O cometa interestelar 3I/ATLAS voltou a chamar a atenção da comunidade científica após novas análises revelarem algo raro: a presença de moléculas orgânicas, como metanol, cianeto e metano, em sua composição. Essas substâncias são conhecidas na Terra por estarem ligadas à química da vida, embora também possam surgir também por processos naturais sem qualquer relação biológica.
Cometa 3I/ATLAS continua intrigando os cientistas
Além da composição química, outro detalhe intrigou os pesquisadores. Cerca de dois meses depois de passar pelo ponto mais próximo do Sol, o 3I/ATLAS apresentou um aumento repentino e intenso de brilho. Esse comportamento é típico de cometas, que liberam grandes quantidades de gás e poeira quando o gelo começa a sublimar.
No caso desse visitante interestelar, o fenômeno indica que materiais profundos e ricos em carbono ficaram ativos muito depois do pico de aquecimento solar.
Segundo Carey Lisse, pesquisador do Laboratório de Física Aplicada da Johns Hopkins e líder do estudo, o cometa passou por uma espécie de "erupção espacial" no fim de 2025. O calor do Sol levou tempo para atravessar as camadas externas do núcleo, fazendo com que o gelo mais profundo começasse a se transformar em gás apenas semanas depois da aproximação máxima.
Isso explica por que o brilho não aumentou imediatamente, como costuma acontecer com outros cometas mais comuns.
O que é o 3I/ATLAS?
Detectado em 1º de julho de 2025, pelo telescópio ATLAS, no Chile, o 3I/ATLAS é apenas o terceiro objeto interestelar já identificado passando pelo nosso Sistema Solar. Ele recebeu essa classificação por seguir uma trajetória hiperbólica, o que significa que não está preso à gravidade do Sol e não retorna após a passagem.
Observações feitas pelo Telescópio Espacial James Webb revelaram outro detalhe impressionante: a nuvem de gás ao redor do cometa, chamada de coma, é dominada por dióxido de carbono (CO₂) em uma proporção nunca vista antes em cometas já estudados. Isso sugere que o 3I/ATLAS se formou em condições muito diferentes das que deram origem aos corpos gelados do nosso sistema.
Os dados indicam que o cometa se move a cerca de 221 mil quilômetros por hora, rápido demais para ser capturado pelo Sol. Modelos computacionais apontam que ele pode ter mais de sete bilhões de anos, sendo potencialmente mais antigo que o próprio Sistema Solar. Para os cientistas, cada nova observação do 3I/ATLAS é uma oportunidade única de entender como outros sistemas planetários se formam e evoluem.
Desde que foi identificado, o cometa percorreu um caminho impressionante pelo Sistema Solar. Entre o fim de setembro e o começo de outubro, ele passou relativamente perto de Marte, a pouco mais de 30 milhões de quilômetros, o que permitiu registros detalhados feitos por sondas da NASA.
No fim de outubro, o 3I/ATLAS teve sua maior aproximação com o Sol, um momento crucial para os pesquisadores. A passagem pela estrela ajudou a revelar como o objeto reage ao calor intenso, liberando gases e partículas que formam sua cauda.
Depois de deixar a vizinhança da Terra, o 3I/ATLAS segue em direção a Júpiter. A aproximação com o maior planeta do Sistema Solar está prevista para meados de março, quando o cometa deve passar a cerca de 50 milhões de quilômetros do gigante gasoso.