A TV 3.0 começa oficialmente sua chegada ao Brasil ainda neste mês de junho de 2026 e já terá cobertura inicial em 22 cidades, incluindo capitais como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, além de municípios importantes das regiões metropolitanas. A novidade marca o início de uma nova geração da televisão aberta brasileira, com promessa de imagem em ultra definição, som mais imersivo, recursos interativos e integração com a internet.

O que é a TV 3.0

A TV 3.0 é a mesma TV aberta, mas com melhor qualidade de áudio e imagem e com recursos conectados pela internet. Imagem: Oficina da Net

A TV 3.0 é o novo padrão da televisão aberta brasileira. Ela foi oficializada pelo governo federal como DTV+ e usa tecnologias baseadas no ATSC 3.0, padrão de nova geração já adotado ou testado em outros mercados. O objetivo é substituir, aos poucos, o modelo atual da TV digital por um sistema mais moderno, com melhor qualidade de imagem, áudio avançado e maior integração com a internet.

A mudança não significa apenas "imagem melhor". A TV 3.0 altera a lógica da televisão aberta. Em vez de depender apenas de canais lineares, o sistema passa a funcionar também com aplicativos, recursos interativos e conteúdos personalizados. O Ministério das Comunicações descreve a tecnologia como uma plataforma híbrida, capaz de combinar o alcance da radiodifusão com os recursos da conectividade à internet.

A mudança mais importante é que a TV aberta deixa de ser apenas aquele sistema de canais lineares e passa a funcionar em uma lógica mais próxima de uma smart TV. O governo define a TV 3.0 como uma integração entre broadcast e broadband, ou seja, entre o sinal de antena e a internet. Isso permite que o usuário veja a programação ao vivo e, ao mesmo tempo, tenha acesso a conteúdos extras, vídeos sob demanda, aplicativos e recursos interativos.

TV 3.0 vai estrear na Copa do Mundo

A Copa do Mundo de 2026 deve ser o primeiro grande teste público da TV 3.0 no Brasil. A competição começa nesta quinta-feira, 11 de junho, e será usada como vitrine para apresentar ao público uma nova forma de assistir à TV aberta.

A Globo já vem se preparando para esse cenário com transmissões em 4K, baixa latência e som imersivo. A ideia é oferecer uma experiência mais moderna para os jogos, reduzindo um dos maiores incômodos de quem acompanha futebol ao vivo: o delay.

Quem assiste por streaming sabe bem o problema. Muitas vezes, o vizinho grita gol antes de o lance aparecer na sua tela. Com a baixa latência, a promessa é diminuir esse atraso e aproximar a transmissão digital da experiência em tempo real da TV aberta tradicional.

Quais cidades terão TV 3.0 em 2026?

A cobertura inicial da TV 3.0 ficará concentrada em grandes centros urbanos, especialmente nas regiões de São Paulo, Rio de Janeiro e Distrito Federal.

Confira a lista das cidades previstas para receber o sinal da TV 3.0 já em 2026:

São Paulo e região metropolitana

  • São Paulo
  • Guarulhos
  • Osasco
  • Barueri
  • Taboão da Serra
  • Embu das Artes — cobertura parcial
  • Cotia
  • Itaquaquecetuba — cobertura parcial
  • São Bernardo do Campo
  • Santo André
  • São Caetano do Sul
  • Diadema
  • Mauá

Rio de Janeiro e região metropolitana

  • Rio de Janeiro
  • Niterói
  • São Gonçalo
  • Magé
  • Duque de Caxias
  • São João de Meriti
  • Nilópolis
  • Belford Roxo
  • Mesquita

Distrito Federal

No Distrito Federal, a cobertura alcançará Brasília e regiões administrativas como:

  • Asa Sul
  • Asa Norte
  • Águas Claras
  • SIA
  • Sudoeste
  • Park Way
  • Riacho Fundo — cobertura parcial
  • Guará — cobertura parcial

Vou precisar trocar de TV?

Para funcionar, não será necessário trocar de TV. Imagem: Oficina da Net

Essa é uma das principais dúvidas. A resposta curta é: talvez, mas não necessariamente agora. A TV 3.0 exige compatibilidade com o novo padrão. TVs atuais, mesmo modelos 4K recentes, não necessariamente têm receptor DTV+ integrado. Em muitos casos, será preciso usar um conversor externo, como aconteceu na transição da TV analógica para a digital.

O processo, no entanto, será gradual. A TV digital atual não será desligada de uma hora para outra. A adoção da TV 3.0 deve levar anos, com expansão por cidades, emissoras e equipamentos. A estimativa mencionada pelo setor é de uma transição longa, podendo chegar a mais de uma década até cobertura nacional plena.

Para quem pretende comprar uma TV nova nos próximos meses, vale começar a observar se o modelo menciona suporte a TV 3.0, DTV+ ou ATSC 3.0 adaptado ao padrão brasileiro.

Vai precisar de internet?

Não. Essa é outra das dúvidas mais comuns, e o próprio Ministério das Comunicações já respondeu isso de forma direta: não é necessário ter internet para acessar a TV 3.0. O sinal continua existindo pela antena, de forma aberta e gratuita. A internet entra para habilitar alguns recursos extras, como a interatividade, conteúdo adicional e personalização.

Isso significa que quem não tiver conexão ainda vai conseguir assistir à TV aberta normalmente. A diferença é que os recursos mais avançados, como navegação mais rica, integração com aplicativos e alguns serviços extras, esses sim dependem de conectividade. O governo insiste justamente nesse ponto para evitar a leitura de que a TV 3.0 excluiria quem não tem internet em casa.