Não vamos morrer como os dinossauros: Entenda a missão DART

O maior medo da humanidade é que um asteróide ou algo do tipo caia no nosso planeta e acabe com a vida humana, assim como ocorreu com os dinossauros.

Por Ciência Pular para comentários
Não vamos morrer como os dinossauros: Entenda a missão DART

A ameaça de asteróides colidindo com a Terra não é uma novidade. Tema constantemente abordado na ficção científica de Hollywood, os asteróides são uma preocupação constante da humanidade. Qualquer pessoa que tenha prestado atenção nas aulas de história da escola, sabe que uma colisão entre uma rocha espacial e a Terra pode ter consequências fatais. Mas não somente nós, meros leigos de astronomia, mas também as maiores agências espaciais do mundo tem essa preocupação. E não só isso: A Nasa também tem planos de como salvar a humanidade de uma possível colisão com um asteróide. Chama-se missão DART.

As agências espaciais da Europa (ESA) e dos Estados Unidos (NASA) estão sempre de olho nas ameaças, e para isso contam com a ajuda de um satélite direcionado a coletar dados reais sobre como desviar um asteróide do nosso planeta, ou seja, uma rocha espacial que esteja em rota de colisão.

O asteróide Didymos e seu irmão Didymoon

A missão da NASA chamada de redirecionamento de asteróide duplo, em inglês para Double Asteroid Redirection (DART), servirá como a primeira demonstração da mudança re rota de asteróides no espaço. A janela de lançamento começa no final de dezembro de 2020, para que seja capaz de desviar o asteróide Didymos, no início de outubro de 2022. Chamado de Didymos, a palavra grega para "gêmeo", o asteróide órbita outro asteróide maior, e os dois são conhecidos como Didymos B (o menor) e o Didymos A (o maior).

DART

O objeto espacial a ser atingido pelo satélite tem cerca de 800 metros, e pesa 500kg. Ele e seu irmão gêmeo estarão viajando no espaço a uma velocidade de 14000 km/h no momento da colisão, enquanto o DART estará a 21600 km/h. Os cientistas esperam que a colisão mude a rota do asteróide em apenas 1 milímetro por segundo, e embora essa cutucada quase não muda o curso do asteróide, feito anos antes de um impacto projetado irá fazer toda a diferença.

Os dois asteróides atualmente têm uma órbita centrada no Sol, e abordagem do DART será distante da Terra. Quando alcançar o asteróide, o DART entrará em órbita ao redor da rocha, e se colidirá a uma velocidade de cerca de 23174 km/h(nove vezes mais rápido que uma bala) para alterar sua velocidade em uma fração de 1%.

A descrição correta é "técnica de impacto cinético" em vez de "colisão", evitando termos que soam aleatórios ou acidentais. A missão está sendo liderada pelo Laboratório de Física Aplicada Johns Hopkins (JHU / APL) e gerenciada pelo Gabinete do Programa de Missões Planetárias no Marshall Space Flight Center, no Alabama, para o Escritório de Coordenação de Defesa Planetária da NASA.

A missão DART da NASA é uma das duas partes de uma missão global batizada de AIDA (Avaliação de Impacto e Deflexão de Asteróides). Unindo-se ao empreendimento de proteção da Terra da agência ESA com sua espaçonave Hera, em homenagem à deusa grega do casamento, uma investigação acompanhará a missão DART, com um levantamento detalhado da resposta do asteróide ao impacto. Os dados coletados ajudarão a formular planos de defesa planetária, fornecendo uma análise detalhada do experimento de deflexão de asteróide em tempo real do DART. Seu lançamento está previsto para 2023.

A missão HERA também incluirá dois Cubesats (satélite em formato de cubo). O primeiro terá que fazer uma análise espectral dos dois asteróides, e para descobrir a diferença entre Didymos e Didymoon. Ele pousará em um dos dois asteróides para fazer medições mais detalhadas. O outro Cubesat irá orbitar Didymoon para sondar sua composição.

Usar energia cinética - pura força de impacto - não é a única opção que a NASA está procurando para defender a Terra dos asteróides que chegam. Um conceito de "trator gravitacional" orbitaria de uma maneira que mudaria a trajetória, devido ao atrito gravitacional. Da mesma forma que nossa lua tem impacto sobre as nossas marés, um satélite orbitando um asteróide daria empurrões para definir seu curso para outro lugar.

Infelizmente, um trator de gravidade provavelmente não seria muito eficaz para asteróides grandes o suficiente para ameaçar nosso planeta. Além disso, as técnicas para alcançá-lo exigiriam décadas de desenvolvimento e testes no espaço. A ablação a laser, ou o uso de lasers de espaçonave para vaporizar rocha de asteróides para mudar o curso de um asteroide, é outra técnica que a NASA considerou, mas pode ser tão viável ou econômico simplesmente lançar projéteis para alcançar o mesmo propósito.

Compartilhe com seus amigos:
Mais sobre: ciencia, dart, nasa, asteroide
Priscilla Kinast
Priscilla Kinast Estudante de Ciência e Tecnologia na UFRGS - Universidade Federal do RS, apaixonada por inovações tecnológicas, mistérios da ciência, bem como filmes e séries de ficção científica
FACEBOOK // INSTAGRAM: @priscillakinast // TWITTER: @prkinast
Quer conversar com o(a) Priscilla, comente:
Carregar comentários
Últimas notícias de Ciência