Lançado originalmente em 2005 como um modo extra de Resident Evil 4, Separate Ways volta agora no remake como uma expansão paga. Custando cerca de 50 reais, com pequena variação de acordo com a plataforma, o conteúdo é um ótimo complemento para o jogo base, aprimorando a jogabilidade que já havia se provado extremamente prazerosa em março deste ano.

Embora possa haver discussão sobre o fato do modo ser agora pago, a Capcom ao menos se esforçou para entregar uma campanha que justifique o preço cobrado. É até mesmo irônico concluir que Separate Ways parece muito mais robusto, e mais divertido, que Resident Evil 3 Remake. Temos aqui o caso de uma DLC que supera, por muito, um jogo completo.

Ada Wong

Enquanto conta com diversos protagonistas de peso, Resident Evil é uma franquia que coleciona ótimos personagens. Jill, Chris, Claire e Leon são os nomes mais óbvios para a maioria dos fãs quando o assunto é sobre a saga de terror da Capcom, no entanto, Ada Wong conseguiu também uma enorme base de fãs ao longo de todos esses anos, mesmo sem possuir um jogo para chamar de seu.

Misteriosa e enigmática, Ada segue um caminho diferente dos principais protagonistas da franquia. Longe de ser uma vilã, a espiã também não é retratada como uma completa heroína. Existe muita complexidade em torno do nome, e Ada muitas vezes parece ser esnobada até mesmo pelos desenvolvedores.

Imagem: Oficina da Net
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Após tantos anos, beira o absurdo pensar que a personagem ainda não protagonizou um título, ainda mais em uma franquia com tantos lançamentos. Separate Ways ainda não corrige esse erro, mas ao menos oferece à Ada uma oportunidade de novamente provar seu valor dentro da saga.

Assim como o jogo base, a expansão traz algumas mudanças no enredo e até mesmo se aprofunda mais em alguns elementos, enquanto a Capcom nitidamente promove uma espécie de reboot em cada remake lançado. Ada é uma personagem enigmática, que mais deixa suposições e indícios do que respostas verdadeiras. Uma espiã na essência, a mulher de vermelho parece ser um mistério até mesmo para a Capcom.

Em Separate Ways vemos o quanto a personagem pode oferecer elementos para uma narrativa cativante, tendo força suficiente para sustentar uma trama própria. Ada foge também de um clichê de outros protagonistas, permitindo que a franquia explore outros meios de contar uma história.

Jogabilidade aprimorada

Não é apenas na trama que Ada Wong oferece novos caminhos para a franquia da Capcom. Se o remake de Resident Evil 4 já havia aprimorado a jogabilidade do jogo original, deixando tudo mais fluido e prazeroso, Separate Ways chega para reforçar isso. Não é assim tão fácil encontrar uma expansão que traga elementos tão significativos para a gameplay de um jogo.

Embora a essência ainda seja a mesma, exatamente como deveria ser, Separate Ways aproveita um equipamento específico de Ada para entregar novidade e variedade ao jogador. Com o gancho, a espiã se mostra muito mais móvel que Leon, conseguindo se locomover pelos cenários com muito mais facilidade.

É verdade que a mecânica surge também como uma maneira de permitir que Ada consiga passar mais rapidamente pelos ambientes, afinal a expansão é consideravelmente menor que o jogo base, e por esse motivo devemos encontrar os atalhos necessários. No entanto, isso não tira o brilho de uma movimentação extremamente fluida e prática, que acaba dando outra dinâmica ao jogo.

Imagem: Oficina da Net
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O combate também é beneficiado

O gancho de Ada também beneficia muito o combate do jogo, que com uma pequena novidade acaba se mostrando mais variado, ampliando o alcance do jogador. Assim como usa o equipamento para se mover, a espiã também pode usá-lo para se aproximar rapidamente de inimigos atordoados, o que faz grande diferença.

Enquanto Leon precisa estar próximo dos oponentes para acerta-los com um ataque corpo a corpo, Ada não precisa se preocupar com a distância. A novidade faz com que você possa adotar outra postura durante os combates e permite uma estratégia variada. Atirar a distância não te impedirá de aproveitar a oportunidade para abater inimigos atordoados.

