Se você está esperando uma encomenda pelos Correios, pode acabar enfrenta uma maior demora que o normal. Trabalhadores da estatal aprovaram nesta quinta-feira (10) uma greve por tempo indeterminado, com adesão de sindicatos de diferentes estados do país. A paralisação começou nesta sexta-feira (11), após as negociações entre os trabalhadores e a direção dos Correios terminarem sem acordo.

Os Correios estão em greve?

Sim. Os trabalhadores dos Correios entraram em greve nesta sexta-feira (11), por tempo indeterminado. A decisão foi tomada nas assembleias realizadas na noite de quinta-feira (10), depois que as negociações da campanha salarial terminaram sem acordo.

De acordo com a Findect, sindicatos de vários estados aprovaram a paralisação. A entidade afirma que a greve representa uma nova etapa das negociações depois de sucessivas tentativas de acordo e de mediação no Tribunal Superior do Trabalho (TST).

Um dos principais pontos de conflito é o plano de saúde dos empregados. Segundo a federação, a direção dos Correios pretende fazer mudanças no benefício, enquanto os trabalhadores consideram o tema fundamental nas negociações.

A paralisação é por tempo indeterminado, portanto, ainda não existe uma data definida para o retorno completo das atividades.

Minha encomenda vai atrasar por causa da greve?

Pode atrasar, mas isso não significa que todas as encomendas ficarão paradas. Os Correios afirmam que estão adotando medidas para tentar manter as operações durante a greve. Entre elas estão o remanejamento de equipes, reforço das atividades operacionais e mudanças logísticas para preservar as entregas.

É possível que algumas encomendas demorem mais para serem entregues
É possível que algumas encomendas demorem mais para serem entregues

Porém, mesmo com essa mudança na logística, uma paralisação de funcionários pode provocar reflexos diferentes dependendo da região, do centro de distribuição e da etapa em que a encomenda se encontra.

Por isso, quem tem um pacote em trânsito deve continuar acompanhando o rastreamento normalmente. Uma encomenda que já esteja em deslocamento pode seguir seu caminho, enquanto objetos que dependem de unidades afetadas pela paralisação podem apresentar demora maior na atualização ou na entrega. Também é possível que o volume de objetos acumulados aumente caso a greve se prolongue.

O que fazer se minha encomenda estiver parada?

Se o rastreamento não for atualizado durante alguns dias, a primeira recomendação é aguardar e acompanhar o código de rastreamento.

A paralisação pode fazer com que algumas etapas da movimentação dos objetos demorem mais do que o habitual. Por isso, não é possível concluir que uma encomenda foi perdida apenas porque ficou alguns dias sem atualização.

Se o prazo de entrega já tiver sido ultrapassado, uma opção para o consumidor é entrar em contato com os Correios para registrar uma reclamação e solicitar informações sobre o objeto.

Para compras feitas em lojas online, também vale entrar em contato com o vendedor ou com a plataforma onde o pedido foi realizado. Dependendo do caso, a empresa responsável pela venda pode abrir uma solicitação junto aos Correios ou apresentar uma solução alternativa.

Quais estados aderiram à greve dos Correios?

Segundo a relação divulgada pela Findect, sindicatos de diversas partes do país aprovaram a paralisação. A lista inclui:

  • Acre: SINTECT-AC;
  • Alagoas: SINTECT-AL;
  • Amazonas: SINTECT-AM;
  • Amapá: SINTECT-AP;
  • Bahia: SINTECT-BA;
  • Campinas (SP): SINTECT-CAS;
  • Ceará: SINTECT-CE;
  • Distrito Federal: SINTECT-DF;
  • Espírito Santo: SINTECT-ES;
  • Goiás: SINTECT-GO;
  • Juiz de Fora (MG): SINTECT-JFA;
  • Minas Gerais: SINTECT-MG;
  • Mato Grosso: SINTECT-MT;
  • Rondônia: SINTECT-RO;
  • Pará: SINCORT-PA;
  • Paraíba: SINTECT-PB;
  • Pernambuco: SINTECT-PE;
  • Piauí: SINTECT-PI;
  • Paraná: SINTCOM-PR;
  • Rio Grande do Norte: SINTECT-RN;
  • Roraima: SINTECT-RR;
  • Ribeirão Preto (SP): SINTECT-RPO;
  • Rio Grande do Sul: SINTECT-RS;
  • Santa Catarina: SINTECT-SC;
  • Sergipe: SINTECT-SE;
  • São José do Rio Preto (SP): SINTECT-SJO;
  • Santa Maria (RS): SINTECT-SMA;
  • Tocantins: SINTECT-TO;
  • Uberaba (MG): SINTECT-URA;
  • Vale do Paraíba (SP): SINTECT-VP;
  • Bauru e região (SP): SINDECTEB;
  • Maranhão: SINTECT-MA;
  • Mato Grosso do Sul: SINTECT-MS;
  • Rio de Janeiro: SINTECT-RJ;
  • Santos e região (SP): SINTECT-Santos;
  • São Paulo: SINTECT-SP.

O que dizem os Correios?

A empresa afirma que está preparada para reduzir os efeitos da paralisação e colocou em funcionamento um Plano de Continuidade de Negócios. Segundo os Correios, essas medidas incluem o remanejamento de funcionários, reforço das atividades operacionais e adoção de estratégias logísticas específicas para tentar preservar a regularidade dos serviços em todo o país.

A estatal também afirma que continua empenhada em encontrar uma solução negociada com os trabalhadores. Veja o comunicado da estatal na íntegra ao g1:

"Diante do anúncio de paralisação por entidades sindicais, os Correios executam seu Plano de Continuidade de Negócios, com medidas para garantir a manutenção dos serviços e minimizar eventuais impactos aos clientes.

Entre as ações estão o remanejamento de equipes, o reforço das atividades operacionais e a adoção de medidas logísticas específicas para preservar a regularidade das entregas em todo o país.

A empresa esteve empenhada na construção de uma solução negociada e apresentou uma proposta que contemplava 78 das 80 cláusulas do acordo coletivo vigente. Entre os pontos, estão o reajuste de 100% do INPC sobre salários e benefícios, com vigência a partir de 1º de agosto, e a manutenção da assistência à saúde dos empregados.

Os Correios reafirmam seu compromisso com a valorização dos empregados e a continuidade da prestação dos serviços postais à população brasileira."

A empresa enfrenta, ao mesmo tempo, uma grave situação financeira. Os Correios acumulam 15 trimestres consecutivos de prejuízo e registraram perdas de R$ 5,6 bilhões no primeiro semestre de 2026. A estatal espera ainda receber um novo empréstimo de R$ 7 bilhões até 15 de setembro para reforçar seu caixa.

Com informações do g1