Você já segurou um mouse e sentiu que ele estava grande demais pra sua mão? Que os botões laterais ficavam longe, que a palma sobrava? Pois é exatamente esse o problema que a Logitech resolveu aqui. Por anos a galera pediu uma versão menor do PRO X SUPERLIGHT, e a marca enrolou. Agora chegou o 2c, e a promessa é entregar o mesmo desempenho do SUPERLIGHT 2 num corpo menor e ainda mais leve.

Eu usei esse mouse por quatro meses como meu mouse para jogos. E nesse review eu vou te contar se a Logitech conseguiu encolher o mouse sem cortar nada importante, ou se sobrou alguma decepção pelo caminho.

Design e Construção

Design Superlight 2c

Olhando rápido, o SUPERLIGHT 2c é idêntico aos outros da família. Corpo simétrico, voltado pra destros, plástico sóbrio, sem firula. São os botões principais, dois laterais e a roda de rolagem com clique. Nada de macro físico, nada de RGB, só uma luzinha de LED que serve como indicador de bateria e de DPI. Pra mim, isso é um acerto. Quem compra um mouse desse não quer enfeite, quer performance.

O grande detalhe está nas medidas. O 2c tem 118,4 x 61,2 x 38,6 mm e pesa só 51 gramas, contra os 125 x 63,5 x 40 mm e 60 gramas do modelo tradicional. No papel parece pouca diferença. Na mão, a história muda. O mouse é perceptivelmente menor e mais leve, e depois de quatro meses eu confirmo: aquele meio grama a mais ou a menos faz diferença real no longo prazo. O 2c some na mão de um jeito que o SUPERLIGHT 2 normal não consegue.

Pegada

Agora, preste atenção nesse ponto porque é decisivo. Esse mouse não é pra todo mundo. Se você tem mãos grandes ou usa a pegada palm (aquela em que a palma inteira encosta no mouse), vai sentir falta de espaço. O 2c brilha mesmo nas pegadas claw e fingertip. Eu me adaptei bem, mas conheço quem não conseguiu. Então, sinceramente, mede sua mão antes de comprar.

Construção

A construção é de primeira. Mesmo sendo todo de plástico, não tem chiado, não tem flex, não tem barulho ao chacoalhar. Os cliques têm boa resistência, talvez até pesados demais pra quem gosta de clique leve, mas são gostosos e tateáveis. E aqui vai um elogio importante: a roda de rolagem ficou mais firme que a do SUPERLIGHT 2, com transições mais marcadas entre os estágios.

Pés

Os pés de PTFE também deslizam melhor que nos modelos anteriores, foi a coisa que mais me surpreendeu no uso longo. Saiu de fábrica liso e continuou liso.

Na caixa

Na caixa vêm o dongle, cabo USB-C, pano de microfibra, adesivos pra melhorar a pegada e uma tampa adicional com pé de PTFE. Confesso que senti falta de pés sobressalentes, ainda mais num produto desse preço.

Desempenho e Recursos

Aqui está o coração do produto, e é onde a Logitech não economizou. O 2c usa o mesmo sensor do irmão maior, e na prática isso significa uma coisa só: não existe movimento rápido o suficiente pra ele errar. É preciso do começo ao fim, não tem o que melhorar.

Joguei especialmente Battlefield 6, e o mouse foi ágil e certeiro sem me obrigar a fazer movimento exagerado. O formato menor, na minha experiência, até ajudou na mira, porque o tamanho ficou mais adequado à minha mão.

Taxa de transmissão sem fios

Mas vou ser honesto com você sobre a tal taxa de resposta de 8.000 Hz, aquele número que a Logitech vende como diferencial. No meu monitor de 144 Hz eu não senti diferença nenhuma. E isso é esperado: pra sentir esse ganho de verdade, você precisa de uma tela de 240 Hz ou mais. Então, se você joga num monitor comum, não compre esse mouse achando que esse recurso vai te transformar num pro player, porque não vai.

E aqui está a falha que mais me incomoda. Quando você usa o mouse com fio, essa resposta cai pra um nível bem mais básico. Num mouse premium que custa o que custa, isso é difícil de engolir, ainda mais quando tem concorrente importado entregando o recurso completo no cabo. A Logitech provavelmente cortou pra manter o peso baixo, mas continua sendo um ponto fraco.

GHUB configurando o Superlight 2c

Toda a configuração é feita pelo Logitech G HUB. O app ficou mais bonito, mas continua intimidador. São menus e mais menus, e pra quem não tem paciência pode ser confuso. Por outro lado, ele entrega muita coisa: macros combinando teclado e mouse, modo 100% óptico ou híbrido das switches, ajuste fino de DPI por eixo e cinco perfis salvos na memória interna do mouse, o que é ótimo pra usar o periférico em outro PC sem perder suas configs.

Bateria

Pra um mouse tão pequeno, a bateria me surpreendeu. Rodando a 1.000 Hz, ele aguenta perto de 19 dias de uso antes de pedir carga. Subindo pra 8.000 Hz, cai pra quase 7 dias, o que ainda é respeitável diante de concorrentes que duram menos nas mesmas condições.

A recarga é via USB-C e é rápida, pouco mais de uma hora pra ir do zero aos 100%. E dá pra continuar usando enquanto carrega, só lembrando do detalhe chato: no fio, o polling cai pra 1.000 Hz.

Conclusão

Logitech G PRO X SUPERLIGHT 2c
8.5
Prós
  • Construção impecável, sem flex ou chiado mesmo sendo todo de plástico
  • Apenas 51 g, mais leve e compacto que o SUPERLIGHT 2 tradicional
  • Sensor HERO 2 de fim de jogo: 44.000 DPI, 888 IPS, 88 G
  • Polling de até 8.000 Hz sem fio
  • Bateria longa, perto de 19 dias a 1.000 Hz
  • Roda de rolagem e pés de PTFE melhores que os modelos anteriores
  • Cinco perfis na memória interna
Contras
  • Polling travado em 1.000 Hz com fio (imperdoável no preço)
  • Sem botão dedicado de DPI
  • App G HUB confuso e intimidador
  • Tamanho exclui mãos grandes e pegada palm

Depois de quatro meses, minha opinião é clara: o Logitech G PRO X SUPERLIGHT 2c é um mouse excelente, daqueles difíceis de criticar no que importa. Ele entregou a mesma experiência incrível, num corpo menor e mais leve, com construção impecável, sensor de ponta e bateria que dura. Pra quem tem mão pequena ou média e usa pegada claw ou fingertip, é uma das melhores opções disponíveis no Brasil hoje.

Mas eu não indico pra todo mundo. Se você tem mãos grandes ou joga com pegada palm, o SUPERLIGHT 2 tradicional é a escolha certa, e ponto. E se você só joga casualmente num monitor de 60 ou 144 Hz, sinceramente está pagando por recursos como o 8.000 Hz que você nem vai sentir. Uma coisa aqui fica clara, esse é um mouse pensado pro jogador competitivo, não pro usuário comum.

Sobre o preço: o valor sugerido é de R$ 999, mas já dá pra encontrar por volta de R$ 750 a R$ 940 no varejo. Nessa faixa de R$ 750, ele começa a fazer bem mais sentido. Como sempre, se você tem paciência, o preço tende a cair mais com o tempo, então vale ficar de olho.

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