Outro prejuízo que os países em desenvolvimento sofrem é que suas companhias não podem pagar uma taxa extra aos IBPs para garantir acesso aos seus sites. Isso pode levar aos sites de firmas, universidades e agências de países desenvolvidos, formando parte de uma internet VIP. E os países em desenvolvimento perdem mercado. Mais importante que o problema da neutralidade é o problema de acesso. Web sites que não podem pagar são acessados a baixas velocidades, ou nem o são. Provedores de serviço podem, por exemplo, descartar Web sites que não os agradem.

Argumentos dos oponentes à neutralidade da rede


Inovação e investimento
Prioridades na rede são necessárias para futuras inovações na Internet. Todo serviço de comunicação concorda que deve haver tratamento diferenciado para quem exige maior ou menor rapidez de transporte de seus dados, o que implica preços diferenciados. A neutralidade da rede não ofereceria incentivos para inovação e competição no mercado, já que os ISPs não ganhariam nada com seus investimentos. Por exemplo, não haveria incentivo para se investir em redes de fibra óptica se as companhias não pagassem para ter suas vantagens.

Influência do servidor
A Internet já não é neutra, uma vez que grandes companhias obtêm melhor performance do que competidores menores, pois as primeiras usam servidores replicados e compram serviços de banda maior. O preços variarem de acordo com as necessidades de cada padrão de indivíduo e corporação é aceitável : um Web site que deseja maior rapidez de dados, por exemplo para comunicação em tempo real, pagará mais. Esse sistema, chamado pelo Google de "broadband neutrality", realmente é a causa da maior desigualdade.

Disponibilidade de banda
Desde a década de 1990 o tráfico na internet tem crescido demais. Em meados de 1990 houve a chegada de websites com várias fotos e MP3; em 2003 chegaram os streaming de vídeo e compartilhamento P2P . Sites como o YouTube e outros menores começando a oferecer conteúdo livre de vídeo, passaram a usar grande quantidade de banda. Alguns provedores de internet, como o SBC Communications, sugeriram que tinham o direito de cobrar para disponibilizar seus conteúdos. Alegou-se que os YouTube, MySpace e blogs eram colocados em risco pela neutralidade da rede. O YouTube utiliza mais dados em três meses do que o rádio e televisão no mundo em um ano. A neutralidade da rede limitaria a quantidadde de banda disponível, colocando em risco a inovação.

Oposição à Legislação
Muitos políticos questionam a habilidade do governo de regular a Internet de forma a causar avanço e não problemas. A legislação convencional torna difícil para os provedores de internet tomar ações necessárias como filtrar informações para prevenir ataques do tipo denial of service, prevenção da dissemimação de vírus e filtragem de spams. Alguns pontos da legislação tornam ilegais a priorização dos pacotes baseados em critérios que diferem dos pré-fixados. Partes recentes da legislação, como "The Internet Freedom Preservation Act of 2009", tentam resolver estes problemas, excluindo do controle da lei certos pontos que regulam o gerenciamentos da rede.


Argumentos dos favoráveis à neutralidade da rede



Direitos digitais e Democracia
A neutralidade da rede assegura que a Internet permita uma tecnologia livre e aberta, possibilitando uma comunicação democrática. Todo conteúdo da internet deve ser tratado igualmente e distribuído na mesma velocidade, sem qualquer tipo de discriminação (princípio End-to-End). Esta é a arquitetura simples e brilhante da Internet que a tem feito uma força econômica e socialmente poderosa. Sob esse ponto de vista é dita uma internet "burra". Mas uma nova filosofia e arquitetura para a rede estão substituindo esta visão para a de uma rede inteligente, onde as redes de comunicação públicas seriam desenvolvidas para estarem sempre ligadas, sem intermitência ou escassez. A inteligência estaria no dispositivo do usuáro final e não na rede.

Controle de dado
Os favoráveis à neutralidade da rede acham que as companhias de cabo, devem fornecer acesso livre de seus cabos aos ISPs, modelo que era usado nas conexões discadas. Eles querem garantir que que as companhias de cabo não possam interromper ou filtrar conteúdo sem uma ordem judicial. Assim, as companhias de cabo e telecomunicaçao não poderão ser controladores, decidindo quais sites serão rápidos ou lentos ou nem carregarão,ou seja, não poderão priorizar seus próprios serviços enquanto diminuem a velocidade ou bloqueiam seus competidores".

Competição e Inovação
Permitir que as companhias de cabo cobrem uma taxa para garantir qualidade da entraga do conteúdo criaria o que Tim Wu chama de um modelo injusto. Cobrança de cada site, seja ele um blog ou o Google, poderá bloquear sites de serviços de competidores e também impedir acesso aos que não podem pagar. Permitir tratamento preferencial no tráfego colocaria companhias mais recentes em desvantagem e atrasaria as inovações em serviços on-line, que sempre dirigiram a Internet. Segundo Lawrence Lessig e Robert W. McChesney, sem a neutralidade, a Internet seria como uma televisão a cabo, onde algumas companhias acabam por controlar o que você vê e o quanto você paga. A neutralidade da rede minimiza o controle, maximiza a competição e estimula a inovação, garantindo o mercado livre e competitivo.

Preservando os padrões da Internet
Alguns acham que autorizar aos provedores da rede a separar o transporte e aplicação em camadas da Internet acarretará no declíneo dos padrões fundamentais da Internet. Sugerem que qualquer prática que forma a transmissão de bits na camada de transporte baseada na aplicação prejudicará a flexibilidade do transporte.

Preservando os pseudo-serviços
Alok Bhardwaj argumenta que qualquer violação à neutralidade da rede não involverá investimento, ao contrário, acarretará em pagamentos por serviços desnecessários e duvidosos. Ele não acredita que investimentos serão feitos para fornecer a usuários serviços mais rápidos, e sim que a não neutralidade objetivaria remuneração por parte de sites que desejam maior rapidez do que outros.

Fonte: Wikipedia

Mais sobre: rede, internet, oquee
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