O modelo de referência TCP/IP

4 Comente abaixo Redação (@oficinadanet)

Vamos deixar de lado o mo delo de referência OSI e passar ao modelo de referência usado na "avó" de todas as redes de computadores geograficamente distribuídas, a ARPANET, e sua sucessora, a Internet mundial.

Vamos deixar de lado o mo delo de referência OSI e passar ao modelo de referência usado na "avó" de todas as redes de computadores geograficamente distribuídas, a ARPANET, e sua sucessora, a Internet mundial. Embora tenhamos deixado para depois a apresentação da história da ARPANET, será de grande utilidade entender alguns de seus princi pais aspectos. A ARPANET era uma rede de pesquisa patrocinada pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos (DoD). Pouco a pouco, centenas de universidades e repartições públicas foram conectadas, usando linhas telefônicas dedicadas. Quando foram criadas as redes de rádio e satélite, começaram a surgir problemas com os protocolos existentes, o que forçou a criação de uma nova arquitetura de referência. Desse modo, a habilidade para conectar várias redes de maneira uniforme foi um dos principais objetivos de projeto, desde o início. Mais tarde, essa arquitetura ficou conhecida como Modelo de Referência TCP/IP, graças a seus dois principais protocolos. Esse modelo foi definido pela primeira ve z em (Cerf e Kahn, 1974). Uma nova perspectiva foi oferecida mais tarde em (Leiner et al., 1985). A filosofia de projeto na qual se baseia o modelo é discutida em (Clark, 1988).

Diante da preocupação do Departamen to de Defesa dos EUA de que seus preciosos hosts, roteadores e gateways de interconexão de redes fossem destruídos de uma hora para outra, definiu-se também que a rede deveria ser capaz de sobreviver à perda do hardwa re de sub-redes, com as conversações existentes sendo mantidas em atividade. Em outras palavras, o Departamento de Defesa dos EUA queria que as conexões permanecessem intactas enquanto as máquinas de origem e de destino estivessem funcionando, mesmo que algumas máquinas ou linhas de transmissão intermediárias deixassem de operar repentinamente. Além disso, era necessária uma arquitetura flexível, capaz de se adaptar a aplicações com requisitos divergentes como, por exemplo, a transferência de arquivos e a transmissão de dados de voz em tempo real.

A camada inter-redes


Todas essas necessidades levaram à es colha de uma rede de comutação de pacotes baseada em
um camada de inte rligação de redes sem conexões. Essa camada, chamada camada inter-redes, integra toda a arquitetura. Sua tarefa é permitir que os hosts injetem pacotes em qualquer rede e garantir que eles trafegarão independentement e até o destino (talvez em uma rede diferente).

Eles podem chegar até mesmo em uma ordem diferente daquela em que foram enviados, obrigando as camadas superiores a reorganizá-los, caso a entrega em ordem seja desejável.

Observe que, nesse caso, a expressão "inter-rede" é usada em sentido genérico, muito embora essa camada esteja presente na Internet.

A analogia usada nesse caso diz respeito ao sistema de correio (convencional). Uma pessoa pode deixar uma seqüência de cartas internacionais em uma caixa de correio em um país e, com um pouco de sorte, a maioria delas será entregue no endereço correto no país de destino. Provavelmente, as cartas atravessarão um ou mais gateways internacionais ao longo do caminho, mas esse processo é transparente para os usuários. Além diss o, o fato de cada país (ou seja, cada rede)
ter seus próprios selos, tamanhos de envelope preferidos e regras de entrega fica oculto dos
usuários.

A camada inter-redes define um formato de pacote oficial e um protocolo chamado IP (Internet Protocol). A tarefa da camada inter-redes é entregar pacotes IP onde eles são necessários. O roteamento de pacotes é uma questão de grande importância nessa camada, assim como a necessidade de evitar o congestionamento. Por esses motivos, é razoável dizer que a função da camada inter-redes do TCP/IP é muit o parecida com a da camada de rede do OSI. A Figura 1.21
mostra a correspondência entre elas.


Figura 1.21. O modelo de referência TCP/IP


A camada de transporte


No modelo TCP/IP, a camada localizada acima da camada inter-redes é chamada camada de transporte. A finalidade dessa camada é permitir que as entidades pares dos hosts de origem e de destino mantenham uma conversação, exatamente como acontece na camada de transporte OSI.

Dois protocolos fim a fim foram definidos aqui. O primeiro deles, o TCP (Transmission Control Protocol — protocolo de controle de transmissão), é um protocolo orientado a conexões confiável que permite a entrega sem erros de um fluxo de bytes originário de uma determinada máquina em qualquer computador da inter-rede. Esse protocolo fragmenta o fluxo de bytes de entrada em mensagens discretas e passa cada uma delas para a camada inter-redes. No destino, o processo
TCP receptor volta a montar as mensagens recebidas no fluxo de saída. O TCP também cuida do controle de fluxo, impedindo que um transmissor rápido sobrecarregue um receptor lento com um volume de mensag ens maior do que ele pode manipular.

Figura 1.22. Protocolos e redes no modelo TCP/IP inicial


A camada de aplicação


O modelo TCP/IP não tem as camadas de sessão e de apresentação. Como não foi percebida qualquer necessida de, elas não foram incluídas. A experiência com o modelo OSI demonstrou a correção dessa tese: elas são pouco usadas na maioria das aplicações.

Acima da camada de tr ansporte, encontramos a camada de aplicação. Ela contém todos os protocolos de nível mais alto. Dentre eles estão o protocolo de terminal virtual (TELNET), o protocolo de transferência de arquivos (FTP) e o protocolo de correio eletrônico (SMTP), como mostra a Figura 1.22. O protocolo de terminal virtual permite que um usuário de um computador se conecte a uma máquina distante e trabalhe nela. O protocolo de transferência de arquivos permite mover dados com eficiência de uma máquina para outra. Originalmente, o correio eletrônico era um tipo de transferência de arquivos; no entanto, foi desenvolvido mais tarde um protocolo especializado para essa função (o SMTP). Muitos outros protocolos foram incluídos com o decorrer dos anos, como o DNS (Domain Name Service), que mapeia os nomes de hosts para seus respectivos endereços de rede, o NNTP, o protocolo usado para mover novos artigos de notícias da USENET, e o HTTP, o protocolo usado para buscar páginas na World Wide Web, entre muitos outros.

A camada host/rede


Abaixo da camada inter-re des, encontra-se um gran de vácuo. O modelo de referência TCP/IP não especifica muito bem o que acontece ali, exceto o fato de que o host tem de se conectar à rede utilizando algum protocolo para que seja possível enviar pacotes IP. Esse protocolo não é definido e varia de host para host e de rede para rede. Os livros e a documentação que tratam do modelo TCP/IP raramente descrevem esse protocolo.

Referência: Tanenbaum, Andrew S. (Redes de computadores, Quarta edição)

Recomendamos para você
 

Comentários
Compartilhe com seus amigos:
Novidades
Compartilhe com seus amigos:
últimos reviews
  • 8,6
    Review Moto X - Segunda geração
    O aparelho da Motorola é a prova “viva” que o que está ótimo pode melhorar ainda mais.
  • 8,1
    Review Zenfone 5
    Tela de 5 polegadas, câmera de foto e vídeo superiores aos concorrentes, boa usabilidade e preço baixo. A Asus acertou n...
  • 6,4
    Review Nokia Lumia 635
    Testamos hoje o Smartphone Nokia Lumia 635. Confira abaixo o que achamos.



TOPO