O Redmi Note 15 4G é um celular complicado de avaliar em 2026. Ele entrega pontos fortes claros, mas também limitações que pesam na hora de recomendar. Após três semanas de testes, dá pra resumir assim: tela e bateria brilham, mas processador e conectividade decepcionam.
No design, segue a tendência da Redmi de aparelhos grandes. São 6.77 polegadas num corpo fino, leve e elegante, vendido em roxo, verde floresta, preto e azul glacial. A construção é em plástico, normal para a categoria, mas com encaixes perfeitos e sem defeitos. O módulo de câmeras é discreto, o que deixa o celular estável na mesa. Na parte superior tem emissor infravermelho, recurso exclusivo da Xiaomi que transforma o aparelho em controle universal. A bandeja aceita dois chips físicos ou um chip mais cartão de memória. Os pontos negativos: não tem e-SIM, não tem 5G e, surpreendentemente, não tem NFC, ou seja, sem pagamento por aproximação.
Na proteção, certificação IP64 contra respingos e poeira, mais resistência a quedas de até 1.8 metros segundo a Xiaomi. O celular já vem com película de hidrogel aplicada de fábrica, capinha de silicone e carregador de 33W na caixa, um pacote bem completo pelo preço.
A tela é o principal motivo de compra. Diferente da linha Redmi comum, aqui o painel é AMOLED, com contraste superior, ótimos ângulos de visão e pretos reais. São 6.77 polegadas curvas, resolução Full HD+, brilho máximo de 3200 nits e taxa de 120Hz. É nesse quesito que a Xiaomi vence a concorrência, já que rivais da Samsung na faixa têm bordas grossas e taxa menor.
Na performance, vêm as más notícias. O processador é o Helio G100 Ultra da MediaTek, que entrega desempenho apenas honesto. O celular precisa de um tempinho para engrenar, mas depois navega bem. As versões relevantes no Brasil são 6GB/128GB e 8GB/256GB, sendo a segunda mais interessante pelo armazenamento. Quem prioriza velocidade pode considerar o POCO M8 ou o Moto G86 por pouco mais.
A bateria é o destaque máximo: 6.000mAh. No teste padrão de 8 horas de uso intenso, sobraram 33%, resultado excelente que comprova boa eficiência. O carregador de 33W enche de 0 a 100% em 1 hora e 12 minutos.
Nas câmeras, decepção. São efetivamente duas câmeras úteis, sendo a principal de 108 MP e uma de profundidade de 2 MP. A qualidade deixa a desejar, com o mesmo padrão de nitidez exagerada de gerações anteriores, sem evolução significativa há anos. As selfies ficam boas só em ambientes iluminados. O vídeo grava em Full HD 60fps, mas sem estabilização, ficando bem chacoalhado. Galaxy A36 e Moto G86 fotografam melhor na mesma faixa.
No software, roda Android 16 com HyperOS 3, com promessa de 4 anos de atualizações de sistema e 6 anos de segurança, prazo ideal para a categoria. A crítica fica para as propagandas da interface, que dão trabalho para desativar.
Conclusão: tela excelente e bateria gigante de um lado, processador fraco e ausência de NFC, e-SIM e 5G do outro. Com preço entre R$ 1.100 e R$ 1.300, fica difícil recomendar quando, por R$ 200 a R$ 300 a mais, dá pra levar opções melhores como POCO M8, Moto G86 ou até o Galaxy A36.














