Operadoras e trabalhadores não são a favor ao bloqueio de celular em presídios

Projeto de lei segue em processo de tramitação urgente para implementação de bloqueadores de sinal dos aparelhos celulares em penitenciarias no Brasil.

Por Smartphones Pular para comentários
Operadoras e trabalhadores não são a favor ao bloqueio de celular em presídios

Em tramitação no Congresso Federal, o projeto de lei 470/2018, determina que as operadoras devem instalar equipamentos que sejam capazes de bloquear os smartphones nos presídios brasileiros. Contudo, o PLP que já foi aprovado no Senado e segue em tramitação com regime de urgência, não agradou as operadoras e trabalhadores.

A não concordância das empresas de telecomunicações e dos funcionários com o PLP, se deve pelo fato de que vai trazer muitos transtornos. Em nota, a Febratel, que reúne sindicatos patronais do setor, ressaltou que "o projeto de lei que quer atribuir ao setor a obrigação de instalação e manutenção de bloqueadores de sinais de celular em presídios, vai trazer mais transtornos que benefícios à sociedade".

Operadoras e técnicos não são a favor da implementação de bloqueio de celular nos presídiosOperadoras e técnicos não são a favor ao projeto

Enquanto isso, o presidente da Fitratelp e Sintel-PI, João de Moura Neto, levantou a questão de que a instalação de redes seria altamente perigosa para os trabalhadores, em que em muitos locais os técnicos são transformados em alvos e que teme fasções criminosas. "Há regiões das cidades que vamos já com a certeza de que vão roubar o celular, o notebook, a máquina de fusão. O Estado falha em proteger o trabalhador do setor, que é assaltado todo dia. E querem agora que entremos no presídio para instalar os equipamentos. Ficaremos muito expostos, sem segurança alguma, nós que sofreremos com ameaças e retaliações do crime organizado".

Por outro lado, de acordo com o projeto de lei, os recursos seriam originados do fundo penitenciário para a instalação dos bloqueadores de sinais, mas mesmo assim, as operadoras deverão arcar com a mão de obra.

Confira abaixo o comunicado conjunto publicado integralmente na segunda-feira (02) pelas federações

"Federações que representam trabalhadores e empresas de telecomunicações vêm a público expressar sua preocupação com o projeto de lei que quer atribuir ao setor a obrigação de instalação e manutenção de bloqueadores de sinais de celular em presídios.

Responsabilizar as empresas e os milhares de técnicos por essa tarefa é colocar vidas em risco. Não se pode obrigar trabalhadores a entrar num presídio, sem formação específica, treinamento para situações de rebelião e proteção especial. Em outros países, como Estados Unidos, Canadá, Chile e Itália, há empresas e técnicos especializados nisso.

Os recentes atentados criminosos no Ceará mostram o quanto a tarefa de bloqueio envolve riscos. Há dois anos, também no Ceará, instalações de telefonia foram incendiadas quando se tentou interromper o sinal num presídio. "Essa ação é uma represália pela instalação de bloqueadores nos presídios", ameaçaram os criminosos.

Que garantias terão trabalhadores, suas famílias e empresas de que esse tipo de ataque não voltará a ocorrer por todo o País se aprovado o projeto pelo Legislativo?

A segurança pública é um dever do Estado.

Trabalhamos para massificar serviços de telecomunicações e garantir a qualidade de seu funcionamento.

Essa é a nossa missão, essa é a nossa vida."

 

O bloqueador de sinal não é a melhor solução técnica para ser empregada, comentou João de Moura Neto, que na sua opinião, embaralha os sinais de comunicações móveis que ficam próximos do presídio, em um raio pré-definido. Com isso, quem vive próximo de um presídio também será afetado. "Não serve para nós, nem para a população, e disfarça o real problema, que é a corrupção nos presídios. Como evitar que o celular entre é que eles devem se perguntar. No nosso entendimento, o bloqueador é a solução rasteira, do menor esforço"

Desta maneira, as unidades poderiam apenas contar com um telefone fixo para comunicação externa, uma vez que o bloqueador de sinal atingiria aos arredores e aos aparelhos dos agentes penitenciários.

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Fernanda Beling
Fernanda Beling Administradora, apaixonada por tecnologia. Amante de livros, séries e filmes.
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