O Samsung Galaxy S26 Ultra vem chamando atenção pelo novo recurso de Exibição de Privacidade (Privacy Display), que limita os ângulos de visão da tela para afastar olhares curiosos ao seu redor. A novidade usa uma arquitetura de pixels diferente para deixar o conteúdo visível apenas quase de frente, o que é ótimo para quem vive em transporte público, avião ou ambientes cheios.
Mas, enquanto essa foi a grande atualização de tela deste ano, começaram a surgir relatos de usuários dizendo que o uso prolongado do S26 Ultra estaria causando desconforto visual, incluindo fadiga ocular, dor de cabeça, tontura e até náusea. Em alguns casos, o incômodo foi tão forte que algumas pessoas dizem ter devolvido o aparelho a contragosto, apesar de elogiarem o restante do smartphone.
Onde começaram os relatos de fadiga ocular no Galaxy S26 Ultra
Os primeiros comentários mais concentrados apareceram em tópicos do Reddit e em comunidades de usuários sensíveis a cintilação de tela (PWM), com donos do Galaxy S26 Ultra relatando sintomas como olhos cansados, pressão na cabeça, tontura e mal-estar após sessões relativamente curtas de uso. Alguns desses usuários afirmam ter histórico de sensibilidade a PWM em outros celulares, o que levanta um alerta imediato para esse público.
Em vários desses tópicos, um padrão se repete: a pessoa elogia câmera, desempenho e recursos em geral, mas destaca que simplesmente não consegue usar o aparelho sem desconforto visual. Por outro lado, há muitos donos do S26 Ultra relatando exatamente o contrário, dizendo que não sentiram nada de estranho na tela mesmo após horas de uso, o que reforça a ideia de que a sensibilidade varia bastante de pessoa para pessoa.
Display de Privacidade é o vilão? O que se sabe até agora
Como o Display de Privacidade é a grande novidade da tela neste ano, ele virou o principal suspeito nas discussões. A tecnologia usa uma combinação de pixels "estreitos" e "largos" que podem ser controlados separadamente, reduzindo a visibilidade quando o aparelho é visto de lado para proteger o que está na tela.
Alguns usuários especulam que essa arquitetura diferente de pixels poderia alterar a forma como a luz chega aos olhos e contribuir para o desconforto em certos ângulos. No entanto, ainda não há evidência direta ligando o Display de Privacidade aos sintomas, e há relatos de pessoas que sentiram fadiga mesmo com o recurso desligado nas configurações.
A própria Samsung já reconheceu publicamente que o Privacy Display pode causar variação de brilho e visibilidade em determinados ângulos, admitindo que a tela pode parecer menos brilhante em comparação ao modelo anterior em algumas situações, mas nada que fosse capaz de causar sintomas como náusea ou dor de cabeça nos usuários.
Por que a tela do S26 Ultra pode incomodar olhos mais sensíveis
Um ponto importante por trás dessas queixas é a forma como o Galaxy S26 Ultra controla o brilho da tela. A série S26 usa uma taxa de escurecimento por PWM (Pulse Width Modulation) considerada relativamente baixa para padrões atuais, em torno de 480 Hz, para ajustar o brilho do painel.
O PWM funciona ligando e desligando rapidamente os LEDs da tela muitas vezes por segundo, em vez de apenas reduzir a corrente que passa por eles, como em esquemas de escurecimento por corrente contínua (DC dimming). Em frequências mais baixas, esse "pisca-pisca" extremamente rápido pode não ser percebido conscientemente, mas ainda assim ser captado pelos olhos e pelo sistema nervoso de pessoas mais sensíveis, causando sintomas como olhos cansados, dor de cabeça e até enjoo.
No caso do S26 Ultra, usuários sensíveis relatam que o desconforto fica mais forte em níveis mais baixos de brilho, que é justamente quando o PWM tende a ser mais agressivo. O problema é ampliado pelo fato de que, diferente de algumas marcas concorrentes, a Samsung não oferece no S26 opções nativas para reduzir a cintilação, como modos de anti-flicker, aumento da frequência de PWM ou alternância para DC-like dimming.
Concorrentes já avançaram em recursos de cuidado ocular
Enquanto a Samsung insiste em PWM em frequências relativamente baixas sem dar muitas opções ao usuário final, outras fabricantes vêm apostando em soluções específicas para quem tem olhos sensíveis. Há aparelhos no mercado com PWM de frequência muito mais alta, com escurecimento híbrido ou com modos de redução de cintilação que podem ser ativados em ajustes avançados.
Modelos recentes de marcas como Xiaomi, OnePlus, Realme e até o próprio Google em algumas linhas oferecem recursos como DC dimming, PWM em frequências na casa de 1.920 Hz ou modos dedicados de anti-flicker que tentam minimizar esse tipo de desconforto. A ideia é simples: quanto menos cintilação perceptível, menor a chance de causar fadiga ocular para quem é mais sensível, principalmente em uso prolongado ou à noite.
No caso do Galaxy S26 Ultra, a ausência dessa flexibilidade deixa os usuários sensíveis em situação complicada: se a pessoa for afetada pelo PWM do painel, sobram poucas alternativas além de manter o brilho em faixas específicas, tentar apps de terceiros (com limitações) ou, em último caso, devolver ou trocar de smartphone.
Por enquanto, os relatos de fadiga ocular com o Galaxy S26 Ultra ainda são anedóticos, surgindo principalmente em comunidades que naturalmente concentram pessoas com maior sensibilidade a esse tipo de coisa. Não há dados públicos que indiquem qual porcentagem dos donos do aparelho está sendo afetada, e a maioria dos usuários provavelmente nunca vai sentir nada de diferente na tela.
Mesmo assim, a consistência das queixas em diferentes postagens, com descrições muito parecidas de sintomas, é algo que chama atenção. Veículos internacionais especializados em Android e em tecnologia de telas já começaram a cobrar publicamente da Samsung algum tipo de resposta ou movimento em direção a recursos mais robustos de cuidado ocular, como modos anti-flicker ou frequências de PWM mais altas.
Segundo o Android Authority, a equipe entrou em contato com a Samsung para comentar especificamente as reclamações ligadas a fadiga ocular e PWM no Galaxy S26 Ultra, com promessa de atualizar o material assim que houver um posicionamento oficial mais completo. Até lá, a recomendação para quem sabe que é sensível à cintilação de tela é testar o aparelho pessoalmente por algum tempo, antes de bater o martelo na compra.
O Display de Privacidade do Galaxy S26 Ultra causa fadiga ocular?
Ainda não há prova direta de que o Display de Privacidade seja o responsável pelos casos de fadiga ocular. Alguns usuários relatam desconforto mesmo com o recurso desligado, o que sugere que o PWM de baixa frequência pode ser um fator.
Qual é a frequência de PWM do Galaxy S26 Ultra?
A linha Galaxy S26 usa uma frequência de PWM em torno de 480 Hz para controlar o brilho da tela.
A Samsung oferece algum modo anti-flicker ou DC dimming no S26 Ultra?
Não. Diferente de alguns concorrentes, o Galaxy S26 Ultra não conta com opções integradas de redução de cintilação, como modos anti-flicker, aumento de PWM para frequências muito altas ou alternância para DC-like dimming.