[VÍDEO] Quantum Break: Análise do jogo

Confira um review do game Quantum Break.

Por | @oficinadanet Games

Quantum Break é um jogo eletrônico de ficção científica e ação em terceira pessoa desenvolvido por um estúdio finlandês chamado Remedy, o mesmo que criou o jogo Alan Wake, que aparece em alguns easter eggs.

O título foi originalmente anunciado apenas para Xbox One mas acabou sendo lançado também para PC.

Leia também:

  • Quantum Break é um jogo eletrônico de ação em terceira pessoa produzido pelo estúdio finlandês Remedy Entertainment.

    Estúdio Microsoft
    Gênero Ação
    Classificação 16
    Desenvolvedora Remedy Entertainment
    Jogadores Multiplayer Não possui multiplayer
    Plataforma PC e Xbox One

História

Em sua essência Quantum Break é uma história de ficção científica e um dos principais elementos do título é sua narrativa forte. Se você gosta de buracos negros, viagem no tempo e também curte muita ação, então Quantum Break é para você.

Na história você assume o papel de Jack Joyce. O jogo começa em uma universidade, onde você vai ajudar Serene, que é um antigo amigo, em um experimento científico. Chegando lá você descobre que esse experimento é nada mais nada menos que uma máquina do tempo. Obviamente, algo dá terrivelmente errado com o experimento e a estrutura do tempo é corrompida, o universo se torna instável e Jack ganha poderes que permitem que ele controle o tempo.

Por causa da própria natureza da proposta temática do jogo, a história não se apresenta de maneira linear. E nem teria como. Ela é complexa demais e é muito melhor aproveitada da maneira como foi trabalhada pela Remedy. Ela se aproveita de um background científico pensado com bastante cuidado, o que torna o universo do jogo mais plausível.

Como em toda história de viagem no tempo, você vai encontrar um paradoxo em algum lugar. A narrativa do jogo todo gira em torno de um elemento conhecido como o princípio de auto consistência de Novikov. Ele basicamente afirma que ações que criem paradoxos ou alterem uma linha do tempo já estabelecida não podem ocorrer. E Quantum Break trabalha esse conceito o tempo todo, e ele serve como base para antagonizar os personagens principais, gerar suas motivações e também trazer questões filosóficas como livre arbítrio, destino e o que é certo e errado. Isso tudo fica muito claro durante momentos chamados de Junção onde o jogador, na pele de Paul Serene, amigo de Jack e também vilão principal, pode escolher entre duas opções de como seguir com a história.

[VÍDEO] Quantum Break: Análise do jogo

Um elemento que diferencia Quantum Break de outros títulos quando o assunto é a forma de contar sua história é a presença de quatro pequenos episódios de live action. Claro que isso já foi feito antes, mas não dá mesma forma. Eles aparecem após esses momentos onde o jogador tem que escolher qual rumo seguir. A escolha feita influencia os acontecimentos desses episódios o que é muito legal. Há quem diga que isso quebra a imersão do jogo ou que o foco dado em alguns personagens não principais acabou com a ideia. Mas há aqueles que defendem que os episódios conseguem trazer mais detalhes para a história e fazer você entender e simpatizar com os vilões. O nível de produção desses episódios e a atuação não é pouca coisa e merece ser levada em consideração.

Mas se por um lado a história é tão legal e tão bem explorada, por outro deixa a desejar quando é misturada com o jogo em si. Muitos elementos da narrativa só são apresentados através de colecionáveis como e-mails gigantescos que quebram o ritmo do jogo. Informações importantes serão simplesmente ignoradas e deixadas de lado se o jogador não se comprometer a buscar e ler todos os elementos do enredo espalhados pelos mapas. Sem falar que até o final do jogo você vai ter lido um livro e isso pode cansar muitos jogadores e desestimular a busca por detalhes da história tão legal de Quantum Break.

