O fim do mundo sob olhar dos cientistas: eventos apocalípticos

O fenômeno 2012, uma série de crenças de que eventos cataclísmicos ou transformações irão ocorrer no dia 21 de dezembro de 2012. As teorias são muitas e, felizmente, a grande maioria é cientificamente infundada.

Por | @oficinadanet Ciência

O fenômeno 2012, uma série de crenças de que eventos cataclísmicos ou transformações irão ocorrer no dia 21 de dezembro de 2012. As teorias são muitas e, felizmente, a grande maioria é cientificamente infundada. Aqui discutiremos algumas dessas teorias e explicaremos o motivo do porque essas teorias são, provavelmente falsas.

Explosões solares

Em muitas teorias apocalípticas o Sol possui papel fundamental, sendo muitas vezes ele próprio o agente causador do fim do mundo. Aqui vamos analisar a teoria de que o Sol está entrando em um período de intensa atividade e as explosões oriundas desta atividade trarão muitos impactos para o planeta Terra, podendo levar a extinção de toda vida do planeta. Mas, antes disto, vamos entender o que realmente acontece com Sol.

Em 1843 o astrônomo alemão Samuel Heinrich Schwabe, após 17 anos de observação, descobriu uma variação periódica no número de manchas solares o que posteriormente levou a conclusão de que o Sol passa por ciclos, hoje conhecidos como ciclos solares. Devido a registros precisos da atividade solar, pode-se calcular que cada ciclo apresenta em média 11 anos de duração, contudo ciclos de 9 e 14 anos já foram observados. Cada um destes ciclos apresenta um período de maior e menor atividade, que são conhecidos como máximo e mínimo solar, respectivamente.

Durante o período de máximo solar, o Sol passa por uma intensa atividade magnética o que aumenta seu número de manchas solares, luz irradiada e raios UV. Por razões ainda não completamente entendidas, durante esses períodos as estruturas magnéticas na corona do Sol perdem a estabilidade mais facilmente e levam a formação de eventos conhecidos como ejeções de massa coronal (EMC). Esses eventos ocorrem devido à libertação repentina de grande quantidade de energia magnética que resulta na liberação de grande quantidade de raios UV, raios X e partículas energéticas.

Em 2006 a NASA afirmou que esperava um período de máximo solar era esperado para 2010 ou 2011. Contudo, estudos mais recentes projetam esse período para começar apenas em 2013. Mesmo com dados e análises mais modernas, é impossível determinar quando um ciclo solar começa e termina. Este não é um processo que ocorre do dia para a noite e portanto não pode ser calculado com extrema precisão.

Se uma EMC de proporções catastróficas ocorresse tendo a Terra em seu caminho o que poderia ocorrer? Bem, sabe-se que tais fenômenos têm impactos nos aparelhos eletrônicos que devido à grande quantidade de partículas energéticas, podem sofrer curtos-circuitos. Contudo nem todo dano causado a esses aparelhos é permanente, isso depende muito do aparelho em questão. Mas basta que os aparelhos estejam desligados que nenhum dano ocorrerá.

Sabe-se que, em geral, as EMC demora por volta de três dias para alcançar a Terra. A luz demora aproximadamente 8 minutos mas as EMC demoram mais pois não estão viajando na velocidade da luz. Como hoje em dia possuímos telescópicos e satélites vigiando o Sol 24 horas por dia, conseguiríamos detectar uma EMC com quase três dias de antecedência e poderíamos desligar os aparelhos eletrônicos, evitando assim qualquer problema.

Alinhamento Cósmico

Essa teoria em particular está sendo muito discutida, principalmente em programas de televisão. Um alinhamento entre os planetas do sistema solar, um alinhamento entre o Sol e o centro da galáxia são alguns dos alinhamentos que, de acordo com algumas pessoas, acarretaria em mudanças para a vida na Terra.

Os cientistas afirmam categoricamente que, no dia 21/12/2012 não existe nenhum alinhamento de qualquer tipo previsto. Atualmente existem simulações de computador capazes de calcular a posição dos planetas em qualquer data desejada. Essas simulações são usadas, por exemplo, para enviar sondas para algum planeta e sua acurácia é fantástica. Assim, se nenhum alinhamento planetário foi previsto então é porque ele realmente não existe.

Mas agora suponha que tal alinhamento dos planetas realmente exista. Quais as conseqüências para nós? Bem, além de durar poucos minutos, esse alinhamento não traria conseqüência nenhuma. As forças gravitacionais somadas não seriam capazes de influenciar a vida no planeta como afirmam.

