Sírius: A nova expectativa brasileira

Após o artigo anterior, no qual eu me referi à nossa mais nova estrela, o acelerador de partículas que irá se chamar Sírius, fiquei muito entusiasmada e tentada a procurar mais investimentos na área científica no Brasil e descobri outro grande investimento: o submarino nuclear.

Por | @cibelesidney Ciência

É um sonho desde 1970, mas foi em 2010 que o sonho começou a se tornar realidade e, para que isso se tornasse realidade, foi feita uma parceria com a França. Você deve estar lendo esse texto e se perguntando: Mas qual a importância de um submarino nuclear, se não temos guerras (ainda bem)? Realmente não temos guerras aqui, mas temos um bem precioso, a Amazônia Azul, segundo o Ministério da Defesa. O nome Amazônia Azul, cunhado pela Marinha, designa a imensa região marítima contígua à costa brasileira, cujos potenciais estratégico e econômico assemelham-se ao da Amazônia verde. Para mais detalhes acesse aqui http://www.naval.com.br/blog/tag/amazonia-azul/.

Pela Amazônia Azul circulam 95% do nosso comércio exterior e de lá são extraídos aproximadamente 90% da produção do petróleo brasileiro - além de intensa atividade pesqueira. Estão sendo construídos em uma área de 750 mil metros quadrados, no município de Itaguaí, Baixada Fluminense, um estaleiro e uma base naval. Como explica o coordenador do programa de submarinos, almirante Gilberto Max Hirschfeld: “Toda a transferência de tecnologia, de construção, tudo isso vem dos franceses, exceto a parte nuclear, que é inteiramente brasileira".

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Marinha do Brasil

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O Centro Tecnológico da Marinha de São Paulo desenvolveu um programa de tecnologia nuclear onde criaram um protótipo de reator nuclear para um submarino nuclear. O Brasil pretende construir cinco submarinos, quatro convencionais e um nuclear, para patrulhamento,  e a marinha espera que esteja pronto em 2025 (Fonte G1). Aposto que muitos desconheciam essa informação, não é mesmo? E as informações não terminam aí: com isso, o Brasil entraria para o ranking dos países que dominam a tecnologia nuclear, como a China, os Estados Unidos, a França, a Inglaterra e a Rússia.

O primeiro submarino nuclear, construído em 1954, chamava-se USS Nautilus e ficava somente quatro horas submerso sem precisar emergir. Hoje as coisas mudaram e muito e a diferença entre os submarinos convencionais e os nucleares é muito grande. Além do combustível, que nos submarinos convencionais costuma ser o óleo diesel, eles precisam emergir com frequência para recarregar suas baterias e, para que isso seja feito, posicionam-se próximos à superfície do mar, deixando à mostra o que chamam de “esnorquel”, tornando-se vulneráveis e facilmente detectados pelos radares. Afinal, se um submarino vai ser utilizado para proteger e investigar, ele teria que ficar (totalmente) oculto, não é mesmo?

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Com o submarino nuclear, a situação é bem diferente, a começar do combustível que, como o próprio nome sugere, constitui-se de urânio altamente enriquecido. Assim, além da energia gerada ser muito maior, o que faz o submarino se mover com uma velocidade altíssima, não precisa emergir para recarregar e podem ficar muitos anos (até 25 anos) sem precisar reabastecer.

Um dos questionamentos que eu fiz ao físico nuclear Hélio Takai, que hoje leciona e reside em Nova Iorque, foi se a água que sai para gerar a vaporização e a energia seria uma água contaminada, já que há uma grande preocupação sobre os riscos da energia nuclear ao meio ambiente e às pessoas. Ele responde: “A não ser que a água entre em contato com material radioativo, ela não é contaminada. O reator é utilizado para gerar eletricidade em um circuito fechado, com o vapor também neste circuito. A água de fora é utilizada para resfriar o vapor através de um trocador de calor, e não entra em contato com o vapor.” Depois dessa resposta fiquei bem mais tranquila e contente, afinal os benefícios gerados serão enormes, inclusive sociais.

Para terminar, além de um desenvolvimento tecnológico indiscutível, inclusive na área educacional, o programa nucelear ajudará o Brasil a desenvolver, futuramente, os seus próprios projetos e essa parceria com a França possibilitará a ida de engenheiros para se especializem fora do Brasil. Mas ainda estamos com alguns problemas e um deles é a falta de profissionais, pois o Brasil começa a entrar num outro patamar e começamos a evoluir, tecnologicamente falando. Como diz José Roberto Piqueira, vice-diretor da Escola Politécnica da USP: “Há uma necessidade urgente de reposição e de formação de novos profissionais” e, justamente pensando nisso, a USP irá abrir em 2013 um curso de graduação em Engenharia Nuclear, ao lado do centro da Marinha, em Iperó. Resumindo tudo, a área de ciências da natureza promete ser bem promissora para quem quer seguir uma carreira bem sucedida.

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