Ao aprimorar o combate, o gancho faz com que a expansão se distancie de uma possível repetição. Em Separate Ways, o jogador encontra mais algumas horas de uma jogabilidade prazerosa, enquanto também descobre algo novo. Embora a novidade possa não parecer tão significativa assim, em jogo a situação é completamente diferente e você não demora muito para perceber que um simples movimento da personagem acaba trazendo uma grande mudança para os confrontos. Ada é mais ágil que Leon.

Expansão aproveita bem o conteúdo do jogo base

Separate Ways é enxuta, mas robusta. Com cerca de cinco horas de duração, a campanha de Ada Wong aproveita muito bem todo o conteúdo que temos no jogo base. É engraçado afirmar que a expansão se mostra mais completa que o remake de Resident Evil 3, lançado em 2020 com muitos cortes.

Enquanto o jogo protagonizado pela Jill parece uma demo, ou uma expansão decepcionante de RE2 Remake, Separate Ways entrega muito mais variedade mesmo com o tempo de duração semelhante. O grande ponto é que Separate Ways sabe como usar suas cinco horas de duração, fazendo com que o jogador percorra todos os locais de destaque do jogo base e enfrente todas as criaturas icônicas.

Imagem: Oficina da Net
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A campanha de Separate Ways pega o que há de melhor em Resident Evil 4 Remake e usa de uma maneira própria, assim podemos encarar desafios já conhecidos de maneira inédita. É importante dizer que tudo foi encaixado de maneira satisfatória, já que não existe a sensação de prolongamento desnecessário e muito menos de conteúdo rushado. Tudo está ali por um motivo e tudo é bem executado.

Além disso, a expansão também tem momentos únicos como o teleférico e a batalha contra o U-3. É interessante ver como o caminho de Ada é bastante parecido com o de Leon, mas ao mesmo tempo apresenta variedade e momentos próprios.

Ótimas boss battles

As boss battles são outro ponto extremamente positivo da expansão, embora uma delas pareça ter fugido um pouco da ideia geral de Resident Evil 4. Aqui temos também um elemento que é beneficiado pelo gancho da Ada por um momento específico.

Assim como Leon, Ada encontra um Troll em seu caminho e precisa acabar com o gigante. Mesmo com a campanha base nos colocando em mais de um confronto contra as criaturas, Separate Ways não oferece apenas mais do mesmo. O gancho de Ada faz com que o confronto da espiã contra o Troll tenha um funcionamento próprio. Enfrentar o gigante com a personagem é muito diferente do que você fez na campanha principal, sendo até mesmo bem mais divertido.

Imagem: Oficina da Net
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Ada ainda temos outros confrontos memoráveis, como o ótimo combate contra o U-3, o que faz com que não seja difícil afirmar que as melhores boss battles de RE4 estão na expansão. O único ponto negativo neste quesito aparece ainda no capítulo três, quando temos um momento que mais se parece com as alucinações de Shadows of Rose, DLC de Village. Este momento foge um pouco do que temos em Resident Evil 4 e parece não se encaixar muito bem. É interessante ver Resident Evil explorando novas maneiras de entregar terror, porém cada projeto tem sua própria proposta.

O veredito

O novo conteúdo é um excelente complemento para Resident Evil 4 Remake, tornando ainda mais robusto um jogo que já era ótimo. Além do "momento Village", a simplicidade exagerada dos puzzles pode ser considerada um dos únicos pontos negativos da expansão, porém esse também é um problema do jogo base.

Mostrando que a espiã merece há muito tempo uma trama própria, possuindo características que possibilitam outro tipo de narrativa, Separate Ways consagra Ada Wong com novidades que aprimoram a jogabilidade de RE4 de maneira geral.

Resident Evil 4: Separate Ways
9.0
Prós
  • Ada é uma protagonista excelente
  • Aprimora a jogabilidade
  • Ótimas boss battles
  • Excelente uso do conteúdo base
Contras
  • Puzzles muito simples
  • "Momento Village" desnecessário