Jogabilidade

Se por um lado a história de Quantum Break brilha, o mesmo não pode ser dito da jogabilidade. Ela não é péssima, mas algumas escolhas da Remedy acabam tornando a experiência de jogar um pouco frustrante. Começando pelo elemento mais óbvio possível: a movimentação do personagem. As animações que envolvem o personagem são fracas e adicionam um input lag similar ao que você observa em séries como GTA ou Tomb Raider. O personagem parece pesado, difícil de mexer. Ainda tem o fato de que o pulo e o mecanismo de agarrar em objetos não foi bem implementado. Você não consegue pular vários objetos, não consegue escalar em tantos outros. E mesmo quando consegue, a coisa não parece fluida o suficiente. Existem pessoas que têm sensibilidade maior a esse tipo de coisa, então já fiquem ligados que isso existe e bastante em Quantum Break.

[VÍDEO] Quantum Break: Análise do jogo

Outro aspecto importante que dá fluidez e ritmo ao jogo é a presença bem forte de um princípio de game design chamado Princípio de Isolamento. Basicamente, para você introduzir uma nova mecânica ao game, esse princípio diz que você deve primeiro adicionar esse elemento em um ambiente controlado e seguro, sem inimigos ou ameaças ao jogador. Em seguida, uma vez que o jogador tenha aprendido isso, ele é lançado em uma situação real, na qual terá que se virar para conseguir utilizar esse elemento ao máximo e vencer o desafio.

Em Quantum Break, isso é tão claro que é quase desenhado. Durante os primeiros dois atos, o jogador é constantemente apresentado à novos poderes e mecânicas de jogo que serão utilizadas durante o decorrer da campanha. Durante todo esse tempo, você terá um mini-puzzle trivial de ser resolvido em um ambiente sem inimigos. Só assim se dá continuidade ao jogo. Depois disso, você vai encontrar um conjunto pequeno de inimigos para ver se você entendeu bem o que fazer. E por fim, um conjunto maior, onde você vai ser realmente testado.

E qual problema disso? Bom, no jogo o que acontece é que isso é combinado com um poder de visão temporal que nada mais é que um path highlight meio preguiçoso. O jogo é travado com barreiras invisíveis e há pouco espaço para a exploração e a Remedy sabe disso e precisa te pegar pela mão com esses dois elementos de design para te fazer avançar na história. Isso quebra o ritmo do jogo, que torna ele monótono e previsível a maior parte do tempo.

Mas nem tudo está perdido porque apesar dessas mecânicas serem introduzidas de uma forma duvidosa, elas em si são bem legais. Os poderes de manipulação temporal e a forma como você pode usá-los para interagir com o cenário, resolver pequenos puzzles e destruir todos os inimigos que cruzarem seu caminho são divertidos e bem explorados. Você pode criar escudos, explosões, desacelerar o tempo, correr super rápido e por aí vai. Elas se encaixam bem durante as lutas, que são focadas em te fazer usar todos esses poderes para eliminar os inimigos. Há algumas críticas sobre a ausência de um sistema de cover mas o objetivo da Remedy é justamente esse: o jogo não é pra você se esconder e atirar, é para sair correndo usando todos os seus poderes e eliminar todo mundo com estilo.

Todos os poderes podem ser aprimorados, mas a árvore de aprimoramentos não é o forte do título. As opções são pouco variadas e não impactam tanto nas batalhas, principalmente porque o nível de dificuldade delas é bem baixo já que os inimigos têm uma inteligência artificial mais para a artificial do que pra inteligente. Como ainda existem pouquíssimas variações de inimigos, o título conta com a força da mecânica dos poderes temporais para incrementar a experiência durante as batalhas.

Gráficos

Quando o assunto é a parte visual, Quantum Break tende a agradar. A característica iluminação dos títulos da Remedy está presente com bastante força e pode ser notada nos diversos pontos de iluminação volumétrica e na grande variação de resultados possíveis quando se mistura os poderes temporais. A criatividade de algumas situações cria algumas cenas de cair o queixo que farão você ficar reparando cada detalhe.

[VÍDEO] Quantum Break: Análise do jogo

Efeitos como motion blur e aberração cromática são usados de maneira exemplar no título. No geral, esses efeitos são usados de maneira específica. Por exemplo, a aberração cromática é utilizada juntamente com uma mudança na coloração do jogo durante os momentos de junção, onde o jogador escolhe qual caminho seguir. O visual distinto do resto do jogo indica que aquele pedaço é diferente do que foi encontrado até então e, mais para a frente, cria a consistência que um jogo tanto necessita.