O alinhamento que comentamos antes, aquele do Sol, da Terra e do centro da galáxia realmente ocorrerá. A única coisa é que esse suposto alinhamento especial ocorre todo ano. A Terra orbita o Sol e portanto, se ligarmos o centro da galáxia com o Sol através de uma linha imaginária, a Terra irá obrigatoriamente passar por essa linha duas vezes por ano, ou seja, existem dois alinhamentos desse tipo todo ano. Ele não é especial de forma alguma e sua influência sobre a vida no planeta, até onde se sabe, é totalmente inexistente. 

Inversão dos polos magnéticos da Terra

De acordo com algumas teorias, uma inversão do campo magnético da Terra ocorrerá, devastando assim qualquer forma de vida na superfície do planeta. Antes de podermos discutir essa idéia precisamos primeiro entender um pouco mais sobre o campo magnético da Terra.

O campo magnético, ou geomagnético da Terra é um campo magnético que envolve a Terra. Possui seu pólo norte magnético próximo ao pólo sul geográfico e seu pólo sul magnético próximo ao pólo norte geográfico. Sua extensão se compreende por milhares de quilômetros no espaço e sua idade foi calculada em aproximadamente 3,5 bilhões de anos (sua formação correu aproximadamente 500 milhões de anos após a formação da própria Terra).

A atual teoria que explica a formação de campos magnéticos em corpos celestes é conhecida como teoria dínamo. Essa teoria sustenta que processos como a rotação do corpo celeste, eletrização (por atrito) e suas propriedades químicas (como ter muito ou pouco ferro) entre outras coisas podem criar e manter um campo magnético gigante. Essa mesma teoria prevê a inversão dos campos magnéticos destes corpos contudo ela é um processo extremamente lento que pode demorar milhares de anos para ocorrer.

Assim, apesar dos mecanismos geradores do campo magnético da Terra ainda serem, em parte, misteriosos, sabemos com certeza que a inversão desse campo demoraria algum tempo e não ocorreria do dia para a noite. Sendo assim, efeitos drásticos sob a vida do planeta não correrão pois a mudança é gradual. Além disso, há evidências de que uma inversão dos pólos magnéticos já ocorreu antes e, até onde se sabe, a inversão não trouxe nenhum tipo de prejuízo ou dificuldade para as formas de vida existentes no planeta. Portanto parece razoável dizer que o fim do mundo não aconteceria devido a uma inversão dos pólos magnéticos da Terra.

Planeta Nibiru (ou Planeta X)

Essa é uma teoria que você já deve ter ouvido falar: Nibiru ou Planeta X, um suposto planeta cuja existência já era conhecida pelos Maias irá entrar no sistema solar e levar à destruição da Terra. Mas o que os cientistas dizem sobre isso?

Bem, inicialmente a comprovação da existência (ou não) de Nibiru é simples. Se um planeta, por menor que seja, chegasse próximo ao sistema solar ele poderia ser facilmente detectado por telescópicos profissionais e amadores. Ainda mais se Nibiru for, na verdade, uma anã marrom como alguns afirmam. Nibiru deveria ser um dos objetos mais brilhantes do céu noturno. O que, na realidade, não acontece.
A NASA jamais observou mudança alguma. Nada surgiu nem desapareceu do céu noturno que se tenha notícia. Assim, a resposta dos cientistas quanto a esse aspecto é bem simples: não há evidência alguma da existência de tal planeta. Ele jamais foi observado e seu efeito gravitacional (que seria notável) não pôde ser observado. A conclusão mais óbvia é que tal planeta não existe.

Alguns acreditam que a NASA está conspirando, escondendo informações do público a respeito do Planeta X, procurando assim evitar alarmar as pessoas. Coloco aqui as palavras de Don Yeomans, um cientista do Laboratório de Propulsão de Jatos da NASA que disse o seguinte sobre o assunto:

“Tem gente que acredita que a NASA está escondendo essas informações. Mas existem milhares de astrônomos fora da organização que olham para os céus todas as noites. Com certeza, eles teriam notado essa movimentação”.

Bibliografia

http://www.nasa.gov/topics/earth/features/2012.html
http://www.nasa.gov/topics/earth/features/yoemans20091110.html
http://www.badastronomy.com/bad/misc/planetx/nutshell.html
http://solarscience.msfc.nasa.gov/predict.shtml
http://ciencia.hsw.uol.com.br/dez-teorias-conspiracao2.html

Mais sobre: ciência fim do mundo explosão solar
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