A BYD aproveitou esta semana para mexer em dois nomes importantes da sua linha elétrica no Brasil. De um lado, o Dolphin Special Edition chega como uma nova versão intermediária do hatch, com visual renovado, motor mais forte e várias correções em pontos que já vinham sendo cobrados. Do outro, o Yuan Plus 2027 passa por uma mudança muito mais agressiva e vira praticamente outro carro em desempenho.
A estratégia da BYD é curiosa porque ela não aposentou a linha atual do Dolphin. Em vez disso, criou uma nova configuração para ocupar o espaço entre as versões já vendidas no país. No caso do Yuan Plus, a marca preferiu um reposicionamento mais claro, jogando o SUV para uma faixa acima e tentando entregar um pacote que justifique isso no uso real.
BYD Dolphin Special Edition
O BYD Dolphin Special Edition estreia por R$ 159.990 e entra exatamente entre o Dolphin GS, vendido por R$ 149.990, e o Dolphin Plus, tabelado em R$ 184.800. A proposta da empresa é oferecer um hatch elétrico mais completo sem empurrar o comprador direto para a versão mais cara da linha.
A principal mudança está no conjunto mecânico. O hatch passa a usar um motor elétrico dianteiro de 177 cv e 29,5 kgfm, configuração herdada do Yuan Pro. Segundo a própria marca, isso permite ao carro acelerar de 0 a 100 km/h em 8 segundos, um salto bem relevante em comparação ao Dolphin GS de entrada.
Para lidar melhor com esse novo nível de desempenho, a BYD também trocou o antigo eixo de torção por uma suspensão traseira independente do tipo multilink, uma mudança que pesa muito mais no comportamento dinâmico do que parece na ficha técnica.
A bateria também cresceu. O Dolphin Special Edition usa uma Blade de 45,1 kWh e agora aceita recarga rápida em corrente contínua de até 80 kW, permitindo levar a carga de 30% a 80% em cerca de 25 minutos, segundo os dados divulgados no lançamento. Ou seja, não foi só um facelift com motor mais forte. A BYD também mexeu na parte energética para deixar o hatch mais usável fora da cidade e menos limitado em paradas de recarga.
No visual, o carro cresceu e mudou mais do que parece nas primeiras fotos. Os novos para-choques fizeram o comprimento chegar a 4,28 m, contra os 4,12 m do modelo anterior, o que o deixa praticamente encostado no Dolphin Plus em tamanho. Faróis e lanternas foram redesenhados, a dianteira ficou mais limpa e o conjunto parece mais maduro.
Por dentro, as mudanças são ainda mais interessantes: o seletor de marchas saiu do painel e foi para a coluna de direção, o console central ganhou espaço, apareceu um carregador sem fio de 50 W e até uma geladeira integrada. A central multimídia continua em 12,8 polegadas, mas agora é fixa, enquanto o painel digital passou para 8,8 polegadas.
A BYD também recheou a nova versão com pacote ADAS de nível 2, incluindo controle de cruzeiro adaptativo, frenagem autônoma, assistente de permanência em faixa, alerta de colisão, detecção de ponto cego e alerta de tráfego cruzado.
BYD Yuan Plus 2027
Se o Dolphin mudou bastante, o Yuan Plus 2027 foi ainda mais longe. O SUV agora passa a usar dois motores elétricos, um em cada eixo, entregando 449 cv e 57,1 kgfm, com tração integral. Isso é uma mudança brutal em relação ao Yuan Plus anterior, que tinha um único motor dianteiro de 204 cv e 31,6 kgfm. Segundo a BYD, o novo conjunto derruba o tempo de 0 a 100 km/h para 3,9 segundos e eleva a velocidade máxima a 200 km/h.
Esse reposicionamento também aparece no preço. O novo Yuan Plus chega por R$ 269.990, valor que o coloca bem acima da proposta anterior e deixa claro que a BYD quer empurrá-lo para um segmento mais aspiracional.
Em troca, o carro recebe uma nova bateria Blade de 74,8 kWh e passa a usar arquitetura de 800 volts, o que melhora a eficiência da recarga em estações de alta potência.
No caso do Yuan, a diferença não está só nos números. O carro claramente deixa de ser um SUV elétrico mais racional e vira uma vitrine de desempenho dentro da linha da marca. Isso pode ajudar a chamar atenção em um mercado onde só autonomia e lista de equipamentos já não bastam tanto para destacar um modelo.
Ao mesmo tempo, ele fica mais difícil de defender como opção "de bom custo-benefício", porque agora entra em uma faixa onde a cobrança por acabamento, dirigibilidade e refinamento sobe bastante.






