O Pix virou parte da rotina do brasileiro por que é rápido, simples e disponível 24 horas por dia. Mas junto com essa facilidade veio também um efeito o crescimento explosivo das fraudes. Só em 2025, o Brasil registrou cerca de um golpe de falso Pix por segundo, somando aproximadamente 28 milhões de casos em apenas nove meses. Diante desse cenário, o Banco Central mudou as regras e a partir de fevereiro vai lançar o MED 2.0.
Golpes no Pix disparam no Brasil
A nova versão do Mecanismo de Devolução Especial tenta atacar um dos maiores problemas do sistema atual: a dificuldade em recuperar o dinheiro depois que ele já foi espalhado por várias contas. Hoje, quando uma fraude é denunciada, o bloqueio acontece apenas na primeira conta que recebeu o valor. Como os criminosos costumam transferir o dinheiro rapidamente para outras contas, a chance de recuperação acaba sendo muito baixa.
Para se ter uma ideia, em 2025, apenas cerca de 9% do valor contestado conseguiu voltar para as vítimas, mesmo constatando a fraude rapidamente.
O golpe mais comum hoje em dia é o chamado golpe do Pix errado, que se aproveita da pressa e da boa-fé das pessoas. Funciona assim: o golpista faz um Pix para a vítima e, logo em seguida, entra em contato pedindo a devolução, alegando que enviou o dinheiro por engano. Quando a vítima faz um novo Pix para devolver o valor, cria uma segunda transação legítima. A partir daí, o criminoso pode acionar o banco e pedir o estorno da transferência original, alegando erro ou fraude. Se o pedido for aceito, quem cai no golpe perde duas vezes.
Segundo João Fraga, CEO da techfin Paag, o problema está na forma como as transações são tratadas quando a devolução não é feita pelo caminho oficial. Ele explica que cada Pix é independente e, ao fazer uma nova transferência para devolver o valor, o usuário acaba abrindo brecha para que o golpista explore os mecanismos de contestação do sistema.
Como vai funcionar o MED 2.0?
É justamente aí que entra o MED 2.0. Com a nova versão, o sistema passa a rastrear o caminho do dinheiro de forma mais ampla. Ao receber uma denúncia de fraude, o bloqueio não fica restrito à primeira conta. Se não houver saldo ali, o mecanismo segue a trilha das transferências e tenta bloquear as contas seguintes, uma por uma, até onde for possível. A ideia é dificultar essa transferência dos valores e aumentar as chances de recuperar pelo menos parte do dinheiro roubado.
A expectativa do Banco Central é que essa mudança torne o golpe mais arriscado e menos vantajoso para os criminosos, além de melhorar a identificação das contas envolvidas. Não é uma solução mágica, mas é um passo importante para reforçar a segurança do Pix, que hoje movimenta mais de R$ 35 trilhões por ano e já se tornou peça central da economia brasileira.
Com informações de Banco Central