As cutscenes acompanham o resto do visual do jogo e são bem trabalhadas. Queremos destacar o rosto dos personagens que ficaram excelentes e o extremo detalhamento dedicado às suas expressões faciais, o que ajuda a dar vida às cenas.

Coincidência ou não, o maior pecado visual de Quantum Break decorre de uma técnica utilizada nos efeitos visuais chamada Temporal Reprojection. Em busca de maior performance, a Remedy optou por utilizar essa técnica computacional para gerar efeitos e texturas em 1080p ao invés de inseri-los nativamente no jogo. O resultado são acurácia de cores menor, resoluções mais baixas em alguns efeitos e um certo borrado em vários e vários elementos gráficos do jogo por conta dessa técnica.

Sonoplastia

O som nativo do jogo é bom mas nada espetacular. Barulho ambiente e os efeitos aplicados à eles também costumam ser o que esperamos de um título desse nível. Onde Quantum Break realmente mostra para o que veio, é quando os efeitos de distorção temporal são ativados. Durante cenas em que o tempo está congelado, por exemplo, é possível chegar perto das fontes sonoras e perceber a qualidade do Efeito Doppler que a engine de áudio criou. Ao passar perto de uma bala que foi disparada você vai notar o barulho em câmera lenta do ar sendo rasgado. Quando tem alguma colisão ou explosão presa em um loop temporal, seu som é reproduzido também e isso é simplesmente demais.

[VÍDEO] Quantum Break: Análise do jogo

Sobre outros efeitos sonoros à parte, é possível perceber que o jogo apresenta corretamente os sons de acordo com o ambiente em que são apresentados. Não só com os efeitos aplicados durante as distorções temporais, mas também com o posicionamento das fontes sonoras e a reprodução de seus áudios, o jogo apresenta um trabalho consistente de produção sonora. Jogar esse jogo em um setup com áudio Surround é realmente muito satisfatório. Isso agrega de forma incrível a atmosfera do jogo. Os poderes de Jack parecem mais reais e o universo que o título propõe se torna mais tangível. A sensação de poder ouvir esses efeitos é muito boa e traz um realismo muito bem vindo ao jogo.

A trilha sonora não aparece muito, mas quando ela aparece, é um acerto atrás do outro.  A música do jogo é excelente e conta com uma pegada eletrônica que acompanha todas as faixas e uma percussão bem demarcada para os momentos de maior ação e um piano para dar aquele clima mais calmo ou triste. Vocais são pouco utilizados e reservados para os momentos mais especiais. O resultado é uma trilha sonora épica que vai da mais pura adrenalina para uma melancolia fundo do poço. Mas o jogo não se limita à isso e também apresenta momentos em que a música é mais leve e moderada, pra se equilibrar com os vários momentos da história.

A narração tem a qualidade da atuação, uma vez que foi feita pelos próprios atores. Como são excelentes, acabaram levando essa capacidade de atuação para a dublagem do jogo, enriquecendo as cenas e o universo criado e tornando Quantum Break um título com mais vida e personalidade.

O jogo tem dublagem em português, bem como tradução para a interface e legendas. A narração em português é boa, mas sofre com os problemas de sempre como a dessincronização entre boca e fala além de que a dublagem em português não conseguiu aplicar com a mesma qualidade os efeitos utilizados nas vozes originais. Um dos principais problemas que notamos é por exemplo a diferenciação entre uma fala qualquer de Jack Joyce durante o jogo e suas falas durante a entrevista. Na versão original tem como notar uma diferença dos áudios enquanto na versão em português não, o que pode deixar as coisas meio confusas.

Conclusão

Quantum Break é um bom jogo. Bastante divertido e muito interessante, é com certeza um título que você vai querer na sua biblioteca da Steam. O problema maior é o seu preço, que é elevado demais considerando o tamanho curto da história e o baixo fator de replay. Você vai no máximo jogar duas vezes para ver como outra possível escolha nos pontos de junção teria mudado as coisas. Mas levando em consideração a inovação no gameplay por conta das mecânicas de distorção temporal e a natureza de sua história principal, você vai se divertir tanto que vai até perder a noção do tempo enquanto estiver jogando. Se um dia você achá-lo na promoção, pode pegar sem medo de ser feliz.

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