A NASA acaba de anunciar uma das descobertas mais importantes desde o início da missão Perseverance em Marte. O rover identificou a maior concentração de moléculas de carbono macromolecular já encontrada no planeta vermelho, um achado que fortalece a hipótese de que Marte pode ter reunido condições favoráveis para o surgimento de vida microscópica bilhões de anos atrás.
O que o Perseverance encontrou?
A descoberta foi feita na região conhecida como Bright Angel, uma formação rochosa que já despertava o interesse dos pesquisadores por apresentar características geológicas incomuns.
Para analisar as rochas, o Perseverance utilizou o instrumento SHERLOC (Scanning Habitable Environments with Raman & Luminescence for Organics and Chemicals), que dispara um laser ultravioleta sobre a superfície e examina a luz refletida para identificar os compostos químicos presentes.
Foi durante essa análise que o robô detectou uma quantidade significativa de carbono macromolecular, um tipo de molécula considerada essencial para a química da vida.
Na Terra, esse tipo de carbono faz parte de substâncias presentes em proteínas, gorduras, açúcares, DNA e também pode ser encontrado em matéria orgânica fossilizada e no carvão.
Isso significa que existiu vida em Marte?
Ainda não. Os próprios pesquisadores destacam que o carbono macromolecular não é uma prova da existência de organismos marcianos. Essas moléculas também podem surgir por processos completamente naturais, como reações químicas entre rochas e água, impactos de meteoritos ou simplesmente pelas transformações geológicas ao longo de bilhões de anos.
Por isso, o estudo publicado na revista científica Science Advances trata a descoberta como uma forte evidência de que Marte possuía um ambiente rico em compostos orgânicos, mas não como uma confirmação de atividade biológica.
Mesmo assim, o achado chama atenção por representar a maior concentração desse tipo de carbono já detectada no planeta.
Outro fator que aumenta o interesse dos cientistas é o local onde as moléculas foram encontradas. A região de Bright Angel já havia apresentado outras estruturas geológicas consideradas compatíveis com ambientes que poderiam ter abrigado microrganismos no passado.
Além disso, outra missão da NASA já havia encontrado matéria orgânica em Marte anteriormente. O rover Curiosity detectou compostos semelhantes em rochas da Cratera Gale, localizada a cerca de 3.200 quilômetros de Bright Angel.
O Perseverance pousou em Marte em fevereiro de 2021 com a missão de coletar amostras de rochas e solo marciano para futuras análises. Os cientistas acreditam que somente quando essas amostras forem trazidas para laboratórios na Terra será possível determinar com muito mais precisão a origem das moléculas encontradas e responder uma das maiores perguntas da exploração espacial: Marte já abrigou vida? Por enquanto, não temos uma resposta.