Vamos ver as estrelas com Tycho Brahe. Conhece?

Retomando uma leitura que há muito estava esquecida, O Discreto Charme das Partículas Elementares, da professora doutora Maria Cristina Abdalla, me afloraram ideias.

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Vamos ver as estrelas com Tycho Brahe. Conhece?

Isso é o que faz a leitura, desenvolve a imaginação. Destaco aqui um trecho, adaptado por mim, que achei interessante compartilhar com todos e, principalmente, com os amantes da astronomia. Nem preciso dizer que recomendo a leitura, não é?

O fascínio do homem pelo céu vem de muitos anos, desde as antigas civilizações que acreditavam numa Terra plana e sólida. Os filósofos e astrônomos sempre tentaram desvendar os segredos dos céus, seja de maneira científica, filosófica ou religiosa. E então, eis que surge o primeiro que começou a fazer essas indagações de maneira, digamos, não religiosa, Thales de Mileto. Thales previu o ano em que ocorreu um eclipse solar, isso foi no ano 585 a.C. Incrível!

Para os gregos a Terra era o centro do Universo, ou seja, viviam num modelo geocêntrico e esse modelo perdurou por muitos séculos, pois satisfazia a muitos interesses, inclusive religiosos. Tudo indica que Aristarco de Samos foi o primeiro astrônomo a realmente acreditar no Sol como centro do universo. Arquimedes nos conta no seu livro "Psammites" como Aristarco calculou que o Sol era cerca de 20 vezes maior do que a Lua e 10 vezes maior do que a Terra e assim a Terra deveria girar ao redor do Sol e não o contrário. Depois veio Pitágoras, que descobre o movimento diurno da Terra sobre seu eixo e assim faz uma ligação entre planetas, cometas e sistema solar.

Vamos ver as estrelas com Tycho Brahe. Conhece?

Mas, século XVI, um monge polonês chamado Nicolau Copérnico, também propõe um Sol como centro do universo, o heliocentrismo. Para ele, o Sol era uma prova matinal de um deus e, por ser o criador da vida, tinha que estar no centro do universo e não a Terra. Claro que essa ideia nunca foi aceita pela igreja católica, mas foi quando tudo começou. Mais tarde, Galileu Galilei faz uma revolução, por assim dizer, desfiando a igreja com seu sistema heliocêntrico.

Cláudio Ptolomeu, matemático, geógrafo e astrônomo, no século II também faz uma importante contribuição para a astronomia, no seu livro "Almagesto" composto de observações e ideias de antigos astrônomos, é um conjunto de 13 livros, continha elementos de astronomia esférica, teorias solar, lunar e planetária, falava também de eclipses e das estrelas fixas. Nesta obra ele deu a forma final a esta teoria, que se baseia na hipótese de que a Terra estaria parada no centro do Universo e cada planeta era o centro do seu movimento, sendo o primeiro a utilizar o termo "ecêntrico" (centro). Essa teoria perdurou na astronomia por aproximadamente 1500 anos.

Mas, vamos avançar um pouco na história e eis que entra em cena uma criança que possuía um interesse muito grande na astronomia. A sua história é bem interessante. Ele foi sequestrado quando criança pelo seu tio, Jörge Brahe um rico, solitário e nobre senhor, que custeou seus estudos. A princípio, apesar de sua fascinação pela astronomia, o tio queria que estudasse direito e ele entrou na faculdade de Leipzig aos 15 anos. Mesmo assim, Tycho Brahe - esse o nome do garoto - lia livros sobre astronomia escondido e também fazia observações astronômicas.

Ele fez suas primeiras observações aos 17 anos e, aos 19, com o falecimento do tio, a história que interessa começa: Tycho herda sua fortuna. Meteu-se num duelo e perdeu o nariz, a mutilação fez com que desviasse o interesse para a Medicina e Alquimia, que apesar disso, manteve seu gosto pelos astros construindo diversos instrumentos de astronomia.

Tycho Brahe

Mas o dia 11 de novembro de 1572 mudaria sua visão de mundo, ou melhor, de céu: teve a experiência mais marcante de sua vida, quando conseguiu enxergar no céu, na Constelação de Cassiopeia, a primeira explosão de supernova, que é o nome dado à explosão de estrelas com massas muito maiores que a nossa estrela Sol. Isso transformou Tycho de um mero observador e amante da astronomia a um dos maiores astrônomos de todos os tempos. Além de suas previsões, passou a fazer viagens pela Europa, para ensinar e se aprimorar cada vez mais nos estudos astronômicos. Em 1576, o rei Frederico II ofereceu-lhe uma pequena ilha, a Ilha de Hveen, para que instalasse seu observatório de astronomia e, assim, nasceu um grande centro de pesquisas, o maior do mundo na época: o Uraniburgo, como a doutora Maria Cristina Abdalla ressalta, foi como o Cern (Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear) da época. Maravilhoso!

Ele era tão fabuloso que Tycho também fabricou um moinho para criar seu próprio papel e assim registrar suas observações e cálculos. Mas, infelizmente, com a morte do rei, o seu herdeiro tomou posse de tudo que o rei havia lhe concedido e Tycho foi obrigado a fechar o observatório, levando consigo tudo o que podia. Rumou para Praga, tornando-se o matemático do Imperador romano Rudolph II e, com seu conhecimento do sistema geocêntrico de Copérnico, desenvolveu a Teoria do Sistema Solar, quando se tornou mais conhecido. Teve como assistente nada mais nada menos que Johannes Kepler. Embora discordassem e brigassem constantemente, tinham uma cumplicidade, a astronomia e a matemática. Quando Tycho faleceu,  Johannes tomou o seu posto como matemático imperial, conforme desejo de Tycho.

Johannes não acreditava na teoria de seu mestre, do sistema geocêntrico, pois acreditava num sistema heliocêntrico e passou a desenvolver sua própria teoria, partindo de sua motivação e acreditando que, para descobrir os planos de deus, a única forma seria através das equações matemáticas. Depois de cálculos e mais cálculos, conseguiu desvendar tais planos, ou melhor, as órbitas dos planetas. Segundo ele, deus não utilizava círculos, mas sim elipses e assim criou a tão famosa Lei de Kepler.

Claro que agora passaríamos a outro personagem e então termino por aqui. O final dessa fascinante história, entre outras pode, ser lido no livro citado acima.

Boa leitura!

Fontes: SB física, Ebah e Física.net

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Cibele Sidney
Cibele Sidney Professora licenciada em Física do Estado de São Paulo e além de lutar por um ensino público de qualidade, luta pela divulgação científica. Está criando, junto com seus alunos, um projeto chamado "Se Liga na parada!", para agregar mais jovens para esse mundo magnifico chamado ciência.
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