Existem poucas franquias que conseguem acompanhar uma geração inteira. Para mim, Toy Story é uma delas. O primeiro filme nasceu em 1995, exatamente no ano em que eu nasci. Cresci junto com Woody, Buzz e toda aquela turma. Sei praticamente todas as falas dos primeiros filmes de cor, tenho uma coleção de DVDs, VHS, brinquedos e outros itens da franquia. Meus brinquedos de infância continuam comigo até hoje.
Por isso, assistir a um novo Toy Story nunca é apenas assistir a uma animação. É revisitar uma parte da minha própria vida.
Os dois primeiros filmes continuam sendo os meus favoritos. O primeiro tem um peso enorme pela nostalgia e pela simplicidade da história. Já o segundo expandiu aquele universo de forma brilhante, apresentou Jessie, Bala no Alvo, O Mineiro, o pinguim Wheezy, a Barbie Guia e pela primeira vez vemos o Zurg. Além disso, esse filme tem uma das cenas mais emocionantes da franquia e toda a Pixar com a cena da Jessia ao som de "Quando Ela Me Amava".
Mas foi Toy Story 3 que colocou um ponto final perfeito nessa jornada. Em 2010, quando o filme chegou aos cinemas, eu tinha 15 anos. Já não brincava mais com meus brinquedos, mas eles ainda estavam no meu quarto. Ainda faziam parte de quem eu era. Ver Andy entregar Woody e seus amigos para Bonnie foi como encerrar também uma fase da minha vida. Até hoje considero aquele um dos finais mais perfeitos da história do cinema de animação.
Por isso, nunca senti que Toy Story precisava continuar.
Toy Story 4 já parecia um epílogo
Gostei de Toy Story 4, mas nunca tive a sensação de que ele era realmente necessário. Parecia muito mais uma oportunidade de continuar aproveitando uma marca extremamente popular do que uma continuação indispensável.
O foco mudou completamente. Bonnie nunca teve o mesmo peso emocional que Andy, vários personagens clássicos praticamente desapareceram e a franquia começou a se adaptar muito mais às crianças daquela geração do que aos fãs que cresceram acompanhando aqueles brinquedos.
Ainda assim, era um filme divertido.
Toy Story 5 melhora em alguns pontos...
Confesso que entrei no cinema esperando pouco. No fim das contas, saí satisfeito.
Toy Story 5 não consegue alcançar a emoção dos três primeiros filmes, é verdade, mas até que entrega uma boa história. O grande destaque, para mim, é Jessie. Finalmente ela recebe um desenvolvimento maior, algo que muitos fãs esperavam desde sua estreia em Toy Story 2.
Ela sempre foi uma personagem carismática, mas raramente ocupou o centro da narrativa. Aqui isso muda, e funciona muito bem.
Também gostei bastante da nova personagem Lilypad. Em nenhum momento senti que ela existia para substituir Woody ou Buzz. Pelo contrário: o filme mostra justamente que existe espaço para todos.
O que realmente me conquistou em Toy Story 5 foi sua mensagem. Muita gente resume o filme como uma crítica aos celulares e tablets. Eu vejo de outra forma. O filme não demoniza a tecnologia. Ele mostra que ela tem seu espaço.
Mas precisamos ser honestos em dizer que o filme também lembra algo que muitos pais parecem estar esquecendo hoje em dia: brinquedos existem para brincar. Imaginar. Criar histórias. Inventar mundos.
Hoje é comum ver crianças pequenas recebendo um tablet ou um celular para ficarem quietas enquanto os adultos fazem outras coisas. O problema não é o aparelho em si. O problema é quando ele substitui completamente as brincadeiras.
Toy Story 5 dá praticamente um puxão de orelha nisso. Mostra que existe um mundo inteiro fora das telas e que brincar continua sendo uma das partes mais importantes da infância. Na minha visão, essa é uma das mensagens mais relevantes que a Pixar entregou nos últimos anos.
Ainda assim, meu Toy Story termina em 2010
Gostei do filme. Gostei da história. Gostei da mensagem. Mas, emocionalmente, ele nunca chega perto dos três primeiros. Talvez porque meu Toy Story tenha acabado quando Andy foi para a faculdade.
Ali não terminou apenas a história dele. Terminou também uma fase da minha vida. Tudo o que veio depois parece mais um bônus do que uma continuação necessária.
Vai existir Toy Story 6?
Se eu tivesse que apostar, diria que sim. A própria cena pós-créditos deixa algumas portas abertas envolvendo os Buzz Drones e Zurg. Considerando toda a construção recente da franquia, faz sentido imaginar que um próximo filme volte seus holofotes para Buzz Lightyear.
Se Toy Story 4 foi, de certa forma, o filme de Woody, e Toy Story 5 dá muito espaço para Jessie, um sexto capítulo naturalmente poderia colocar Buzz no centro da história. A Pixar dificilmente deixaria esse caminho aberto por acaso.
Vale a pena assistir Toy Story 5?
Sim. Especialmente para quem cresceu com Toy Story. Só acho importante entrar no cinema entendendo que este não é o Toy Story da época de Andy. É uma nova fase da franquia, com novos temas, novos conflitos e um público diferente. Ainda prefiro revisitar os três primeiros filmes quando quero sentir aquela magia que marcou minha infância.
Mas fico feliz em ver que, mesmo depois de tantos anos, Toy Story ainda consegue lembrar algo que nunca deveria sair de moda: nenhuma tela substitui a imaginação de uma criança.






